Períodos de férias escolares exigem atenção
redobrada de pais e responsáveis
Canva
O
Dia Mundial de Prevenção do Afogamento é celebrado anualmente em 25 de julho,
data estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo dados da
Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA), quatro crianças morrem
diariamente no país por esse tipo de acidente e, entre as crianças de 1 a 4
anos de idade, o afogamento é a segunda causa de morte mais frequente. Para
esclarecer dúvidas a respeito do assunto e compartilhar orientações para
prevenção e primeiros socorros, entrevistamos a médica intensivista pediátrica
do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), Thaís Mendonça Barbosa.
O que é o afogamento e como ele é definido clinicamente?
É
uma situação de comprometimento respiratório decorrente da submersão, ou seja,
quando todo o corpo está sob a água, ou imersão, quando apenas a face e vias
aéreas estão na água ou em líquido. Essa definição foi adotada pela Organização
Mundial da Saúde. O mecanismo envolve a aspiração de líquido não corporal para
as vias aéreas, que compreendem a traqueia, brônquios e pulmões, o que cria uma
barreira física que dificulta ou impede a troca gasosa, gerando um quadro de
asfixia e falta de oxigênio no corpo.
Em crianças, quais podem ser as sequelas de um afogamento?
As
principais sequelas ocorrem por falta de oxigênio no cérebro e podem incluir
alterações motoras, dificuldades cognitivas, convulsões, perdas de funções e,
nos casos mais graves, paralisia cerebral e até óbito. Também podem ocorrer complicações
pulmonares graves, como pneumonia por aspiração e insuficiência renal.
Quais são as fases de um afogamento?
Inicialmente,
ocorre a dificuldade para manter a cabeça fora da água, seguida de aspiração de
líquido, insuficiência respiratória, perda de consciência, parada
cardiorrespiratória e, se não houver resgate imediato, morte.
O que se deve fazer ao socorrer uma criança afogada?
O primeiro passo é retirar a criança da água e testar a resposta.
Caso esteja inconsciente e não apresente movimentos respiratórios, deve-se
acionar o serviço de emergência, SAMU ou bombeiro, e iniciar imediatamente a
reanimação cardiopulmonar (RCP). Para socorristas treinados, é apropriado
iniciar a RCP com via aérea, respiração e compressões torácicas, desde que não
haja atraso no início das compressões. O uso do desfibrilador externo
automático (DEA) é recomendável em casos de afogamento sempre que disponível,
mas não deve atrasar o início das manobras de ventilação e compressão. As
orientações das compressões variam conforme a idade porque a técnica de RCP
difere entre lactentes e crianças maiores, devido às diferenças anatômicas e
fisiológicas.
Em quanto tempo uma criança pode morrer afogada?
Não
existe um tempo exato. A perda de consciência pode ocorrer em poucos minutos de
submersão, e o risco de lesão cerebral aumenta rapidamente sem oxigenação
adequada. Quanto mais precoce o resgate e a reanimação, maiores as chances de
sobrevivência e redução de sequelas.
Quais são os principais fatores de risco para afogamento infantil?
Falta
de supervisão contínua (bastam alguns segundos de distração). Ausência de
barreiras físicas como piscinas sem cercas ou com acesso fácil à água.
Desconhecimento do perigo: crianças pequenas não tem noção do risco. Uso
inadequado ou ausência de boias e coletes de proteção.
Como familiares e responsáveis podem prevenir o afogamento infantil?
Manter
supervisão constante e próxima, em situações de eventos como festas e reuniões
familiares é importante definir quem está supervisionando a criança naquele
momento para que não haja distração; instalar cercas em piscinas, ensinar
natação quando apropriado para a idade, utilizar colete salva-vidas e aprender
técnicas básicas de primeiros socorros e RCP.
Quais cuidados devem ser tomados para manter crianças seguras ao nadar
em praias e lagos?
Manter
a criança sempre ao alcance de um adulto, usar colete salva-vidas, escolher
locais com guarda-vidas e respeitar sempre as sinalizações.
Quais cuidados devem ser tomados para manter crianças seguras ao nadar
em piscinas e frequentar hidromassagens?
Nunca
deixar crianças sozinhas na água, supervisionar continuamente e impedir que
crianças pequenas utilizem hidromassagens sem acompanhamento. O uso de ralos
anti-aspiração também é indicado, pois piscinas e hidromassagens devem ter
ralos que evitam o efeito de vácuo, impedindo que cabelos ou membros fiquem
presos. Também é importante saber onde fica o botão de desligamento de
emergência da bomba.
Considerando os riscos que existem dentro de casa, quais cuidados devem
ser tomados em residências que tenham banheiras, tinas e baldes com água?
Nunca
deixar bebês ou crianças pequenas sozinhos durante o banho, mesmo por poucos
segundos. Mantenha a tampa do vaso sanitário fechada e, se possível, use travas
de segurança, também mantendo a porta do banheiro trancada. Outras orientações
são supervisionar crianças durante o uso de baldes com água, esvaziá-los
imediatamente após o uso e armazená-los virados para baixo. Além disso, manter
áreas de serviço fechadas ou com acesso restrito às crianças aumenta a
segurança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário