terça-feira, 21 de julho de 2026

22 de julho Dia Mundial do Cérebro: 6 sinais do corpo de que a mente está pedindo ajuda

Insônia, dores musculares, gastrite e cansaço constante nem sempre começam no corpo, mas em uma mente sobrecarregada
 

Insônia persistente, tensão muscular, gastrite sem causa orgânica, fadiga constante, dores de cabeça frequentes e sensação de viver no "piloto automático" podem ser manifestações físicas de uma vida emocionalmente fragmentada — quando trabalho, família, responsabilidades e expectativas ocupam tanto espaço que a pessoa deixa de perceber as próprias necessidades.

Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Tattiana Aserra, o cérebro e o corpo funcionam como um sistema único. "O corpo costuma falar quando a pessoa já não consegue escutar o que sente. Muitas vezes, ela acredita que está apenas cansada, quando, na verdade, vive há meses desconectada das próprias emoções, necessidades e limites."

A especialista explica que o organismo permanece em estado constante de alerta quando o cérebro interpreta que não há espaço para descanso ou recuperação. Com isso, hormônios ligados ao estresse permanecem elevados por longos períodos, favorecendo alterações no sono, na digestão, na imunidade e até na percepção da dor.
 

O corpo não é o problema — ele é o mensageiro

Para Tattiana, um dos maiores erros é tentar tratar apenas os sintomas físicos sem investigar o contexto de vida da pessoa.

"Nem toda insônia começa no colchão. Nem toda gastrite nasce da alimentação. Nem toda dor muscular vem de esforço físico. Muitas vezes, esses sintomas são formas que o cérebro encontra de sinalizar que algo precisa ser reorganizado."

Ela ressalta que o cérebro foi desenvolvido para alternar momentos de esforço e recuperação. Quando essa alternância desaparece, todo o organismo sente as consequências.
 

Os sinais físicos que merecem atenção

Entre os principais alertas estão:

  • dificuldade para dormir ou acordar cansado;
  • tensão constante nos ombros, pescoço ou mandíbula;
  • gastrite ou desconfortos intestinais que pioram em períodos de estresse;
  • dores de cabeça frequentes;
  • fadiga que não melhora nem após o descanso;
  • sensação permanente de estar acelerado.

Segundo a neuropsicóloga, esses sintomas não significam necessariamente um transtorno mental, mas indicam que vale a pena olhar para a forma como a vida está sendo conduzida.

"O cérebro precisa de coerência entre aquilo que fazemos e aquilo que sentimos. Quando vivemos apenas para cumprir tarefas, sem espaço para descanso, vínculos, prazer e autocuidado, o corpo começa a assumir a função de pedir essa pausa."
 

Cuidar do cérebro é cuidar da vida inteira

No Dia Mundial do Cérebro, Tattiana defende que saúde cerebral não deve ser entendida apenas como ausência de doenças, mas como capacidade de viver de forma integrada.

"O cérebro saudável não é apenas aquele que memoriza ou resolve problemas. É aquele que consegue regular emoções, construir relações, descansar, adaptar-se às mudanças e encontrar sentido na própria rotina."

Para a especialista, ouvir os sinais do corpo antes que eles se transformem em doença é uma das formas mais importantes de prevenção. "Quando o corpo começa a gritar, geralmente o cérebro já vem sussurrando há muito tempo”, finaliza. Parte superior do formulário. 



Tattiana ASerra, neuropsicóloga, autora e comunicadora - Neuropsicóloga pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), graduada em Psicologia pela Universidade Paulista (2014), analista do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP). Com mais de uma década de experiência trabalhando com indivíduos e famílias, é também autora de dois livros, um dos quais é um best-seller.
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