Colocado em prática pelos Institutos Pró-Vítima e “Paulo Kobayashi”, “Defenda-se” também ofereceu, de graça, em 2025, atendimento psicológico, sessões de Fisioterapia para reabilitação física, e orientação jurídica a vítimas de violência doméstica
Num País que bateu recorde em número de feminicídios em 2025, com
1.470 mortes, saber se desvencilhar de agressores pode salvar vidas. Com este
intuito, o projeto “Defenda-se” atendeu 1.130 mulheres em São Paulo-SP - somente
no ano passado. Colocada em prática pelo Instituto Brasileiro de Atenção e
Proteção Integral às Vítimas (Pró-Vítima) e pelo Instituto “Paulo Kobayashi”, a
iniciativa, voltada à proteção feminina, empoderou mulheres por meio de
técnicas de autodefesa, conhecimentos sobre direitos, acolhimento psicológico e
reabilitação àquelas que sofreram algum tipo de violência.
Com meta inicial de atender 640 mulheres, entre abril e dezembro
de 2025, o programa superou a marca em 76% e fechou o ano com 1.130 atendimentos.
Para aprender Defesa Pessoal, foram 279 as inscritas. As aulas foram
ministradas, de graça, no 2º andar do Centro Educacional “Dom Orione” (rua
Treze de Maio, 478 - Bela Vista, São Paulo), capitaneadas pela mestre em
Taekwondo Débora Lima.
De acordo com a presidente do Pró-Vítima, a promotora de Justiça do
Ministério Público (MP) de São Paulo Celeste Leite dos Santos, o curso
compartilhou técnicas de autodefesa que podem ser utilizadas em diversas
situações, não somente em casos de violência doméstica, mas, também, face à
proteção à violência urbana, como assaltos, tentativas de estupro e sequestros.
Além disso, as aulas tiveram o objetivo de restabelecer a autoconfiança do
público feminina:
“Com altos índices de feminicídios e de agressões envolvendo
parceiros e ex-companheiros, a autoproteção é ferramenta muito importante para
a mulher. Saber como se defender e sair de uma situação de risco pode ser
determinante para a sobrevivência”, analisa Celeste, que é doutora em Direito
Civil e Mestre em Direito Penal.
Direitos e acolhimento
De forma integrada, ao longo de 2025, o “Defenda-se” também
disponibilizou outras modalidades de atendimento. Na área jurídica, 442
mulheres recorreram a orientações. Sessões com psicólogo alcançaram 143
inscritas, mesmo número que frequentou aulas de alongamento. Na Fisioterapia,
foram 39 os acolhimentos.
O levantamento do programa aponta, ainda, 67 participantes em ações de cunho operacional. Outras 673 capacitações jurídicas, divididas em duas oficinas virtuais e um seminário na modalidade híbrida, também integram o roll de atividades do projeto em 2025. Para completar, o “Defenda-se” participou de 17 eventos relacionados aos Direitos das Mulheres no Brasil e em outras partes do mundo.
Os números, como enfatiza a presidente do Pró-Vítima, sinalizam
que a missão foi cumprida:
“A parceria do Pró-Vítima com o Instituto ‘Paulo Kobayashi’ foi
imprescindível para a execução do ‘Defenda-se’. Os atendimentos superaram as
expectativas. O projeto atingiu seu objetivo ao acolher mulheres, de todas as
idades, ofertando acesso gratuito aos seus direitos, e tudo de forma humanizada
e com profissionais de alto nível”, avalia a promotora de Justiça do MP-SP.
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