Médico alerta que fármacos e bariátrica
devem ser vistos como aliados complementares no combate à obesidade crônica e
ao reganho de peso
A popularização dos análogos de GLP-1, como a semaglutida —
princípio ativo do Ozempic, que teve sua patente quebrada no dia 20 de março no
Brasil — transformou o debate sobre a obesidade no país, segundo maior mercado
de cirurgias de redução de estômago do mundo. No entanto, a busca por
resultados rápidos e a falta de informação têm alimentado uma falsa dicotomia:
medicamento versus cirurgia. Embora as chamadas “canetas emagrecedoras” sejam
ferramentas poderosas no arsenal médico, não são uma solução universal. Há
casos em que operar é necessário, afirma o cirurgião bariátrico César De
Fazzio, diretor do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília.
Para o especialista, o foco precisa retornar à saúde
metabólica e à individualização do cuidado para que o paciente observe
melhorias constantes e duradouras, evitando a estagnação e o reganho de peso.
“O medicamento atua em receptores específicos, mas a obesidade é uma doença
multifatorial e crônica. Com o tempo, a perda de peso pode cessar devido à
adaptação do organismo às substâncias desses fármacos. Quando o tratamento
clínico atinge seu limite ou o paciente apresenta intolerância aos efeitos
colaterais, a cirurgia bariátrica pode ser a solução mais efetiva para a redução
de peso sustentada ou remissão de doenças como o diabetes e a hipertensão”,
esclarece.
Desmistificando a bariátrica
Ao contrário do que dita o senso comum, a cirurgia de
redução de estômago não é exclusiva para casos de obesidade extrema. De Fazzio
considera que as diretrizes médicas evoluíram para focar na saúde metabólica.
“Hoje, a indicação leva em conta a presença de doenças associadas, como o
diabetes tipo 2, a hipertensão e a apneia do sono. Em muitos casos, a cirurgia
é recomendada para pacientes com IMC a partir de 30 (obesidade grau I), desde
que haja comorbidades graves que não respondem ao tratamento clínico”, explica.
Outro ponto que afasta muitos pacientes do
consultório é o medo de um pós-operatório doloroso ou de riscos elevados.
Segundo o médico, o emprego da técnica adequada a cada paciente e o uso de
materiais cirúrgicos de alta qualidade elevaram a segurança e deram mais
previsibilidade ao procedimento. “Um dos maiores mitos é que a recuperação é
lenta e sofrida. Com a técnica correta e a utilização de recursos de ponta, o
resultado tende a ser uma redução expressiva da dor no pós-procedimento, menor
risco de infecção e um retorno muito mais rápido às atividades cotidianas.
Muitos pacientes recebem alta em 24 ou 48 horas", pontua o cirurgião.
De Fazzio reforça ainda que o protocolo de cuidados
antes e depois do procedimento é fundamental para o êxito do tratamento. Sob a
coordenação contínua do cirurgião bariátrico, o acompanhamento multidisciplinar
com nutricionista e psicólogo também faz parte do processo de preparação e de
manutenção de bons resultados a longo prazo. “A cirurgia não é um fim, mas um
recomeço. Quando bem indicada e executada, ela oferece o suporte necessário
para que o corpo se reequilibre, mas o sucesso vem da reeducação do paciente.
Orientação é o primeiro passo para que o paciente perca o medo e entenda que a
bariátrica pode ser uma ferramenta de longevidade", conclui.
César De Fazzio - O cirurgião bariátrico César De Fazzio dedica-se à área do aparelho digestivo há mais de 15 anos. Fundador do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília-DF, é referência no tratamento cirúrgico e clínico da obesidade. Com um olhar sistêmico do paciente, o especialista coordena todas as etapas do emagrecimento, integrando medicina, nutrição e psicologia em um acompanhamento multidisciplinar. Sua prática é pautada em evidências científicas, pela ética e pelo uso de tecnologia de ponta com materiais de alta qualidade em intervenções minimamente invasivas, visando resultados de longo prazo. Prioriza a segurança e um atendimento transparente e individualizado.
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