terça-feira, 21 de julho de 2026

Afogamento mata quatro crianças por dia no Brasil; especialista do HUB dá orientações para prevenção e primeiros socorros

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Períodos de férias escolares exigem atenção redobrada de pais e responsáveis

 

O Dia Mundial de Prevenção do Afogamento é celebrado anualmente em 25 de julho, data estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA), quatro crianças morrem diariamente no país por esse tipo de acidente e, entre as crianças de 1 a 4 anos de idade, o afogamento é a segunda causa de morte mais frequente. Para esclarecer dúvidas a respeito do assunto e compartilhar orientações para prevenção e primeiros socorros, entrevistamos a médica intensivista pediátrica do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), Thaís Mendonça Barbosa.

 

O que é o afogamento e como ele é definido clinicamente?

É uma situação de comprometimento respiratório decorrente da submersão, ou seja, quando todo o corpo está sob a água, ou imersão, quando apenas a face e vias aéreas estão na água ou em líquido. Essa definição foi adotada pela Organização Mundial da Saúde. O mecanismo envolve a aspiração de líquido não corporal para as vias aéreas, que compreendem a traqueia, brônquios e pulmões, o que cria uma barreira física que dificulta ou impede a troca gasosa, gerando um quadro de asfixia e falta de oxigênio no corpo.

 

Em crianças, quais podem ser as sequelas de um afogamento?

As principais sequelas ocorrem por falta de oxigênio no cérebro e podem incluir alterações motoras, dificuldades cognitivas, convulsões, perdas de funções e, nos casos mais graves, paralisia cerebral e até óbito. Também podem ocorrer complicações pulmonares graves, como pneumonia por aspiração e insuficiência renal.

 

Quais são as fases de um afogamento?

Inicialmente, ocorre a dificuldade para manter a cabeça fora da água, seguida de aspiração de líquido, insuficiência respiratória, perda de consciência, parada cardiorrespiratória e, se não houver resgate imediato, morte.

 

O que se deve fazer ao socorrer uma criança afogada?

O primeiro passo é retirar a criança da água e testar a resposta. Caso esteja inconsciente e não apresente movimentos respiratórios, deve-se acionar o serviço de emergência, SAMU ou bombeiro, e iniciar imediatamente a reanimação cardiopulmonar (RCP). Para socorristas treinados, é apropriado iniciar a RCP com via aérea, respiração e compressões torácicas, desde que não haja atraso no início das compressões. O uso do desfibrilador externo automático (DEA) é recomendável em casos de afogamento sempre que disponível, mas não deve atrasar o início das manobras de ventilação e compressão. As orientações das compressões variam conforme a idade porque a técnica de RCP difere entre lactentes e crianças maiores, devido às diferenças anatômicas e fisiológicas.

 

Em quanto tempo uma criança pode morrer afogada?

Não existe um tempo exato. A perda de consciência pode ocorrer em poucos minutos de submersão, e o risco de lesão cerebral aumenta rapidamente sem oxigenação adequada. Quanto mais precoce o resgate e a reanimação, maiores as chances de sobrevivência e redução de sequelas.

 

Quais são os principais fatores de risco para afogamento infantil?

Falta de supervisão contínua (bastam alguns segundos de distração). Ausência de barreiras físicas como piscinas sem cercas ou com acesso fácil à água. Desconhecimento do perigo: crianças pequenas não tem noção do risco. Uso inadequado ou ausência de boias e coletes de proteção.

 

Como familiares e responsáveis podem prevenir o afogamento infantil?

Manter supervisão constante e próxima, em situações de eventos como festas e reuniões familiares é importante definir quem está supervisionando a criança naquele momento para que não haja distração; instalar cercas em piscinas, ensinar natação quando apropriado para a idade, utilizar colete salva-vidas e aprender técnicas básicas de primeiros socorros e RCP.

 

Quais cuidados devem ser tomados para manter crianças seguras ao nadar em praias e lagos?

Manter a criança sempre ao alcance de um adulto, usar colete salva-vidas, escolher locais com guarda-vidas e respeitar sempre as sinalizações.

 

Quais cuidados devem ser tomados para manter crianças seguras ao nadar em piscinas e frequentar hidromassagens?

Nunca deixar crianças sozinhas na água, supervisionar continuamente e impedir que crianças pequenas utilizem hidromassagens sem acompanhamento. O uso de ralos anti-aspiração também é indicado, pois piscinas e hidromassagens devem ter ralos que evitam o efeito de vácuo, impedindo que cabelos ou membros fiquem presos. Também é importante saber onde fica o botão de desligamento de emergência da bomba.

 

Considerando os riscos que existem dentro de casa, quais cuidados devem ser tomados em residências que tenham banheiras, tinas e baldes com água?

Nunca deixar bebês ou crianças pequenas sozinhos durante o banho, mesmo por poucos segundos. Mantenha a tampa do vaso sanitário fechada e, se possível, use travas de segurança, também mantendo a porta do banheiro trancada. Outras orientações são supervisionar crianças durante o uso de baldes com água, esvaziá-los imediatamente após o uso e armazená-los virados para baixo. Além disso, manter áreas de serviço fechadas ou com acesso restrito às crianças aumenta a segurança.

 

HUB-UnB


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