terça-feira, 21 de julho de 2026

Alerta de inverno: uso de descongestionante nasal vicia em apenas três dias, adverte especialista

Otorrinolaringologista explica por que o nariz entope mais no frio, ensina a diferenciar rinite de sinusite e alerta para os perigos da automedicação e de erros graves nas lavagens caseiras

 

Com a chegada do inverno, o nariz entupido torna-se uma das queixas mais frequentes nos consultórios. Em busca de alívio rápido, milhares de pessoas recorrem às populares "gotinhas" descongestionantes. O que a maioria desconhece é a rapidez com que esses medicamentos causam dependência: o uso por mais de três a cinco dias consecutivos já é suficiente para desencadear a chamada rinite medicamentosa.

“Os descongestionantes nasais vasoconstritores aliviam rapidamente o sintoma, mas não tratam a causa. O nariz volta a entupir assim que o efeito termina, fazendo com que a pessoa utilize cada vez mais, criando um ciclo de dependência. Além disso, o uso prolongado pode causar lesões na mucosa, ressecamentos e sangramentos, e apresenta um risco maior para pacientes com hipertensão, doenças cardiovasculares e glaucoma”, alerta a Dra. Roberta Pilla, otorrinolaringologista membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).


Por que o nariz entope tanto no inverno? 

O frio em si é um grande vilão, podendo desencadear uma resposta exagerada da mucosa conhecida como rinite vasomotora (não alérgica). O contato do ar gelado com o nariz incha os cornetos, causando obstrução mesmo sem infecção.

A especialista explica que a época também agrava os quadros alérgicos, já que as pessoas tiram dos armários casacos e cobertores guardados por meses, repletos de ácaros e mofo – e passam mais tempo em ambientes fechados. “O nariz entupido no inverno costuma ser resultado dessa combinação exata: frio, maior circulação de infecções respiratórias virais e alta exposição aos fatores que desencadeiam alergias”, resume a médica.


Como diferenciar e os perigos da automedicação 

Saber identificar a causa é fundamental para evitar outro erro gravíssimo e comum na estação: o uso indiscriminado de antibióticos. A Dra. Roberta ressalta que a maioria dos episódios é de origem viral ou alérgica, situações em que o antibiótico não tem qualquer eficácia.

Para diferenciar os quadros, a otorrinolaringologista pontua:

Rinite Alérgica: Marcada por espirros, coceira, coriza transparente e obstrução após contato com poeira ou mofo.

Rinite Vasomotora: Piora ao sair do ambiente aquecido para o frio, entrar no ar-condicionado ou sentir cheiros fortes. Testes de alergia costumam dar negativo.

Sinusite (Rinossinusite): Secreção mais espessa, dor ou pressão na face, diminuição do olfato e, em alguns casos, febre. Costuma durar mais de 5 a 7 dias.


O jeito certo de tratar e quando buscar ajuda 

A indicação padrão e mais segura para o alívio continua sendo a lavagem nasal com soro fisiológico ou soluções específicas. No entanto, a médica faz um alerta crítico para quem prepara a solução com sachês em casa: a água precisa ser obrigatoriamente mineral, filtrada (previamente fervida e resfriada) ou esterilizada, eliminando qualquer risco de contaminação. Além disso, o uso de óleos essenciais e outras "receitas caseiras" dentro do nariz deve ser estritamente evitado.

É necessário procurar um especialista quando a obstrução nasal persistir por mais de duas semanas, ocorrer predominantemente de um lado só do nariz, ou vier acompanhada de sangramentos frequentes e dor facial intensa. "O nariz entupido é muito comum, mas não deve ser encarado como algo ‘normal’ apenas porque é inverno", conclui a Dra. Roberta.


Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz. Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022). 2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. 2021- 2022: Secretaria Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP/São Paulo). Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica dos Hospitais do Grupo Maternidade Santa Joana e Pró-Matre (SP/ São Paulo); Médica do Grupo de Otorrinolaringologia do CDB Diagnósticos; Médica Otorrinolaringologista do Hospital Moriah (SP/São Paulo); Médica Otorrinolaringologista do Ambulatório da Rede Record de Televisão (SP/ São Paulo)

 

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