Mudanças na rotina, viagens e hábitos típicos do inverno podem aumentar os problemas respiratórios durante o recesso escolar
As férias escolares e a pausa das aulas, fazem pais acreditarem
que os filhos finalmente vão ficar longe dos vírus e das infecções
respiratórias comuns no ambiente escolar. Mas, em algumas famílias, acontece
justamente o contrário: a criança entra de férias e começa a apresentar nariz
entupido, tosse, dor de garganta, crises de rinite ou até novos episódios de resfriados.
Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho
Barros, embora a escola seja um ambiente conhecido pela circulação de vírus
entre as crianças, outros fatores presentes nas férias, especialmente durante o
inverno, também podem favorecer problemas respiratórios.
“Não é a friagem que causa infecção, mas o conjunto de fatores do
inverno que facilita problemas respiratórios. As pessoas ficam mais tempo em
ambientes fechados, há menor circulação de ar e maior proximidade entre
indivíduos, o que favorece a transmissão de vírus”, explica.
Durante o período de descanso, a rotina das crianças costuma mudar
completamente. Viagens, passeios, shoppings, cinemas, hotéis, aviões e
encontros familiares aumentam a exposição a diferentes ambientes e também a
novos agentes infecciosos.
“Às vezes a criança saiu da sala de aula, mas passou a frequentar
outros locais com grande circulação de pessoas. Ela continua tendo contato com
vírus diferentes, principalmente em espaços fechados e pouco ventilados”, afirma
o especialista.
Mudança de clima também interfere na respiração
Outro fator comum nas férias de inverno são as viagens para
cidades com temperaturas diferentes ou regiões mais frias.
De acordo com o médico, essas mudanças podem afetar principalmente
crianças que já têm predisposição a doenças alérgicas, como rinite.
“O ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias. Em crianças
com rinite, isso pode provocar crises com espirros, congestão nasal, coceira no
nariz e piora da qualidade do sono”, explica Dr. Bruno.
Além disso, casas de temporada, hotéis e roupas de inverno que
ficaram meses guardadas podem acumular poeira e ácaros, importantes gatilhos
para sintomas respiratórios.
Sono desregulado também pode pesar
Nas férias, é comum a criança dormir mais tarde, passar mais tempo
em telas e alterar horários de alimentação e descanso. Porém, o sono tem papel
importante no funcionamento do organismo.
“O descanso adequado participa da regulação do sistema
imunológico. Quando a criança muda muito a rotina, dorme menos ou tem um sono
de pior qualidade, o corpo pode sentir esse impacto”, destaca.
Como reduzir os riscos durante as férias?
Segundo o otorrinolaringologista, algumas medidas simples ajudam a
proteger a saúde respiratória das crianças:
• Manter os ambientes ventilados sempre que possível;
• Incentivar o consumo adequado de água;
• Fazer higiene nasal com soro fisiológico quando indicado;
• Evitar exposição a poeira e mofo;
• Higienizar roupas e cobertores guardados antes do uso;
• Preservar uma rotina mínima de sono;
• Manter a vacinação atualizada.
O especialista reforça ainda que sintomas persistentes não devem
ser ignorados.
“Nem todo nariz escorrendo é apenas um resfriado. Se a criança
apresenta febre persistente, dificuldade para respirar, piora progressiva, dor
no ouvido ou sintomas que se prolongam por muitos dias, é importante uma
avaliação médica”, finaliza.
FONTE:
Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário