![]() |
| Freepik |
Por muito tempo, intestino e cérebro foram estudados como se
funcionassem de forma independente. Hoje, a ciência mostra que essa relação é
muito mais próxima do que se imaginava. Um estudo recente publicado na revista
Nature1 reforça essa conexão ao indicar que mudanças na microbiota
intestinal – conjunto de microrganismos que vivem no nosso intestino – podem
estar ligadas ao risco de declínio cognitivo ao longo do envelhecimento.
De acordo com o estudo, essas alterações podem aparecer antes
mesmo dos primeiros sinais de perda de memória ou dificuldade de concentração,
o que sugere que o intestino pode funcionar como um alerta precoce sobre a
saúde do cérebro.
A descoberta abre caminho para novas formas de prevenção. A
análise sugere, ainda, que restaurar a comunicação entre intestino e cérebro
pode ajudar a preservar a memória e outras funções cognitivas, especialmente
com o avanço da idade.
Esse entendimento está alinhado a recomendações internacionais.
Diretrizes da Organização Mundial de Gastroenterologia2 mostram que
manter o equilíbrio da microbiota é fundamental para a prevenção de doenças e
para o bom funcionamento de diferentes sistemas do organismo, como o
imunológico.
“A microbiota intestinal é formada por uma comunidade complexa e
dinâmica de microrganismos – incluindo bactérias, vírus, fungos e arqueias –
que desempenham papel essencial não apenas na saúde digestiva, mas no
funcionamento do organismo como um todo. Esse bioma coevolui com o ser humano e
sofre modificações ao longo da vida, tanto em composição quanto em qualidade”,
explica a Dra. Juliana Marques Drigo, médica endoscopista no Sírio-Libanês.
A conexão entre intestino e cérebro, conhecida como eixo intestino-cérebro,
vem sendo investigada há décadas, mas ganhou protagonismo nos últimos anos. O
intestino possui um sistema nervoso próprio, com milhões de neurônios, e mantém
comunicação constante com o sistema nervoso central. Não por acaso, cerca de 90%
da serotonina – neurotransmissor associado ao bem-estar, à regulação de funções
intestinais e à comunicação com o sistema nervoso central– é produzida no
intestino.
“Esse diálogo é contínuo e bidirecional. O intestino responde
rapidamente a estímulos emocionais e também envia sinais ao cérebro,
influenciando funções como motilidade, secreção e até respostas imunológicas”,
explica Juliana.
Mais do que atuar na digestão, o intestino também desempenha um
papel estratégico na imunidade. De acordo com a especialista, o trato
intestinal concentra grande parte do arsenal do sistema imunológico, reunindo
uma parcela significativa das células de defesa do organismo. Nesse ambiente, a
microbiota intestinal atua em forte sinergia com o sistema imune, funcionando
como uma barreira de proteção contra agentes invasores e contribuindo para a
regulação das respostas imunológicas.
“A microbiota saudável ajuda a regular a resposta inflamatória e
impede a proliferação de microrganismos patogênicos, mantendo o equilíbrio do
organismo”, diz a médica.
Contudo, alterações nesse ecossistema nem sempre são evidentes. Além
de sintomas gastrointestinais, como inchaço e mudanças no hábito intestinal,
sinais como fadiga, alterações de humor, dificuldade de concentração e
problemas de pele também podem estar relacionados ao desequilíbrio da
microbiota.
“Os sintomas são muitas vezes inespecíficos e podem envolver
diferentes sistemas do corpo, o que torna o diagnóstico mais desafiador”,
complementa a especialista.
Fatores como alimentação inadequada, consumo excessivo de
ultraprocessados, uso frequente de antibióticos, estresse crônico e privação de
sono estão entre os principais responsáveis por esse desequilíbrio. A
Organização Mundial da Saúde3, inclusive, alerta que o uso
indiscriminado de antibióticos pode comprometer a diversidade de bactérias
benéficas e favorecer a resistência microbiana, considerada um problema de
saúde global.
Hábitos como alimentação rica em fibras, prática regular de
atividade física, sono adequado e controle do estresse contribuem para a
manutenção de uma microbiota saudável.
“A base do cuidado ainda está no estilo de vida. Uma alimentação equilibrada e a redução do estresse são fundamentais para preservar a microbiota e seus efeitos sobre o organismo”, conclui a especialista.
Saiba mais em nosso site: Link

Nenhum comentário:
Postar um comentário