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| Rodrigo Braga, Comunhão I, 2006. Coleção Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foto: Rodrigo Braga. |
Mostra “Mire Veja: MAM São Paulo visita Sesc Bom Retiro” reúne obras das duas instituições e propõe diversas formas de ver, conhecer e compartilhar arte
De 30 de junho a 27 de setembro de 2026,
o Museu
de Arte Moderna de São Paulo e o Sesc São Paulo realizam a exposição Mire Veja:
MAM São Paulo visita Sesc Bom Retiro, no centro da capital.
Com curadoria de Valquíria Prates e Mirela
Estelles, a mostra nasce do encontro entre os acervos das
instituições, reunindo cerca de 50 obras de diferentes linguagens, suportes e
períodos.
Como visitante, o museu integra obras de sua coleção (de artistas
como Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Ceschiatti, Amelia Toledo, Brígida
Baltar, Cao Guimarães, Carlos Zilio, Emanoel Araujo, Franz Weissmann, German
Lorca, Giuliana Giorgi, Heitor dos Prazeres, Labo & Rafaela Kennedy, Laura
Vinci, Lenora de Barros, Lothar Charoux, Paulo Nenflidio, Pedro Motta, Rodrigo
Braga, Rosângela Rennó, Sara Ramo, Xadalu Tupã Jekupe e Zimar)
ao acervo já presente na unidade, sem alterar a configuração da instituição
anfitriã. Obras que já habitam o edifício, entre elas trabalhos de Antonio
Henrique Amaral, Artur Barrio, Cássio Vasconcellos, Claudio Tozzi, Cleber
Machado, Eduardo Coimbra, Iran do Espírito Santo, Motta & Lima, Nelson
Leirner, Paulo Bruscky, Rodrigo Andrade e Rubens
Gerchman, passam a integrar a mostra sendo ressignificadas a
partir desse novo contexto.
A exposição faz parte do programa MAM em Movimento,
iniciativa que promove a circulação de obras do acervo do museu em diálogo com
outros espaços e instituições culturais. Ao colocar essas duas coleções em
convivência, Mire Veja propõe um diálogo entre diferentes modos de fazer
instituição, construir narrativas e estabelecer relações com os públicos.
Partindo da seleção de obras das duas instituições e ocupando toda unidade do
Sesc Bom Retiro, a curadoria da mostra tem como interesse principal a
possibilidade de investigar os modos como a mediação cultural trabalha
publicamente seus acervos em ações específicas de curadoria, educação e
comunicação de exposições de arte.
“Todo acervo começa com um gesto de escolha. Escolher guardar é
também escolher o que permanece, o que será cuidado, pesquisado, documentado e
mostrado ao longo do tempo”, explica Mirela Estelles, que também é coordenadora
do MAM Educativo. “Partindo dessa reflexão, a mostra convida as pessoas a
pensar sobre o que significa constituir, preservar e tornar público um conjunto
de obras, evidenciando os processos, decisões e práticas que sustentam a vida
pública da arte”, diz Mirela.
“A exposição convida o público a refletir sobre o que se busca
transformar a partir do contato de pessoas com obras de arte em exposições,
conversando sobre trabalhos de arte contemporânea e sobre as múltiplas camadas
de experiência que podem ocorrer nas exposições”, continua Valquíria Prates. “O
que se coloca em exposição são as obras e seus processos de criação, mas também
as formas de as mostrar, os dispositivos que as acompanham, os textos, os
áudios, os livros, os materiais educativos e os próprios espaços por onde o
público circula. Aqui, a obra é entendida como um campo aberto de relações
intencionais, continuamente atualizado no encontro com cada visitante que
esteja interessado em fazer parte dos processos de mediação de uma mostra de
arte”, reflete a curadora, que investiga saberes e práticas colaborativas de
mediação cultural em diferentes territórios, instituições e contextos sociais.
A exposição ocupa todo edifício onde parte do Acervo Sesc de Arte
é exibido desde a abertura do Sesc Bom Retiro, contemplando também o espaço
expositivo e a biblioteca da unidade. Corredores, escadas e áreas de
convivência tornam-se parte do percurso, ampliando as possibilidades de
encontro com as obras dos dois acervos e convidando o público a perceber a arte
para além dos espaços expositivos musealizados.
Constituído desde os primeiros anos da instituição, o Acervo Sesc
de Arte configura-se como uma importante ação institucional no
campo das artes visuais, atuando simultaneamente como patrimônio cultural e
suporte para ações educativas. Composto por obras de arte moderna,
contemporânea e popular, o acervo teve momentos decisivos de formação nas
décadas de 1970 e 1980 e segue, até hoje, em constante expansão por meio de
aquisições e doações orientadas por critérios estéticos e históricos rigorosos.
