Uma das coisas que mais sufoca e traz divergência nos relacionamentos
é a comunicação ou a falta dela. É fato, estamos em 2026, podemos nos comunicar
de várias formas, inclusive, temos maior liberdade para isso, mas vivemos
especialmente o contrário. Muitas vezes, ao optarmos pelo silêncio, não
comunicamos o que é necessário, e o que poderia representar sabedoria, acaba
sendo uma atitude imatura.
Nos relacionamentos, costumamos pensar que os conflitos aparecem
principalmente nas discussões, nas palavras duras ou nas divergências abertas.
No entanto, o que mais pesa em uma relação nem sempre é o que foi dito, mas
aquilo que ficou nas entrelinhas, ou ainda, o que se manteve em silêncio pelas
mais variadas justificativas.
Em diversas situações prevalece o medo, seja na tentativa de
evitar conflitos, no desejo de evitar discussão, de ser mal interpretado, de
ser rejeitado, não ser compreendido ou mesmo pelo hábito de guardar
sentimentos.
O problema é que aquilo que não é dito não desaparece. O que não é
dito se arrasta; o que arrasta pesa, e o que pesa, afasta. O que se acumula,
azeda dentro de nós, gera ressentimento, distância emocional e pode levar a uma
sensação de solidão mesmo estando ao lado de alguém.
Por vezes, essas dificuldades podem se justificar por uma série de
fatos, histórias e traumas da nossa vida. Contudo se ignoramos o que se passa
dentro de nós, nossos desafetos, inquietações, medos, angústias e crises,
acabamos por transportar tudo isso para a nossa comunicação.
Refletindo e aprofundando um pouco mais: por que o espaço que
deveria ser de acolhimento e compreensão, torna-se um abismo de distância? Por
que não encontramos espaço para compartilhar o que precisa ser dito? Quando
isso acontece, gera, ao longo do tempo, um peso invisível, acumula frustrações,
e provoca desconexão. Com isso, a intimidade entre o casal diminui, a distância
aumenta e tudo fica pior à medida que o tempo passa, abrindo espaço para o
afastamento, a falta de admiração, entre outras realidades que destroem um
relacionamento afetivo.
Há um preço alto nesse processo: quando sentimentos importantes
não encontram espaço para serem compartilhados, o relacionamento começa a
carregar um peso de frustrações que se acumulam.
Sempre há uma melhor forma de comunicar qualquer coisa. A
impulsividade mata, a indiferença machuca e, neste sentido, encontrar o caminho
do equilíbrio é a melhor alternativa. Falar o que sente, mas ter cuidado com a
maneira como fala. Zelar por relacionamentos mais saudáveis passa por organizar
os pensamentos para falar e gerar espaços seguros para se comunicar. É a
sensação da falta de espaço para ser ouvido que machuca.
Relacionamentos não se sustentam apenas pelo que sentimos, mas
também pela forma como conseguimos compartilhar essas emoções. E, muitas vezes,
uma conversa sincera pode aliviar pesos que o silêncio carrega há muito tempo.
Se você tem vivido essa realidade, reflita sobre como as suas
comunicações têm ocorrido no dia a dia. O que tenho deixado de falar? Como as
pessoas têm me compreendido? Será que a minha forma de comunicar tem sido a
melhor? Deixo aqui uma passagem de Provérbios que pode guiar essa visita ao seu
modo de comunicar: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura
suscita a ira” (15,1).
Elaine Ribeiro - psicóloga clínica e organizacional e
colaboradora da Comunidade Canção Nova. @elaineribeiro_psicologa
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