terça-feira, 3 de março de 2026

Por que tosses, resfriados e crises respiratórias não tiram férias

Mudanças de comportamento no verão ajudam a explicar o aumento dos casos

 

Quando se fala em infecções respiratórias, muita gente associa automaticamente ao frio. Mas o que pouca gente percebe é que o verão também registra aumento significativo de gripes, resfriados, crises alérgicas e infecções das vias aéreas, especialmente em grandes cidades e períodos de férias. 

Segundo o Dr. Armindo Matheus, diretor médico da Nova Saúde, o calor muda os hábitos e cria um ambiente favorável para a circulação de vírus e bactérias. “No verão, as pessoas ficam mais tempo em locais fechados com ar-condicionado, mudam a rotina de sono e alimentação e viajam mais. Tudo isso interfere na imunidade e na saúde respiratória”, explica.

 

Ar-condicionado é vilão silencioso

Um dos principais fatores está no uso contínuo do ar-condicionado, comum em escritórios, shoppings, academias, transportes e até em casa. Ambientes refrigerados, com pouca circulação de ar e manutenção inadequada dos aparelhos favorecem a propagação de vírus e ressecam as vias respiratórias. 

“O ar seco irrita a mucosa do nariz e da garganta, reduz a defesa natural do organismo e facilita infecções. Além disso, o choque térmico constante entre calor externo e ambiente frio sobrecarrega o sistema respiratório”, afirma o médico.

 

Viagens, aglomerações e mais exposição a vírus

Inclusive durante as férias, viagens e eventos em que aumentam a circulação de pessoas em aeroportos, rodoviárias, hotéis e locais fechados. Esse movimento facilita a transmissão de vírus respiratórios, mesmo fora do inverno. 

“Muita gente associa viagem a descanso, mas o corpo enfrenta mudança de clima, fuso, alimentação irregular e noites mal dormidas. Isso reduz a imunidade e abre espaço para infecções”, explica o especialista.

 

Crianças e idosos sentem mais

Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas costumam ser os mais afetados. Tosse persistente, coriza, dor de garganta, chiado no peito e cansaço podem surgir ou se agravar durante o verão. 

“No caso das crianças, o contato próximo em ambientes fechados e a dificuldade de perceber os primeiros sintomas fazem com que as infecções avancem rápido. Já os idosos têm menor reserva imunológica”, alerta o médico.

 

Sintomas leves também merecem atenção

Um erro comum é minimizar os sintomas por não estarmos no inverno. Segundo o Dr. Armindo, essa postura pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. 

“Muita gente acha que é só um resfriado ou alergia ao calor e segue a rotina normalmente. Quando não há melhora em poucos dias ou surgem febre, falta de ar ou piora do quadro, é importante procurar orientação médica”, orienta.

 

Prevenção também é atitude de verão

Manter a hidratação, higienizar as mãos, evitar ambientes fechados por longos períodos, cuidar da limpeza do ar-condicionado e respeitar o descanso são medidas simples que ajudam a reduzir o risco. 

“O verão não elimina os vírus respiratórios. Pelo contrário, ele muda a forma como eles circulam. Informação e prevenção fazem toda a diferença”, conclui o Dr. Armindo Matheus, diretor médico da Nova Saúde.


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