Distribuído por todas as unidades do estado de São Paulo, o acervo
se destaca por sua presença cotidiana: as obras permanecem em exibição
permanente, muitas vezes em espaços de ampla circulação ou ainda em projetos site-specific, especialmente
concebidos para os ambientes arquitetônicos das novas unidades. Dessa forma, o
Acervo Sesc de Arte promove o encontro direto entre público e obra, integrando
arte, arquitetura e território, e ampliando o acesso à produção artística em
diálogo com o contexto social local.
"A opção por apresentar seu acervo artístico em espaços de
circulação, é um gesto da instituição que visa aproximar a produção visual do
cotidiano de seus frequentadores. Dessa forma, o Sesc São Paulo escolheu pela
apresentação de sua coleção em locais improváveis - piscinas, ginásios,
centrais de atendimento - permitindo que a arte esteja presente para além dos
espaços dedicados" comenta Juliana Braga, gerente de Artes Visuais e
Tecnologia do Sesc São Paulo, responsável pela gestão do Acervo Sesc de Artes.
A pesquisa de mediação cultural a partir de processos de educação
e exposições ocupa a biblioteca da unidade, como espaço de exposição, pesquisa
e mediação. Reunindo livros, materiais educativos, maquetes táteis e outros
recursos desenvolvidos pelo MAM Educativo, esse ambiente expande a noção de
acervo, evidenciando os conhecimentos, práticas e experiências que se constroem
em torno das obras.
Ao colocar em diálogo obras, instituições, práticas curatoriais e
ações educativas, Mire Veja: MAM São Paulo visita Sesc Bom Retiro propõe
pensar as transformações dos acervos a partir dos contatos com seus públicos,
considerando que cada vez que uma obra é mostrada, uma nova relação se torna
possível a partir do que alguém percebe nela. E é nesse movimento contínuo
entre guardar e mostrar, entre mirar e ver, que a arte se torna experiência de
percepção e posicionamento no mundo.
Sobre as curadoras
Valquíria Prates investiga a mediação cultural das artes visuais e da literatura,
com uma trajetória que integra pesquisa, escrita, curadoria e educação em
museus, bibliotecas, universidades, escolas e outras instituições culturais. É
graduada em Letras e Pedagogia, Mestre em políticas públicas de acessibilidade
pela Universidade de São Paulo e Doutora em Artes pela Unesp, onde defendeu a
tese Como fazer junto: a arte e a educação na mediação cultural. Seu trabalho articula
saberes e práticas colaborativas de mediação em diferentes territórios e
contextos sociais.
Mirela Estelles é mediadora cultural que investiga os desdobramentos da narração
de histórias na educação em museus e exposições de arte. Estudou comunicação
das artes do corpo na PUC-SP e especializou-se em linguagens da arte no Centro
Universitário Maria Antônia, onde iniciou as pesquisas e atividades do projeto
Histórias para Ver e Ouvir (2011-2026). Com experiência em arte contemporânea,
educação, livro e leitura, culturas da infância, patrimônio imaterial e
públicos de museus, realiza a curadoria de exposições e de projetos educativos
em escolas, livrarias, bibliotecas, museus e outras instituições culturais, com
atenção aos aspectos de acessibilidade e diversidade na gestão cultural de
equipes multidisciplinares. Atualmente, coordena a área de educação do Museu de
Arte Moderna de São Paulo, onde atua desde 2009. Neste museu, fez a curadoria
da exposição Elementar: fazer junto (2023); idealizou os projetos: Semana das
Culturas da Infância (2012-2026), Festival Corpo Palavra (2021-2026) e
Histórias no Jardim (2022-2025).
Serviço:
Exposição: Mire Veja: MAM São Paulo visita Sesc
Bom Retiro
Local: Sesc Bom Retiro
Curadoria: Valquíria Prates e Mirela Estelles
Abertura:
Dia 30 de junho, 19h.
Período
expositivo: 1 de julho a 27 de setembro de 2026.
Terça a sexta, 9h às 20h. Sábado, 10h às 20h.
Domingo e feriado, 10h às 18h.
Espaço Expositivo. Livre.
Endereço: Alameda Nothmann, 185 - Campos Elíseos, São
Paulo - SP
Entrada: gratuita
MAM São Paulo
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mam.org.br
@mamsaopaulo
Sesc São Paulo
sescsp.org.br

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