No Dia Mundial da Fertilização in Vitro - 25 de julho, entenda como funciona a técnica que está cada vez mais precisa e personalizada. No Brasil, procedimentos aumentaram mais de 50% em cinco anos
Mais de 13 milhões de crianças já nasceram graças às
técnicas de reprodução assistida desde que a inglesa Louise Brown veio ao mundo, em 25 de julho de
1978, tornando-se o primeiro bebê concebido por fertilização in vitro (FIV).
Celebrada internacionalmente como o Dia Mundial da FIV, a data marca uma das
maiores revoluções da medicina moderna, cujo impacto também pode ser observado
no Brasil. Dados do SisEmbrio, sistema da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), mostram que o número de ciclos de fertilização in vitro
realizados no país cresceu 51,5% entre 2020 e 2025, passando de
41.586 para 62.997.
“Ao longo destas quase cinco décadas, avanços ocorreram em
praticamente todas as etapas da fertilização in vitro, que se tornou cada vez
mais segura e precisa. Atualmente, contamos com tecnologias capazes de aumentar
a eficiência dos tratamentos e oferecer uma abordagem muito mais
individualizada aos pacientes”, afirma Dr Paulo Gallo de Sá, especialista em
reprodução humana da Clínica Vida/Fertgroup. “Novas técnicas foram criadas,
como a injeção intracitoplasmática de espermatozoide, que revolucionou o
tratamento da infertilidade masculina, e a vitrificação, congelamento
ultrarrápido de óvulos e embriões que aumentou significativamente sua taxa de sobrevivência
após o descongelamento. Além disso, hoje contamos com testes genéticos que
reduzem o risco de transmissão de doenças hereditárias e de perdas gestacionais
relacionadas a alterações cromossômicas”, completa o médico.
Como funciona a fertilização in vitro?
A técnica reproduz a fecundação humana em ambiente laboratorial
controlado, sendo realizada nas seguintes etapas:
1. Estimulação ovariana
O tratamento começa com a administração de medicamentos hormonais
que estimulam os ovários a desenvolverem múltiplos folículos, pequenas
estruturas que podem dar origem a óvulos maduros, ou seja, prontos para a
fecundação. Durante essa fase, a paciente é acompanhada por exames de
ultrassonografia para monitorar a resposta aos remédios e definir o momento
ideal para a coleta dos óvulos.
2. Coleta dos óvulos
É um procedimento minimamente invasivo, feito sob sedação, para a
retirada dos óvulos. Guiado por ultrassonografia transvaginal, o médico aspira
os folículos, que são imediatamente encaminhados ao laboratório de embriologia.
3. Preparo seminal
Embriologistas processam uma amostra de sêmen previamente coletada
para separar os espermatozoides com melhor motilidade (capacidade de
movimentação) e morfologia (formato e estrutura), características associadas a
um maior potencial de fecundação.
4. Fertilização
A fecundação pode ocorrer de duas formas. Na FIV convencional,
óvulos e espermatozoides são colocados juntos em uma placa de cultivo para que
ela aconteça espontaneamente. Já na injeção intracitoplasmática de
espermatozoide (ICSI, na sigla em inglês para Intracytoplasmic Sperm
Injection), o embriologista injeta um único espermatozoide diretamente no
interior do óvulo, utilizando um microscópio de alta precisão.
5. Desenvolvimento embrionário
Após a fertilização, os embriões permanecem em incubadoras que
reproduzem as condições do organismo materno, por cinco a sete dias, até
atingirem o estágio de blastocisto, geralmente considerado o mais adequado para
a transferência ao útero. Durante este período, os embriologistas acompanham o
seu desenvolvimento, avaliando aspectos morfológicos e ritmo das divisões
celulares, entre outros critérios, para a seleção daqueles com maiores chances
de resultarem em uma gravidez saudável.
6. Transferência do embrião
O embrião selecionado é transferido para o interior do útero por
meio de um cateter extremamente fino, introduzido através do colo uterino. O
procedimento é realizado com auxílio de ultrassonografia, geralmente não requer
anestesia e dura apenas alguns minutos. Após a transferência, inicia-se o
período de espera até a realização do teste de gravidez, que varia de 9 a 14
dias.
7. Criopreservação
Os embriões viáveis que não são transferidos podem ser criopreservados (congelados) por meio da vitrificação, técnica que reduz a formação de cristais de gelo e preserva a integridade celular. Estes embriões podem ser utilizados em futuras tentativas de gravidez, evitando que a paciente repita as etapas iniciais do tratamento.
Além dos avanços médico-científicos, a tecnologia passou a desempenhar um papel central dentro dos laboratórios de reprodução assistida. Uma nova geração de incubadoras automatizadas, o EmbryoScope+, permite o monitoramento contínuo dos embriões por meio de imagens captadas em intervalos regulares, sem a necessidade de retirá-los de dentro do equipamento, minimizando variações de temperatura e pH que poderiam prejudicar sua integridade. O aparelho possui um sistema de Inteligência Artificial (IA) integrado, que auxilia os embriologistas a identificarem com precisão matemática quais embriões possuem maior potencial de implantação no útero. “A IA tem oferecido importante apoio para as tomadas de decisão, não somente em relação à escolha dos embriões, mas também na seleção dos óvulos com maiores chances de fertilização e de desenvolvimento embrionário adequado”, destaca Gallo de Sá.

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