terça-feira, 26 de maio de 2026

EVALI desafia diagnóstico médico em meio ao avanço do uso de vapes entre jovens no Brasil


No Dia Mundial Sem Tabaco, lembrado no próximo domingo, 31 de maio, a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) reforça o alerta para os riscos do cigarro convencional e, principalmente, do cigarro eletrônico, cujo consumo cresce de forma acelerada no país, sobretudo entre jovens. Além das doenças cardiovasculares, cânceres e danos pulmonares já conhecidos, especialistas chamam atenção para a EVALI, sigla em inglês para lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos, considerada um dos desafios diagnósticos atuais na Patologia pulmonar.

A médica patologista associada da SBP e pesquisadora Dra. Renata Fragomeni destaca que a condição pode passar despercebida nas fases iniciais justamente pela semelhança dos sintomas com infecções respiratórias comuns.

“A lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos, chamada de EVALI, muitas vezes é de difícil diagnóstico, pois os sintomas podem ser inespecíficos, principalmente entre os jovens”, afirma a especialista.

Entre os sintomas estão tosse, falta de ar, dor no peito, febre, mal-estar, perda de peso, além de náuseas, vômitos e, em casos mais graves, hemoptise (tosse com sangue). Segundo a Dra. Renata, o desafio também está na investigação clínica, radiológica e anatomopatológica, já que os padrões inflamatórios encontrados na EVALI podem se sobrepor aos observados em pneumonias e outras infecções pulmonares.

“Não existe um marcador histopatológico único para a EVALI. O diagnóstico depende da correlação entre histórico de uso de cigarros eletrônicos, exames de imagem, exclusão de infecções e análise anatomopatológica do tecido pulmonar”, explica a especialista da SBP.

Uso disseminado - O alerta ocorre em um momento de crescimento expressivo do uso de cigarros eletrônicos no Brasil. Dados recentes do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostram que 5,6% da população brasileira acima de 14 anos utiliza cigarros eletrônicos. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, o índice chega a 8,7%, evidenciando a popularização do dispositivo nessa faixa etária.

A SBP ressalta que, apesar da aparência moderna, dos aromas agradáveis e da falsa percepção de segurança, os cigarros eletrônicos expõem o organismo a substâncias tóxicas e potencialmente cancerígenas, como metais pesados, compostos carbonílicos e produtos químicos gerados pelo aquecimento e pela vaporização dos líquidos inalados. Estudos também apontam a presença de nicotina em altas concentrações e partículas ultrafinas capazes de desencadear inflamação pulmonar e danos celulares.

Além da conscientização sobre os riscos, o Dia Mundial Sem Tabaco também reforça medidas de prevenção e cuidado com a saúde pulmonar, como não fumar, evitar a exposição ao fumo passivo, manter a vacinação em dia, praticar atividade física regularmente e reduzir a exposição a ambientes fechados e poluídos. 


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