quarta-feira, 22 de julho de 2026

EUA limitam vistos de estudantes e intercambistas a quatro anos para conter permanência prolongada

O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova regra que altera o período de permanência autorizado nos Estados Unidos para estudantes internacionais, participantes de intercâmbio e profissionais da imprensa estrangeira. A medida, publicada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), estabelece um prazo máximo de permanência para essas categorias e faz parte do endurecimento das políticas migratórias da gestão do presidente Donald Trump.

Pela nova regulamentação, os vistos F, destinados a estudantes internacionais, e os vistos J, voltados a participantes de programas de intercâmbio cultural, passarão a ter validade máxima de quatro anos. Atualmente, essas categorias permanecem válidas durante todo o período de duração do curso ou do programa de intercâmbio. Já os vistos I, destinados a profissionais da imprensa estrangeira, terão validade limitada a até 240 dias, ou 90 dias para cidadãos chineses.

A regra foi publicada em 17 de julho de 2026 e tem entrada em vigor prevista para 15 de setembro de 2026. 

Segundo Otávio Haverroth, advogado especialista em imigração e CEO da YOUSA Law Firm, a mudança reflete uma tentativa do governo americano de impedir que o visto de estudante seja utilizado como uma forma de prolongar a permanência no país sem que o objetivo principal seja a formação acadêmica.

"Historicamente, o foco das autoridades migratórias nunca foi quem viajava aos Estados Unidos para cursar um bacharelado, mestrado ou doutorado. A preocupação sempre esteve nos casos em que o status de estudante é utilizado para prolongar a permanência nos Estados Unidos por meio de matrículas sucessivas, sem uma progressão acadêmica coerente.  Essa mudança busca justamente impedir esse tipo de prática e reforçar que o status de estudante deve ser utilizado para sua finalidade original", afirma.

De acordo com o especialista, a decisão também está relacionada ao aumento de fraudes identificadas nos últimos anos envolvendo instituições e programas que não exigiam a presença efetiva dos estudantes.

"A legislação americana exige que o estudante esteja presencialmente nos Estados Unidos. O endurecimento das regras acompanha um amplo movimento de fiscalização e de combate ao uso indevido das categorias de visto", completa Haverroth.

 

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