Campanha da OMS deste ano reforça que a atenção à
saúde auditiva desde a infância faz toda a diferença. Especialistas apontam
sinais, riscos e cuidados simples que podem evitar perdas irreversíveis.
No
dia 3 de março, celebra-se o Dia Mundial da Audição, campanha anual promovida
pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a população sobre a
importância da saúde auditiva. A campanha de 2026 traz o tema “From
communities to classrooms: hearing care for all children”, destacando que o
cuidado com a audição deve começar na infância e acompanhar a criança até a
escola, período crucial para o desenvolvimento da linguagem e do aprendizado.
A
perda auditiva é progressiva e muitas vezes silenciosa, mas também prevenível
quando medidas simples são adotadas no dia a dia. A Dra. Maura Neves médica
otorrinolaringologista, doutora pela USP, reforça o alerta: “Perdas auditivas
são irreversíveis, mas grande parte dos casos pode ser evitada com atitudes
simples desde cedo, em casa, na escola e no trabalho."
Entre os principais cuidados estão:
-Evitar
exposição prolongada a ruídos intensos
-Usar
protetor auricular quando necessário (EPI)
-Ajustar
volume de fones a no máximo 50% da capacidade do aparelho
-Procurar
atendimento médico diante de infecções de ouvido
-Não
inserir cotonetes ou objetos no canal auditivo
“Muitas
pessoas só percebem a perda quando começam a aumentar demais o volume da
televisão ou têm dificuldade de entender conversas, sinal de que pode já haver
dano auditivo estabelecido”, destaca a especialista.
Para
Dra. Roberta Pilla Otorrinolaringologista membro da Associação Brasileira de
Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) a atenção à audição
das crianças deve ser ainda mais cuidadosa: “O tratamento e a identificação
precoce de alterações auditivas na infância podem significar a diferença entre
um desenvolvimento normal da fala, da linguagem e do desempenho escolar ou um
atraso significativo.”
Sinais sutis
podem indicar alterações auditivas:
a criança pode não responder ao ser chamada, apresentar irritabilidade, isolamento
ou aumentar o volume da TV sem razão aparente.
Atraso na
fala: pode ser um sinal precoce de
que a audição não está adequada.
“O
impacto da perda auditiva na infância vai muito além da simples dificuldade de
ouvir. Afeta a linguagem, a comunicação, o raciocínio e pode comprometer a
autoestima e a interação social da criança”, reforça.
Dra.
Roberta ainda destaca que os testes auditivos neonatais, como o teste da
orelhinha, realizados ainda na maternidade, são essenciais: “Quando há qualquer
sinal de alteração, é fundamental realizar exames complementares rapidamente. O
diagnóstico precoce é a melhor forma de garantir intervenções eficazes.”
Ela
também chama a atenção para o hábito crescente de uso de fones de ouvido em
crianças e adolescentes, muitas vezes em volumes altos por longos períodos. “A
exposição repetida e contínua ao som em volumes inadequados pode causar danos
cumulativos que só se manifestam tardiamente, por isso, educação e vigilância
parental fazem toda a diferença.”
O que significa
perda auditiva?
Uma pessoa com
audição normal capta sons abaixo de 25 decibéis. A partir desse nível, a perda
auditiva é classificada em estágios:
-Leve: percepção acima de 30 decibéis
-Moderada: acima de 50 decibéis
-Severa: acima de 80 decibéis
-Profunda: acima de 100 decibéis
Segundo as especialistas, qualquer pessoa pode ser exposta ao risco de perda auditiva ao longo da vida, seja por ruído excessivo, infecções de repetição, envelhecimento ou fatores genéticos.
Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz Distúrbios da Deglutição;Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016) . Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022). 2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. 2021- 2022: Secretaria Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP/São Paulo). Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica dos Hospitais do Grupo Maternidade Santa , oana e Pró-Matre (SP/ São Paulo), Médica do Grupo de Otorrinolaringologia do CDB Diagnósticos, Médica Otorrinolaringologista do Hospital Moriah (SP/São Paulo), Médica Otorrinolaringologista do Ambulatório da Rede Record de Televisão (SP/ São Paulo)
Dra. Maura Neves – Otorrinolaringologista. Formação: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Residência médica em Otorrinolaringologia no Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasal no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Título de especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF. Doutorado pelo Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP
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