Especialistas
explicam o que muda no risco ao longo do tempo e como a informação qualificada
fortalece decisões no tratamento e no acompanhamento
Mesmo com avanços no diagnóstico e no tratamento, a recidiva do câncer de mama ainda gera dúvidas e desinformação, fatores que podem influenciar escolhas ao longo da jornada de cuidado. Para apoiar pacientes e ampliar o conhecimento sobre o tema, especialistas reforçam a importância de compreender como o risco de recidiva se comporta, quais sinais exigem atenção e por que o acompanhamento contínuo é decisivo. Mesmo após o tratamento inicial, o câncer de mama pode voltar, especialmente nos primeiros anos após o diagnóstico, período considerado crítico para o acompanhamento e tratamento adjuvante[i].
Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, o risco
de recidiva ainda faz parte da realidade de muitas pacientes[ii]. Estudos indicam que
mulheres com câncer de mama inicial de alto risco apresentam entre 20% e 43% de
chance de recorrência, enquanto pacientes de baixo risco têm probabilidade
entre 5% e 7%[iii]. Para reduzir a desinformação sobre o
tema, Gilberto Amorim, Oncologista Clínico da Oncologia D’Or do RJ (CRM
5256783-4 RJ) e o psicólogo e psico-oncologista Caio Vianna esclarecem alguns
dos principais mitos e verdades sobre a recidiva do câncer de mama:
Após o tratamento inicial, o câncer de mama
está definitivamente curado.
Mito: Mesmo após cirurgia,
quimioterapia ou radioterapia, o risco de recidiva pode persistir por anos.
Isso ocorre porque células tumorais podem permanecer no organismo de forma silenciosa[iv].
Por isso, o acompanhamento contínuo e, em alguns casos como o câncer de mama
luminal, o uso de terapias adjuvantes são ferramentas fundamentais para reduzir
o risco de retorno da doença[v].
.
O risco de recidiva é diferente para cada
paciente.
Verdade: O risco varia significativamente de acordo com fatores clínicos e biológicos, como tamanho do tumor, comprometimento de linfonodos, subtipo molecular e resposta ao tratamento. Esses elementos orientam a definição de estratégias terapêuticas individualizadas[vi].
“O entendimento sobre o risco de recidiva permite que a
paciente participe ativamente das decisões ao longo da jornada de tratamento, o
que impacta diretamente na qualidade do cuidado e nos desfechos clínicos”,
afirma Amorim.
A recidiva pode acontecer mesmo muitos anos
após o tratamento.
Verdade: O retorno do câncer
de mama não ocorre apenas no curto prazo. Ele pode surgir meses ou até anos
após o tratamento inicial, o que reforça a importância do acompanhamento de
longo prazo e da vigilância contínua1.
Se não houver sintomas, não há risco de
recidiva.
Mito: A recidiva pode não
apresentar sintomas em estágios iniciais e ser identificada em exames de
rotina, o que reforça a importância do acompanhamento contínuo, mesmo na
ausência de sinais aparentes da doença1.
Informação sobre o risco de recidiva ajuda na
tomada de decisão.
Verdade: Compreender o risco individual permite que mulheres participem de forma mais ativa das decisões sobre seu tratamento e acompanhamento. O acesso à informação qualificada também contribui para reduzir incertezas e melhorar o diálogo com a equipe médica, favorecendo escolhas mais seguras e alinhadas às necessidades de cada paciente1.
“Falar abertamente sobre a possibilidade de recidiva é um
passo importante para reduzir a ansiedade e fortalecer o protagonismo da
paciente na jornada de cuidado. Quando bem-informadas, as mulheres estão mais
preparadas para discutir opções terapêuticas e buscar acesso ao cuidado
adequado”, ressalta Vianna.
O impacto emocional da recidiva é menor porque a paciente já passou pelo tratamento uma vez.
Mito: “A possibilidade de recidiva pode gerar ansiedade, medo e
insegurança ao longo de toda a jornada, muitas vezes até mais intensos do que
no diagnóstico inicial”, explica o psico-oncologista. O temor do retorno da
doença pode afetar o bem-estar emocional mesmo após o término do tratamento,
reforçando a importância de acompanhamento psicológico com profissional
especializado em pacientes oncológicas e de uma abordagem multidisciplinar no
cuidado1.
Novartis
www.novartis.com
[i] Instituto
Oncoguia. Por que o câncer volta? Disponível em:
https://www.oncoguia.org.br/conteudo/por-que-o-cancer-volta/17689/697/ Acesso
em: 23/02/2026.
[ii] Breast
Cancer. Organização Mundial de Saúde. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer
Acesso em: 23/02/2026.
[iii] Real-world evidence on risk of recurrence in patients
with node negative and node positive HR+/HER2− early breast cancer from US
electronic health records. Disponível em:
https://www.annalsofoncology.org/article/S0923-7534(24)01752-6/fulltext. Acesso
em: 07/11/2024.
[iv] Recaída
do Câncer de Mama. Instituto Vencer o Câncer. Disponível em: https://vencerocancer.org.br/cancer/recaida-do-cancer-de-mama/
Acesso em: 30/03/2026.
[v] Conheça as
possibilidades de tratamento para o câncer de mama. FEMAMA. Disponível em:
https://femama.org.br/site/noticias-recentes/conheca-as-possibilidades-de-tratamento-para-o-cancer-de-mama/
Acesso em: 30/03/2026.
[vi]
Tratamento do Câncer de mama. Instituto Vencer o Câncer. Disponível em: https://vencerocancer.org.br/cancer/tratamento-do-cancer-de-mama/
Acesso em: 30/03/2026.
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