sexta-feira, 17 de abril de 2026

Recidiva do câncer de mama: mitos e verdades que toda mulher precisa conhecer

Especialistas explicam o que muda no risco ao longo do tempo e como a informação qualificada fortalece decisões no tratamento e no acompanhamento

 

Mesmo com avanços no diagnóstico e no tratamento, a recidiva do câncer de mama ainda gera dúvidas e desinformação, fatores que podem influenciar escolhas ao longo da jornada de cuidado. Para apoiar pacientes e ampliar o conhecimento sobre o tema, especialistas reforçam a importância de compreender como o risco de recidiva se comporta, quais sinais exigem atenção e por que o acompanhamento contínuo é decisivo. Mesmo após o tratamento inicial, o câncer de mama pode voltar, especialmente nos primeiros anos após o diagnóstico, período considerado crítico para o acompanhamento e tratamento adjuvante[i]. 

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, o risco de recidiva ainda faz parte da realidade de muitas pacientes[ii]. Estudos indicam que mulheres com câncer de mama inicial de alto risco apresentam entre 20% e 43% de chance de recorrência, enquanto pacientes de baixo risco têm probabilidade entre 5% e 7%[iii]. Para reduzir a desinformação sobre o tema, Gilberto Amorim, Oncologista Clínico da Oncologia D’Or do RJ (CRM 5256783-4 RJ) e o psicólogo e psico-oncologista Caio Vianna esclarecem alguns dos principais mitos e verdades sobre a recidiva do câncer de mama:

 

Após o tratamento inicial, o câncer de mama está definitivamente curado.


Mito: Mesmo após cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, o risco de recidiva pode persistir por anos. Isso ocorre porque células tumorais podem permanecer no organismo de forma silenciosa[iv]. Por isso, o acompanhamento contínuo e, em alguns casos como o câncer de mama luminal, o uso de terapias adjuvantes são ferramentas fundamentais para reduzir o risco de retorno da doença[v].

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O risco de recidiva é diferente para cada paciente.


Verdade: O risco varia significativamente de acordo com fatores clínicos e biológicos, como tamanho do tumor, comprometimento de linfonodos, subtipo molecular e resposta ao tratamento. Esses elementos orientam a definição de estratégias terapêuticas individualizadas[vi]. 

“O entendimento sobre o risco de recidiva permite que a paciente participe ativamente das decisões ao longo da jornada de tratamento, o que impacta diretamente na qualidade do cuidado e nos desfechos clínicos”, afirma Amorim.

 

A recidiva pode acontecer mesmo muitos anos após o tratamento.

Verdade: O retorno do câncer de mama não ocorre apenas no curto prazo. Ele pode surgir meses ou até anos após o tratamento inicial, o que reforça a importância do acompanhamento de longo prazo e da vigilância contínua1.

 

Se não houver sintomas, não há risco de recidiva.

Mito: A recidiva pode não apresentar sintomas em estágios iniciais e ser identificada em exames de rotina, o que reforça a importância do acompanhamento contínuo, mesmo na ausência de sinais aparentes da doença1.

 

Informação sobre o risco de recidiva ajuda na tomada de decisão.

Verdade: Compreender o risco individual permite que mulheres participem de forma mais ativa das decisões sobre seu tratamento e acompanhamento. O acesso à informação qualificada também contribui para reduzir incertezas e melhorar o diálogo com a equipe médica, favorecendo escolhas mais seguras e alinhadas às necessidades de cada paciente1. 

“Falar abertamente sobre a possibilidade de recidiva é um passo importante para reduzir a ansiedade e fortalecer o protagonismo da paciente na jornada de cuidado. Quando bem-informadas, as mulheres estão mais preparadas para discutir opções terapêuticas e buscar acesso ao cuidado adequado”, ressalta Vianna.

 

O impacto emocional da recidiva é menor porque a paciente já passou pelo tratamento uma vez.


Mito: “A possibilidade de recidiva pode gerar ansiedade, medo e insegurança ao longo de toda a jornada, muitas vezes até mais intensos do que no diagnóstico inicial”, explica o psico-oncologista. O temor do retorno da doença pode afetar o bem-estar emocional mesmo após o término do tratamento, reforçando a importância de acompanhamento psicológico com profissional especializado em pacientes oncológicas e de uma abordagem multidisciplinar no cuidado1.

 


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[i] Instituto Oncoguia. Por que o câncer volta? Disponível em: https://www.oncoguia.org.br/conteudo/por-que-o-cancer-volta/17689/697/ Acesso em: 23/02/2026.

[ii] Breast Cancer. Organização Mundial de Saúde. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer Acesso em: 23/02/2026.

[iii] Real-world evidence on risk of recurrence in patients with node negative and node positive HR+/HER2− early breast cancer from US electronic health records. Disponível em: https://www.annalsofoncology.org/article/S0923-7534(24)01752-6/fulltext. Acesso em: 07/11/2024.

[iv] Recaída do Câncer de Mama. Instituto Vencer o Câncer. Disponível em: https://vencerocancer.org.br/cancer/recaida-do-cancer-de-mama/ Acesso em: 30/03/2026.

[v] Conheça as possibilidades de tratamento para o câncer de mama. FEMAMA. Disponível em:

https://femama.org.br/site/noticias-recentes/conheca-as-possibilidades-de-tratamento-para-o-cancer-de-mama/ Acesso em: 30/03/2026.

[vi] Tratamento do Câncer de mama. Instituto Vencer o Câncer. Disponível em:  https://vencerocancer.org.br/cancer/tratamento-do-cancer-de-mama/ Acesso em: 30/03/2026.


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