O aspecto estético rígido e os índices de assimetria ao caminhar têm reduzido a indicação de implantes glúteos sintéticos em favor de técnicas de preenchimento com gordura autóloga.
Quem
acompanha as redes sociais ou frequenta consultórios de cirurgia plástica já
deve ter reparado: aquela estética super marcada e volumosa, que reinou
absoluta nos anos 2000, está com os dias contados. O desejo da vez é o
movimento. A tradicional prótese de silicone no bumbum, antes o padrão de ouro
para quem queria curvas definitivas, vem sofrendo uma queda drástica de
popularidade. As pessoas cansaram do visual artificial e passaram a exigir
resultados que combinem com a vida real.
Essa
virada de chave não é só uma questão de olhar no espelho e achar feio. O
problema do silicone na região glútea aparece, principalmente, quando o corpo
se mexe. "Muitas pacientes começaram a se queixar do aspecto rígido e,
pior, de uma assimetria bem chata que ficava evidente na hora de caminhar. A
prótese é estática, ela não acompanha a dinâmica natural dos nossos
músculos", explica a Dra. Maira, cirurgiã plástica que acompanha de perto
essa transição no comportamento das pacientes.
Com a
rejeição aos implantes sintéticos em alta, a solução veio de dentro do próprio
corpo. A técnica do momento é a lipoenxertia, que nada mais é do que usar a
gordura autóloga (da própria pessoa) para modelar a região. O processo é
inteligente: o médico retira aquela gordura localizada indesejada, de áreas
como o abdômen ou os flancos, trata esse material e o injeta de volta, mas
agora nos pontos certos do bumbum.
A grande
sacada dessa abordagem é a liberdade que ela dá ao cirurgião para desenhar o
corpo. Segundo a médica, a gordura se integra perfeitamente ao organismo, o que
elimina o risco de rejeição e deixa o toque muito mais macio. "Com a
gordura, a gente consegue preencher as depressões laterais do quadril e dar
projeção respeitando a anatomia de cada um. O silicone é um bloco pré-moldado;
ele não se adapta às curvas individuais como o tecido do próprio
paciente", pontua.
Na
prática do pós-operatório, a diferença também é brutal. Colocar uma prótese por
dentro do músculo glúteo costuma render uma recuperação dolorosa e bastante
restritiva. Já a transferência de gordura é mais sutil, tem um pós-parto bem
mais tranquilo e não deixa aquela cicatriz vertical incômoda na região do
bumbum. É o tipo de procedimento que entrega o resultado sem deixar pistasde
que a pessoa passou por uma cirurgia.
O que
estamos vendo no mercado não é o fim das cirurgias de contorno corporal, mas o
nascimento de uma vaidade muito mais madura. As pessoas ainda querem melhorar a
silhueta, mas agora o luxo está em parecer que você nasceu assim. Os exageros
estruturados e os formatos geométricos ficaram no passado, a era agora é do
equilíbrio e da fluidez.
Fonte: Dra. Maíra Amábile — Médica | Cirurgiã Plástica | Especialista em Contorno Corporal
@dra.mairaamabile
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