sexta-feira, 17 de abril de 2026

Brasil é um dos países com maior incidência de esteatose hepática do mundo

1,3 milhão de pessoas possuem esteatose hepática
 no mundo. Até 2050 podem ser 1,8 milhão de pacientes
  Shutterstock


 

No Dia Mundial do Fígado, 19 de abril, especialistas ressaltam que, enquanto a prevalência mundial da esteatose hepática na população fica próxima de 30%, latino-americanos atingem 44%.

 

A esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado, já atinge cerca de 30% da população mundial e cresce de forma acelerada nas últimas décadas. Na América Latina, o cenário é ainda mais preocupante: a doença alcança aproximadamente 44% das pessoas. O alerta ganha força com a chegada do Dia Mundial do Fígado, data lembrada neste 19 de abril, que em 2026 tem como foco a prevenção por meio de hábitos saudáveis. 

Considerada hoje uma das doenças hepáticas mais comuns no mundo, a esteatose hepática - tecnicamente chamada de MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica) - está diretamente ligada ao estilo de vida moderno, marcado por sedentarismo, má alimentação e aumento da obesidade. 

Estudos internacionais indicam que cerca de 1,3 bilhão de pessoas convivem atualmente com a condição, número que pode chegar a 1,8 bilhão até 2050. Há projeções ainda mais alarmantes: mais da metade da população adulta mundial pode desenvolver a doença até 2040. 

No Brasil, embora não haja um levantamento nacional consolidado recente, o consenso científico aponta que entre 30% e 35% da população adulta tenha gordura no fígado, índice que pode chegar a 40% em grupos de risco, como pessoas com obesidade ou diabetes.

 

Doença silenciosa e ligada ao estilo de vida

A esteatose hepática é caracterizada pelo acúmulo de gordura nas células do fígado. Pequenas quantidades são consideradas normais, mas a partir de 5% já se configura a doença. 

Segundo a hepatologista Dra. Claudia Ivantes, o grande desafio é que a condição costuma evoluir de forma silenciosa. “Na maioria dos casos, a esteatose hepática não apresenta sintomas nas fases iniciais. Quando surgem sinais como cansaço, dor abdominal, inchaço ou até pele amarelada, a doença pode já estar em estágio mais avançado, o que é muito temeroso”, explica. 

Entre os principais fatores de risco estão o diabetes tipo 2, obesidade e sobrepeso. De acordo com o Ministério da Saúde, o excesso de peso está presente em cerca de 60% dos casos.

 

Pode evoluir para cirrose e câncer

Sem diagnóstico e tratamento adequados, a gordura no fígado pode evoluir em aproximadamente 25% dos casos para quadros mais graves. “A progressão da doença acontece em etapas: começa com o acúmulo de gordura, pode evoluir para inflamação, depois fibrose, cirrose e, em alguns casos, câncer de fígado. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental”, alerta a médica. 

A esteatose hepática já é considerada a doença hepática crônica que mais cresce no mundo e, em países como os Estados Unidos, se tornou a principal causa de transplante de fígado. Isso já está ocorrendo no Brasil também.

 

Diagnóstico começa no check-up

Apesar da gravidade, o rastreamento da doença é relativamente simples e acessível. A ultrassonografia abdominal é o exame mais utilizado para confirmar o acúmulo de gordura no fígado. 

Em casos mais específicos, podem ser indicados exames para avaliar de forma não invasiva o grau de fibrose hepática como elastografia hepática transitória. 

“O clínico geral pode iniciar essa investigação durante um check-up de rotina. Se houver alteração, o paciente pode ser encaminhado para um gastroenterologista ou hepatologista”, destaca a Dra. Claudia.

 

Tratamento é baseado em mudança de hábitos e atualmente, medicação

Diferente do que muitos imaginam, o tratamento da esteatose hepática não depende unicamente de medicamentos. “A base do tratamento é a mudança de estilo de vida. Alimentação equilibrada, perda de peso e prática regular de atividade física são as medidas mais eficazes e, muitas vezes, suficientes para reverter o quadro”, afirma. 

Medicamentos podem ser utilizados em situações específicas, mas não são considerados a principal estratégia terapêutica. Em casos associados à obesidade grave, a cirurgia bariátrica pode ser indicada. 

Conforme o Dr. Eduardo Ramos, que é especialista em cirurgia de fígado, nos estágios mais avançados, quando há cirrose ou falência hepática, o transplante de fígado pode se tornar necessário. “No entanto, esse é o cenário extremo. A grande maioria dos casos pode ser controlada e até revertida com diagnóstico precoce, mudança de hábitos e uso de medicação”, reforça o especialista. 

Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos indicam que o Brasil realizou 2.365 transplantes hepáticos em 2023. É um número recorde, mas ainda insuficiente para atender à demanda.

 

Diagnóstico ainda é baixo

Apesar da alta prevalência, o diagnóstico da esteatose hepática ainda é limitado. Pesquisas apontam que apenas uma pequena parcela da população sabe que tem a doença. Nem sabe que precisa rastreá-la e como fazer isso. Isso preocupa especialistas, já que a condição pode evoluir por anos sem que o paciente perceba. 

“Existe um grande desconhecimento da população. Muitas pessoas só descobrem quando a doença já está avançada. Por isso, campanhas como o Dia Mundial do Fígado são fundamentais”, diz a Dra. Claudia.

 

Dia Mundial do Fígado reforça prevenção

Lembrado no dia 19 de abril, o Dia Mundial do Fígado tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da saúde hepática. Em 2026, a campanha internacional destaca o tema “Hábitos saudáveis, fígado saudável”, reforçando que escolhas diárias, como alimentação equilibrada, prática de exercícios e redução do consumo de álcool, têm impacto direto na saúde do órgão. 

A mobilização é apoiada por sociedades científicas em todo o mundo, incluindo a Sociedade Brasileira de Hepatologia, e busca frear o avanço de doenças como a esteatose hepática, cirrose e hepatites. A esteatose tem se tornado um dos principais desafios de saúde pública na atualidade.

 

Tratamento da esteatose hepática 

O Dr. Eduardo Ramos é cirurgião de fígado, pâncreas e vias biliares e especialista em transplantes. Dra Claudia Ivantes é médica hepatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Possuem um serviço completo de diagnóstico e tratamento das doenças do sistema digestivo no CIGHEP (Centro de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital Nossa Senhora das Graças) Saiba mais pelo site ou pelas redes sociais do Dr. Eduardo.


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