sábado, 30 de maio de 2026

“Quero ficar igual ao filtro”: nova obsessão estética criada nas redes sociais preocupa especialistas

Exposição constante à própria imagem altera percepção facial e impulsiona busca por procedimentos estéticos mais sutis e naturais 


A rotina cada vez mais digital tem mudado não apenas a forma de trabalhar e se relacionar, mas também a maneira como as pessoas se enxergam. A exposição constante à própria imagem em videochamadas, câmeras frontais e redes sociais criou um fenômeno comportamental já estudado internacionalmente chamado “efeito Zoom”, ou a percepção do “rosto em tempo real”.
 

Segundo o cirurgião plástico Dr. Gerson Julio, com mais de 30 anos de experiência, esse comportamento vem alterando a forma como o envelhecimento é percebido e influenciando a relação das pessoas com a própria imagem. “Nos últimos anos, tenho observado uma mudança muito importante na forma como as pessoas percebem o próprio rosto. A rotina cada vez mais digital não alterou apenas a forma de trabalhar e se relacionar, mas também a maneira como nos enxergamos. A exposição constante à própria imagem em vídeo chamadas, câmeras frontais e redes sociais criou um fenômeno comportamental que já vem sendo estudado internacionalmente: o chamado ‘efeito Zoom’, ou a percepção do ‘rosto em tempo real’”, afirma. 

O termo é utilizado para descrever o impacto da autovisualização contínua em plataformas de videoconferência, algo intensificado após a consolidação do trabalho remoto. Na prática clínica e também na literatura internacional da cirurgia plástica facial, já é possível perceber que esse comportamento vem influenciando a forma como o envelhecimento é percebido e, consequentemente, aumentando a busca por procedimentos estéticos mais sutis e naturais. 

A mudança está diretamente ligada à forma como as pessoas passaram a se ver no cotidiano. “Antigamente, a pessoa se via no espelho ou em fotos pontuais. Hoje, ela se observa o tempo todo em movimento, muitas vezes em condições de luz e ângulos que não favorecem a imagem. Isso muda completamente a relação com o próprio rosto”, explica o especialista. 

Esse novo padrão de autopercepção faz com que características naturais, como olheiras, leve flacidez, perda de contorno facial e sinais de cansaço, passem a ser percebidas com maior frequência e intensidade. “Na minha experiência, a imagem em tela cria uma leitura contínua da própria face que nem sempre corresponde à realidade clínica”, afirma. 

No consultório, isso se traduz em queixas recorrentes relacionadas ao aspecto de cansaço persistente, excesso de pele nas pálpebras, perda de definição facial e alterações no nariz. Essa percepção tem levado mais pacientes a buscar procedimentos como blefaroplastia, rinoplastia e lifting facial, sempre com foco em naturalidade e harmonia. “O que tenho observado é que a tendência atual não é transformar o rosto, mas suavizar sinais que passam a incomodar justamente por essa exposição contínua. O objetivo é devolver uma aparência descansada, preservando identidade e expressão”, destaca. 

Ao mesmo tempo, o especialista reforça a necessidade de cautela nesse processo. “Ao mesmo tempo, reforço sempre a importância de cautela nesse processo. A imagem em tela nem sempre corresponde à realidade. Por isso, a avaliação médica precisa ser criteriosa, para que seja possível diferenciar uma queixa real de um efeito da forma como a pessoa se vê no ambiente digital”, ressalta. 

Para o médico, o fenômeno reflete uma mudança mais ampla na relação com a estética e com a própria individualidade. “Na minha visão, esse fenômeno reflete uma mudança mais ampla na relação com a estética. Hoje, o foco está cada vez mais na individualidade. Não se trata de seguir padrões ou buscar transformações radicais, mas de equilibrar a percepção que cada pessoa tem de si mesma com aquilo que é possível e saudável do ponto de vista médico”, conclui. 



Dr. Gerson Julio - Com mais de 30 anos de experiência e mais de 9 mil cirurgias realizadas, o Dr. Gerson Julio é um dos grandes nomes da cirurgia plástica estética no Brasil. Com Graduação em Medicina pela Unicamp, além de residência e mestrado pela mesma universidade, Gerson é referência por sua precisão técnica e abordagem humanizada em procedimentos corporais e faciais. Visionário, trouxe para seu consultório práticas norte-americanas inovadoras, como o protocolo Recovery Express, e foi pioneiro no uso do técnica PTS no abdômen, eliminando a necessidade de drenos há mais de duas décadas.


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