segunda-feira, 25 de maio de 2026

Influenza faz casos graves crescerem 40% no Brasil em 2026; hospitalizações quase triplicam em base hospitalar e custam R$ 11,8 milhões no primeiro trimestre

Hospitalizações quase triplicam em base hospitalar e
custam R$ 11,8 milhões no primeiro trimestre
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Dados inéditos combinam duas bases nacionais e mostram surto mais intenso que o de 2025, com maior impacto no Norte e Nordeste; crianças e idosos concentram os casos mais graves.

 

A última edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada em 21 de maio, aponta aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. O estudo alerta que o aumento tem sido impulsionado pela influenza A. 

Segundo o InfoGripe, 16 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 19: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Natal (RN), Palmas (NA), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA). 

O Brasil registra uma onda de influenza consideravelmente mais intensa no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Análise inedita do Grupo IAG Saúde, que combina duas bases de dados nacionais — o SIVEP-Gripe, sistema de vigilância epidemiológica do Ministério da Saúde, e a Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, referência para avaliação de internações hospitalares — revela que os casos graves da doença cresceram aproximadamente 40% no país: de 2.198 para 3.074 hospitalizações por SRAG associada à influenza, registradas em 1.218 instituições de saúde de todas as regiões. 

No âmbito dos hospitais acompanhados pela Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA — que reúne instituições participantes da plataforma, com maior representação do setor de saúde suplementar —, o crescimento foi ainda mais expressivo: as internações relacionadas à doença quase triplicaram, passando de 406 para 1.097 casos no mesmo período, um aumento de 170%. Esse resultado reflete tanto o maior volume do surto quanto a possível ampliação da busca por atendimento hospitalar em 2026. 

O impacto financeiro é relevante nas duas perspectivas. Nos hospitais da Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, o custo assistencial diretamente mensurado mais que dobrou, passando de R$ 5,4 milhões para R$ 11,8 milhões entre os dois períodos. O custo médio por internação caiu de R$ 13,3 mil para R$ 10,8 mil, refletindo o perfil de menor complexidade média dos casos em 2026. 

No âmbito nacional, a estimativa de custo dos casos graves registrados no SIVEP-Gripe aponta valores ainda mais expressivos: R$ 29,2 milhões em 2025 e R$ 33,2 milhões em 2026. Essa estimativa é calculada com base em uma tabela nacional de preços hospitalares construída a partir de mais de 700 mil internações de 171 operadoras de saúde suplementar, classificadas pelo sistema DRG Brasil — referência independente que permite projetar o custo esperado pelo perfil clínico de cada caso. Por representarem bases com populações potencialmente sobrepostas, os valores do SIVEP e do DRG Brasil não devem ser somados, mas lidos como lentes complementares sobre o mesmo fenômeno: uma nacional e epidemiológica, outra assistencial e diretamente auditada.



 VOLUME DE INTERNAÇÕES 

Pelo SIVEP-Gripe, que monitora os casos mais graves com confirmação laboratorial, foram 2.198 internações em 2025 e 3.074 em 2026 — crescimento de 40%. Já pela Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, o salto foi de 406 para 1.097 internações, próximo de três vezes.



MORTALIDADE: SURTO MAIS AMPLO, CASOS EM MÉDIA MENOS LETAIS 

Apesar do aumento no volume, a taxa de mortalidade caiu nas duas bases. No SIVEP, de 8,7% para 6,3%. Na Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, de 6,4% para 3,4%. O tempo médio de internação também recuou, de 7,3 para 5,9 dias. No entanto, o uso de ventilação mecânica aumentou de 11,6% para 13,3%, sinalizando que uma parcela significativa dos casos ainda exige recursos intensivos.

 


 

O QUE OS DADOS DIZEM — E O QUE NÃO DIZEM

A queda na mortalidade não indica que o vírus se tornou menos perigoso. O perfil dos casos mais graves permanece presente em ambas as bases. A interpretação mais precisa é: o surto foi mais amplo, com mais casos leves sendo hospitalizados, o que reduz a proporção de óbitos no total.

