No Brasil, estudo recente mostra que há mais de 600 mil
pessoas com Parkinson, sendo que em torno de 10% dos casos são
registrados em pessoas jovens
A Doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica e progressiva que afeta principalmente o controle dos movimentos, mas que também pode impactar funções cognitivas, emocionais e autonômicas. Descrita pela primeira vez em 1817 pelo médico britânico James Parkinson, a doença segue sendo um dos principais desafios da neurologia moderna, especialmente diante do envelhecimento da população mundial.
A doença ocorre devido à degeneração de neurônios em uma região do cérebro chamada substância negra, responsável pela produção de dopamina. A dopamina é um neurotransmissor essencial para o controle e coordenação dos movimentos. Quando ocorre cerca de 60% de redução dos neurônios dopaminérgicos, os sintomas característicos da doença se tornam evidentes.
Embora seja mais comum após os 60 anos, cerca de 10% dos casos ocorrem antes dos 50, sendo classificados como Parkinson de início jovem. Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas vivam com Parkinson no mundo. No Brasil, os números apontam para cerca de 600 mil pessoas diagnosticadas, embora haja subnotificação.
A prevalência aumenta significativamente com a idade: atinge aproximadamente 1% da população acima dos 60 anos e pode chegar a até 4% entre pessoas com mais de 80 anos. A incidência também cresce com o envelhecimento, tornando a doença uma importante questão de saúde pública.
Tremor em repouso (geralmente unilateral no início), rigidez muscular, lentidão dos movimentos (bradicinesia), alterações no equilíbrio e na postura são considerados dentre dezenas de sintomas, os principais sintomas motores.
Apesar de ser uma doença relacionada ao movimento, o Parkinson também pode causar sintomas não motores entre os quais depressão e ansiedade, distúrbios do sono, constipação intestinal, alterações cognitivas, perda do olfato (anosmia), fadiga e dor crônica que podem prejudicar drasticamente a qualidade de vida das pessoas com Parkinson.
Muitas vezes, os sintomas não motores surgem até 20 anos antes dos sinais motores, o que pode dificultar o diagnóstico precoce.
Embora ainda não exista cura, o tratamento da Doença de Parkinson evoluiu significativamente nas últimas décadas. O objetivo é controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e manter a autonomia do paciente.
Entre as principais
abordagens destaca-se o tratamento medicamentoso que foca na reposição ou
estímulo da dopamina, com medicamentos como a Levodopa, considerada o
padrão-ouro no tratamento. Terapias multidisciplinares que
inclui fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e acompanhamento
psicológico são fundamentais. Em casos selecionados, a cirurgia
de estimulação cerebral profunda (DBS) pode ajudar no controle dos
sintomas motores. É importante ressaltar que o tratamento deve ser
individualizado e acompanhado por equipe especializada.
A Doença de
Parkinson, por si só, não é considerada fatal, apesar de muitos dos pacientes
ressaltarem perda drástica da qualidade de vida. Com diagnóstico precoce,
acompanhamento adequado e acesso ao tratamento, muitos pacientes têm expectativa
de vida próxima à da população geral. No entanto, complicações
associadas, como quedas, infecções respiratórias e declínio
cognitivo podem impactar a evolução da doença. Por isso, o cuidado
contínuo e integrado é essencial.
Apesar de sua relevância, a Doença de Parkinson ainda é cercada por desconhecimento e estigmas. Informar a população é um passo crucial para promover o diagnóstico precoce, garantir acesso ao tratamento e melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença. Mais do que números, o Parkinson representa histórias de superação, adaptação e resiliência. Falar sobre o tema é contribuir para uma sociedade mais consciente, inclusiva e preparada para os desafios do envelhecimento.
Dr. Kleber Duarte - Neurocirurgião: médico neurocirurgião com quase 30 anos de experiência na área de neurocirurgia funcional e dor. Atualmente é coordenador do Serviço de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Tem amplo conhecimento e alta qualificação em técnicas cirúrgicas e de estereotaxia para tratamento de doenças que comprometem o sistema motor e em dores crônicas.
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