quarta-feira, 27 de maio de 2026

A Guerra do Irã e Estados Unidos, as importações na saúde e os problemas da Duimp

Imprevisibilidade, estoques zerados de produtos essenciais, longa demora para liberação de produtos e aumento de custos operacionais


 

O presidente executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Carlos Gouvêa, esteve presente na Hospitalar e declarou, durante um debate, que associações como CBDL, Abimed, Abraidi, entre outras, podem promover uma força-tarefa para buscar soluções em conjunto com a ANVISA até o fim do ano.

 

A guerra entre os Estados Unidos e o Irã certamente vai repercutir em diversos setores da economia, e o segmento de dispositivos médicos não deve sair ileso.

 

No centro dos impactos econômicos do conflito, está o bloqueio ao Estreito de Ormuz, o que inviabiliza o suprimento de petróleo para o mundo, matéria prima da qual são derivados inúmeros insumos para a área de saúde.

 

Durante a última edição da Hospitalar, acontecida em maio, em São Paulo, houve a Jornada Regulatória que reuniu representantes da Anvisa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Ministério da Saúde e de empresas associadas às entidades do setor de produtos para saúde para discutir o ambiente regulatório de dispositivos médicos e diagnóstico.

 

O presidente executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Carlos Gouvêa, esteve presente no encontro e declarou, durante um debate, que associações como CBDL, Abimed, Abraidi, entre outras, podem promover uma força-tarefa em conjunto com a Anvisa para buscar soluções até o fim do ano.

 

“Acabei de voltar de um congresso de dispositivos médicos na Europa e o tema discutido foi o impacto da guerra do Irã. Isso certamente vai nos afetar: matérias-primas essenciais, derivadas do petróleo já vão começar a faltar, devido aos baixos estoques de petróleo no continente europeu. Se a guerra persistir, e considerando as dificuldades atualmente existentes para a liberação de produtos, teremos várias outras consequências que já estão no nosso radar: imprevisibilidade, estoques zerados de produtos essenciais, longa demora para liberação de produtos e aumento de custos operacionais. Por estas e outras razões, temos que buscar soluções urgentes para melhorar, inclusive o tempo de resposta do sistema”, comentou o dirigente.

 

*Duimp* 

Em 2025, a Anvisa divulgou um cronograma de integração das importações ao Novo Processo de Importação (NPI), por intermédio do Portal Único de Comércio Exterior (Pucomex).

 

Essa mudança envolveu o uso da Declaração Única de Importação (Duimp) e do Catálogo de Produtos para bens ou produtos sujeitos ao controle sanitário. Outras mudanças como o início do processo de importação apenas quando chega a carga em seu destino (em alguns poucos casos, alguns dias antes de chegar) e não mais com o início do processo na origem, causaram grandes transtornos e praticamente eliminaram os estoques de segurança com que o mercado contava. Assim, o setor de diagnóstico já convive com escassez de vários produtos essenciais, além do aumento significativo dos custos operacionais.

 

Em casos em que exige importação de produtos, é necessária a anuência da Anvisa e de outros órgãos anuentes, uma vez que a liberação no NPI só será possível se ambos os órgãos estiverem habilitados e com o sistema devidamente ligado para aquela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), caso contrário, o importador deverá seguir o processo tradicional via LI/DI (e que aos poucos será desativado).

 

No dia 25 de maio deste ano, a Anvisa realizou uma reunião emergencial com a Receita Federal e o Ministério do Desenvolvimento para que as Declarações Únicas de Importação (Duimp) de produtos e finalidades sujeitas à anuência da Anvisa tivessem obrigatoriamente que contar com o preenchimento do atributo “Finalidade da importação – Anvisa”. Sem isso, as Duimps sujeitas à anuência da Anvisa são automaticamente direcionadas para canais de conferência (amarelo ou vermelho), o que ocasiona ineficiência no despacho aduaneiro.

 

A gerente da GCPAF da Anvisa, Elisa Boccia, afirmou, durante a Hospitalar 2026, que 50% dos processos de determinados produtos estavam rumando ao canal amarelo por falta do preenchimento do atributo finalidade de importação na declaração.

 

Elisa orientou todo o setor a preencher todos os campos do catálogo de produto, incluindo os não obrigatórios, “não é um tempo de análise, mas principalmente um tempo de armazenagem”, disse, referindo-se ao aumento dos prazos desde a implantação obrigatória da DUIMP.

 

*CBDL*

Criada em 1991, a CBDL - Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial é a principal entidade representativa do Brasil da indústria de diagnóstico in vitro. Tem como missão orientar e apoiar seus associados, promover o intercâmbio e troca de informações, bem como aperfeiçoar os fundamentos técnicos e científicos da área de IVD. Neste sentido, tem trabalhado em conjunto com diversas entidades atuantes no setor de diagnósticos, no Brasil e no exterior.


Tem sido uma importante aliada da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, na discussão e consolidação das normas e regulamentos que hoje regulam o setor de Diagnósticos no Brasil. Por outro lado, participa ativamente em eventos como congressos e feiras, sempre em conjunto com entidades médicas ou sociedades científicas.


Conta hoje com quase uma centena de integrantes, dentre os quais, diversas companhias nacionais e multinacionais, que representam mais de 70% do mercado brasileiro de Diagnóstico In Vitro.



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