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O Brasil produz cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos
sólidos por ano, mas recicla apenas 8% desse total, um índice ainda distante
das metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que prevê o aumento
da reciclagem para reduzir o envio de resíduos a aterros e incentivar a
economia circular.
A realidade, no entanto, está longe de ser uma questão de escassez
tecnológica. O Brasil já dispõe de soluções capazes de recuperar e transformar
grande parte dos resíduos antes que cheguem ao destino final. Linhas de triagem
automatizadas, sensores ópticos, separadores mecânicos, inteligência artificial
e sistemas de logística reversa não só existem como operam de forma eficiente e
economicamente viável.
Embora o Brasil já disponha de tecnologias eficazes, a
complexidade está em articular e ampliar sua aplicação na prática, integrando
todos os elos da cadeia. Nesse cenário, o Grupo Multilixo atua com um
ecossistema formado por empresas como Flacipel, UTGR, Multi Bioenergia, Multi
Cultivo e outros braços do conglomerado, que trabalham de forma coordenada para
estruturar soluções robustas de destinação e reaproveitamento de resíduos. Essa
atuação integrada exemplifica o caminho para avançar do potencial tecnológico
para um sistema operacional eficiente, capaz de transformar o setor e
contribuir para a construção de uma economia circular verdadeira.
Para Lucas Urias, diretor de Estratégia e Inovação do Grupo
Multilixo, ecossistema líder na gestão de resíduos no Estado de São Paulo, a
integração entre tecnologia, políticas públicas e engajamento coletivo é o
caminho para transformar o setor. Ele reforça que a reciclagem vai muito além
de uma ação ambiental, sendo uma estratégia que gera valor econômico, fortalece
cadeias produtivas e contribui para o desenvolvimento sustentável. “Quando
conseguimos aproveitar ao máximo os resíduos, criamos oportunidades reais para
a indústria e a sociedade, e é isso que precisa se tornar regra no Brasil”,
afirma.
O executivo destaca quatro práticas fundamentais para que empresas
e pessoas contribuam de forma eficaz para a reciclagem:
1.Descarte correto e separação dos resíduos
Separar adequadamente os resíduos recicláveis e
orgânicos no momento do descarte é o passo fundamental para viabilizar o
reaproveitamento. Mesmo em locais onde a coleta seletiva ainda não é ampla, essa
prática evita a contaminação dos materiais e facilita o trabalho de triagem.
2.Busca por pontos de coleta e programas de logística
reversa
Conhecer os pontos de entrega voluntária disponíveis
na cidade e aderir a programas de logística reversa, oferecidos por
supermercados, farmácias, cooperativas e outros, é essencial para ampliar o
volume de resíduos reciclados.
3.Consumo consciente
Optar por produtos com embalagens recicláveis ou de
menor volume, além de evitar o uso excessivo de itens descartáveis, reduz a
geração de resíduos e incentiva práticas mais sustentáveis na indústria.
4.Compromisso das empresas com a destinação correta
No setor privado, investir em soluções estruturadas
de gestão de resíduos e estabelecer parcerias com operadores licenciados são
passos importantes para garantir o cumprimento da legislação e ampliar o
impacto positivo ao longo da cadeia produtiva.
“Com o avanço de políticas públicas efetivas, como a nova Lei nº
15.088, o aumento da conscientização e o investimento em tecnologia, o Brasil
tem potencial para transformar os desafios da reciclagem em oportunidades de
inovação, inclusão social e desenvolvimento sustentável. Essa legislação
reforça o fortalecimento da cadeia nacional de reciclagem e estimula a adoção de
práticas sustentáveis que impulsionam a economia circular, representando um
passo decisivo para transformar desafios em oportunidades concretas.”, finaliza
Lucas Urias.

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