FBG destaca diferenças entre intolerância, alergia e doença celíaca e reforça a importância de investigação médica antes de restringir alimentos
Queixas como distensão abdominal, gases, diarreia ou constipação
são frequentemente associadas, de forma automática, a intolerâncias
alimentares. No entanto, especialistas alertam que nem sempre esses sintomas
têm essa origem, e o autodiagnóstico, cada vez mais comum, pode atrasar a
identificação de outras condições, algumas delas mais graves.
De acordo com especialistas da Federação Brasileira de
Gastroenterologia (FBG), é fundamental diferenciar intolerância alimentar de
alergias alimentares, especialmente da alergia à proteína do leite, que costuma
gerar confusão com a intolerância à lactose, já que os mecanismos e a
prevalência são bastante distintos, especialmente na população adulta.
“As intolerâncias são muito mais comuns do que as alergias em
adultos. Um exemplo clássico é a intolerância à lactose, que resulta da
deficiência da enzima lactase e leva a sintomas como gases, distensão abdominal
e diarreia após o consumo de leite e derivados. Já a alergia à proteína do
leite envolve o sistema imunológico, é menos frequente em adultos e pode causar
reações mais graves, como urticária, vômitos e até anafilaxia”, explica a Dra.
Ana Luiza Guedes, gastroenterologista e
hepatologista, membro da FBG.
Outro ponto que gera confusão é a relação com o glúten. Muitas
pessoas associam sintomas digestivos ao consumo dessa proteína e optam por
retirá-la da dieta por conta própria. No entanto, é importante distinguir três
situações diferentes: a doença celíaca, a sensibilidade ao glúten não celíaca e
outras condições que podem simular esses quadros.
“A doença celíaca é uma condição autoimune que exige retirada
total e permanente do glúten, mas o diagnóstico precisa ser feito com o
paciente ainda consumindo a proteína. Retirar o glúten antes da investigação
pode mascarar os resultados e dificultar ou até impedir a confirmação
diagnóstica”, alerta.
Além disso, sintomas frequentemente atribuídos a intolerâncias
podem estar relacionados a distúrbios funcionais intestinais, como a Síndrome
do Intestino Irritável (SII), ou até a doenças orgânicas que exigem
acompanhamento específico. Em muitos desses casos, componentes alimentares
fermentáveis, conhecidos como FODMAPs, podem contribuir para o desconforto, sem
que haja necessariamente uma intolerância isolada.
“A investigação adequada é essencial porque nem todo sintoma
digestivo está ligado a um alimento específico. Restringir a dieta sem
orientação pode levar a deficiências nutricionais e não resolver o problema de
base”, reforça.
O hábito de seguir dietas restritivas com base em informações da
internet também preocupa os especialistas. A exclusão indiscriminada de grupos
alimentares, sem acompanhamento médico ou nutricional, pode trazer mais
prejuízos do que benefícios.
Sinais de alerta
A FBG chama atenção para sinais de alerta que indicam a
necessidade de avaliação médica mais detalhada. Entre eles estão:
- perda de peso involuntária
- anemia
- presença de sangue nas fezes
- diarreia persistente ou noturna
- histórico familiar de doenças intestinais
- início recente dos sintomas após os 50 anos
“Nesses casos, é fundamental descartar doenças mais sérias antes
de atribuir os sintomas a uma intolerância alimentar”, destaca a especialista.
A orientação da entidade é clara: diante de sintomas persistentes,
o primeiro passo deve ser procurar um gastroenterologista. O diagnóstico
correto permite um tratamento mais eficaz, evita restrições desnecessárias e
garante melhor qualidade de vida ao paciente.
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