Otorrinolaringologista explica por que o nariz entope mais no frio, ensina a diferenciar rinite de sinusite e alerta para os perigos da automedicação e de erros graves nas lavagens caseiras
Com
a chegada do inverno, o nariz entupido torna-se uma das queixas mais frequentes
nos consultórios. Em busca de alívio rápido, milhares de pessoas recorrem às
populares "gotinhas" descongestionantes. O que a maioria desconhece é
a rapidez com que esses medicamentos causam dependência: o uso por mais de três
a cinco dias consecutivos já é suficiente para desencadear a chamada rinite
medicamentosa.
“Os
descongestionantes nasais vasoconstritores aliviam rapidamente o sintoma, mas
não tratam a causa. O nariz volta a entupir assim que o efeito termina, fazendo
com que a pessoa utilize cada vez mais, criando um ciclo de dependência. Além
disso, o uso prolongado pode causar lesões na mucosa, ressecamentos e
sangramentos, e apresenta um risco maior para pacientes com hipertensão,
doenças cardiovasculares e glaucoma”, alerta a Dra. Roberta Pilla,
otorrinolaringologista membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia
e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).
Por que o nariz entope tanto no inverno?
O
frio em si é um grande vilão, podendo desencadear uma resposta exagerada da
mucosa conhecida como rinite vasomotora (não alérgica). O contato do ar gelado
com o nariz incha os cornetos, causando obstrução mesmo sem infecção.
A
especialista explica que a época também agrava os quadros alérgicos, já que as
pessoas tiram dos armários casacos e cobertores guardados por meses, repletos
de ácaros e mofo – e passam mais tempo em ambientes fechados. “O nariz entupido
no inverno costuma ser resultado dessa combinação exata: frio, maior circulação
de infecções respiratórias virais e alta exposição aos fatores que desencadeiam
alergias”, resume a médica.
Como diferenciar e os perigos da automedicação
Saber
identificar a causa é fundamental para evitar outro erro gravíssimo e comum na
estação: o uso indiscriminado de antibióticos. A Dra. Roberta ressalta que a
maioria dos episódios é de origem viral ou alérgica, situações em que o
antibiótico não tem qualquer eficácia.
Para
diferenciar os quadros, a otorrinolaringologista pontua:
Rinite
Alérgica: Marcada por espirros, coceira, coriza transparente e obstrução após
contato com poeira ou mofo.
Rinite
Vasomotora: Piora ao sair do ambiente aquecido para o frio, entrar no
ar-condicionado ou sentir cheiros fortes. Testes de alergia costumam dar
negativo.
Sinusite
(Rinossinusite): Secreção mais espessa, dor ou pressão na face, diminuição do
olfato e, em alguns casos, febre. Costuma durar mais de 5 a 7 dias.
O jeito certo de tratar e quando buscar ajuda
A
indicação padrão e mais segura para o alívio continua sendo a lavagem nasal com
soro fisiológico ou soluções específicas. No entanto, a médica faz um alerta
crítico para quem prepara a solução com sachês em casa: a água precisa ser
obrigatoriamente mineral, filtrada (previamente fervida e resfriada) ou
esterilizada, eliminando qualquer risco de contaminação. Além disso, o uso de
óleos essenciais e outras "receitas caseiras" dentro do nariz deve
ser estritamente evitado.
É
necessário procurar um especialista quando a obstrução nasal persistir por mais
de duas semanas, ocorrer predominantemente de um lado só do nariz, ou vier
acompanhada de sangramentos frequentes e dor facial intensa. "O nariz
entupido é muito comum, mas não deve ser encarado como algo ‘normal’ apenas
porque é inverno", conclui a Dra. Roberta.
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