Artigo derivado da pesquisa foi publicado em revista científica internacional
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) identificou uma piora na qualidade da água do Rio Camboriú e da baía próxima ao longo das últimas duas décadas. Os resultados foram publicados, recentemente, em um artigo científico disponibilizado pela Regional Studies in Marine Science, revista mantida pela editora internacional Elsevier.
A pesquisa teve origem em um trabalho de conclusão do curso de Oceanografia da Univali. O artigo, intitulado “Fatores hidrodinâmicos que influenciam o transporte de nutrientes e a qualidade da água em um sistema costeiro estuário-baía: uma evolução temporal”, tem como autora principal a egressa Júlia Abrão Teixeira, responsável pelas análises. Também assinam o trabalho, como coautores, os professores Mauro Michelena Andrade e Jurandir Pereira Filho, além do egresso do curso Ricardo Utzig Nardi.
Coordenador do projeto, o
professor Mauro Michelena Andrade destaca que a revista possui reconhecimento
internacional e critérios rigorosos para seleção de trabalhos científicos.
Segundo o docente, a publicação amplia o alcance dos resultados da pesquisa. “A
divulgação em uma revista internacional permite que o estudo seja consultado
por estudantes, cientistas e demais interessados em diferentes países,
contribuindo para a literatura científica e para novas pesquisas sobre o tema”,
afirma.
O que revelou a pesquisa
O estudo avaliou processos hidrodinâmicos no estuário do Rio Camboriú, região em que a água doce do rio se mistura com a água salgada do mar, e seus efeitos na dinâmica de nutrientes e na qualidade da água na baía adjacente.
Para isso, foram coletadas amostras de água da superfície e do fundo, com o objetivo de medir concentrações de nutrientes, clorofila-a, carbono orgânico particulado (COP), material particulado em suspensão (MPS) e coliformes. As análises também consideraram variáveis ambientais como vazão do Rio Camboriú, nível do mar, salinidade, temperatura, turbidez e oxigênio dissolvido.
A pesquisa comparou amostras
coletadas em 1999 e 2020 com uma nova campanha realizada em 2022. Todas as
coletas ocorreram durante maré de sizígia, período em que a diferença entre
marés altas e baixas é mais acentuada e os fluxos de água são mais intensos. A
condição é considerada a mais adequada para o monitoramento das dinâmicas
costeiras.
Resultados indicam
degradação ambiental
Os dados mais recentes, de 2022, indicaram altas concentrações de nutrientes, matéria orgânica e coliformes, principalmente durante a maré baixa. Segundo os pesquisadores, esse resultado pode estar associado ao lançamento de efluentes não tratados ou parcialmente tratados no sistema estuarino.
Também foram registrados episódios severos de baixa concentração de oxigênio na água, condição que pode indicar processos de eutrofização e degradação da qualidade ambiental, segundo os especialistas.
De acordo com Júlia Abrão Teixeira, responsável pelas análises, a eutrofização ocorre quando há excesso de nutrientes no ambiente aquático. “Esse processo pode provocar impactos significativos, como a morte de espécies nativas e a proliferação de algas e cianobactérias, algumas delas capazes de produzir substâncias prejudiciais à saúde”, explica.
A comparação entre os dados
coletados ao longo do período analisado indicou aumento nas concentrações de
nutrientes e piora na qualidade da água entre 1999 e 2022, evidenciando um
processo de degradação ambiental progressiva no estuário do Rio Camboriú e na baía
próxima de sua foz.
Monitoramento ao
longo de décadas
Parte dos dados utilizados no estudo teve origem em pesquisas anteriores realizadas por cientistas da própria Univali, incluindo o professor Jurandir Pereira Filho, que também assina o artigo como coautor.
Segundo Michelena, as campanhas de coleta exigiram monitoramento contínuo das condições da água. “Nos anos de 1999, 2020 e 2022, as coletas exigiram dos cientistas 25 horas seguidas de acompanhamento das variações ambientais e hidrodinâmicas”, explica.
O artigo completo está disponível gratuitamente na plataforma Science Direct sob o título “Hydrodynamic drivers of nutrient transport and water quality in a coastal estuary–bay system: A temporal Evolution”.
A pesquisa de 2022 contou com
apoio da Marina Tedesco e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e
Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), por meio do edital 2021TR001722.

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