  

CRIANÇAS E IDOSOS NO CENTRO DO SURTO 

O perfil dos pacientes hospitalizados revela um padrão consistente nas duas bases analisadas: a influenza atinge com mais intensidade os extremos da vida. Nos dados do SIVEP-Gripe, crianças de até 17 anos representaram 47,6% das internações por SRAG em 2026 — a maior proporção registrada no período analisado. Nos hospitais da Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA, esse grupo respondeu por 44,2% das internações relacionadas à doença. 

Entre os idosos, os números de mortalidade são especialmente preocupantes. Segundo o SIVEP-Gripe, a taxa de óbito em 2026 entre pacientes com 80 anos ou mais chegou a 13,4% — ou seja, mais de 1 em cada 8 idosos nessa faixa hospitalizados com SRAG por influenza não sobreviveu. Para a faixa de 70 a 79 anos, a taxa foi de 10,2%.

“A influenza não é uma gripe leve para todos. Para crianças pequenas, idosos e pacientes com comorbidades, ela pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória e necessidade de UTI”, alertam especialistas em doenças infecciosas.

 

QUEM SE INTERNOU MAIS: DISTRIBUIÇÃO POR FAIXA ETÁRIA 

Crianças de até 17 anos representam 44,2% das internações na plataforma assistencial e 47,6% no SIVEP em 2026. Idosos com 70 anos ou mais somam 32% dos casos. A mortalidade segue concentrada nos mais velhos. 

Faixa etária

% Intern. Plat. 2025

% Intern. Plat. 2026

Óbitos SIVEP 2025

Óbitos SIVEP 2026

Risco

29 dias – 17 anos

40,9%

44,2%

1,5%

1,0%

Baixo

18 – 59 anos

23,4%

16,0%

9,5%

8,0%

Moderado

60 – 69 anos

5,9%

7,6%

13,9%

10,2%

Alto

70 – 79 anos

10,6%

10,8%

17,3%

10,2%

Alto

80 anos ou mais

19,2%

21,4%

14,8%

13,4%

Muito alto

 

Mortalidade por faixa etária: SIVEP-Gripe. Distribuição de internações: Plataforma Valor Saúde Brasil.

 

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA (SIVEP-GRIPE) 

O aumento da incidência não foi uniforme. Norte e Nordeste registraram os maiores crescimentos proporcionais. Acre (0,0 7,6), Amapá (0,1 6,4) e Ceará (0,3 5,9) chamam atenção por 100 mil habitantes. 


 

IMPACTO FINANCEIRO 

O custo total mais que dobrou — de R$ 5,4 milhões para R$ 11,8 milhões. O custo médio por internação caiu de R$ 13,3 mil para R$ 10,8 mil, reflexo da menor complexidade média dos casos em 2026.


 

PONTO DE ATENÇÃO

Idosos acima de 80 anos mantêm taxa de mortalidade de 13,4% no SIVEP e 8,9% na plataforma assistencial — ambas significativamente acima de qualquer outra faixa etária. O dado reforça o papel da vacinação e do acesso precoce ao sistema de saúde como estratégias prioritárias para este grupo.

 

NÚMEROS EM PERSPECTIVA

3.074 casos de SRAG por influenza entre janeiro e março de 2026 (SIVEP-Gripe, dado nacional)

+40% de crescimento nos casos graves em relação ao mesmo período de 2025

1.097 internações relacionadas à influenza nos hospitais da Plataforma Valor Saúde Brasil (+170% vs. 2025)

R$ 11,8 milhões em custos assistenciais mensurados (Plataforma Valor Saúde Brasil, 2026)

R$ 33,2 milhões em custo estimado dos casos graves (SIVEP-Gripe, 2026)

22% dos pacientes hospitalizados (Plataforma Valor Saúde Brasil) precisaram de UTI

13,4% de mortalidade entre pacientes com 80 anos ou mais (SIVEP, 2026)

 

Nota metodológica: Análise comparativa jan–mar 2025 e jan–mar 2026. SIVEP-Gripe: casos confirmados de SRAG por Influenza, pacientes com mais de 28 dias de vida, 1.218 unidades monitoradas. Plataforma Valor Saúde Brasil by DRG Brasil + IA: internações com CID J09–J11, J80+J09–J12 e J96+J09–J12. Custos SIVEP estimados. Dados assistenciais refletem predominantemente saúde suplementar (82% em 2026). Sem inferências causais.


Grupo IAG Saúde



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