terça-feira, 24 de março de 2026

Medicamentos para perda de peso podem impactar preparo anestésico, estado nutricional e recuperação cirúrgica, exigindo avaliação médica criteriosa 

 

O avanço de medicamentos utilizados para perda de peso, como o Mounjaro (tirzepatida), tem mudado o perfil de pacientes que chegam aos consultórios de cirurgia plástica. Embora esses fármacos representem um importante recurso no tratamento da obesidade e no controle metabólico, especialistas alertam que o uso exige atenção redobrada quando há planejamento de procedimentos cirúrgicos. 

De acordo com o cirurgião plástico Dr. Gerson Julio, com mais de 30 anos de carreira e mais de 9 mil cirurgias realizadas, a principal preocupação envolve os efeitos do medicamento no metabolismo e no sistema gastrointestinal. “Medicamentos como o Mounjaro atuam diretamente no organismo, retardando o esvaziamento do estômago e promovendo perda de peso significativa. No contexto cirúrgico, isso pode interferir tanto na segurança anestésica quanto na avaliação do estado nutricional do paciente”, explica.  

Segundo o especialista, antes de qualquer cirurgia plástica, é essencial garantir que o organismo esteja em condições adequadas para enfrentar o procedimento e passar por uma recuperação saudável. Dados da consultoria IQVIA apontam que a procura global por medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, grupo ao qual pertence a tirzepatida, cresceu de forma acelerada nos últimos anos. Esse movimento tem impacto direto também na cirurgia plástica, já que muitos pacientes recorrem aos procedimentos para tratar flacidez de pele e redefinir o contorno corporal após a perda de peso. 

Um dos principais pontos de atenção está relacionado ao estado nutricional do paciente. Como o medicamento reduz o apetite e pode levar a um emagrecimento mais rápido, alguns indivíduos podem apresentar deficiências de nutrientes essenciais para o processo de cicatrização. “Quando a perda de peso acontece de forma acelerada, pode haver impacto na qualidade da pele, na massa muscular e no equilíbrio nutricional. Esses fatores são fundamentais para uma boa recuperação pós-operatória”, afirma o Dr. Gerson. 

Por esse motivo, exames laboratoriais e avaliação clínica detalhada tornam-se ainda mais importantes antes da indicação de qualquer cirurgia. Hemograma completo, análise de proteínas, vitaminas e avaliação metabólica costumam fazer parte desse processo de preparo cirúrgico. 

Outro fator que exige atenção é o efeito do medicamento no esvaziamento gástrico. Mesmo após o período tradicional de jejum pré-operatório, o estômago pode ainda conter resíduos alimentares. “Esse atraso no esvaziamento gástrico pode aumentar o risco de aspiração durante a anestesia, que é uma complicação potencialmente grave. Por isso, a equipe anestésica precisa ser informada sobre o uso do medicamento para adotar protocolos de segurança adequados”, explica o cirurgião. 

O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” deve ser suspenso por um período de 15 a 21 dias antes de qualquer cirurgia plástica. Com o aumento do uso desses medicamentos, os consultórios têm recebido um novo perfil de pacientes. “Observamos cada vez mais pessoas que perderam peso rapidamente e buscam a cirurgia plástica para tratar a flacidez da pele ou aprimorar o contorno corporal. Isso exige uma avaliação ainda mais criteriosa e individualizada”, explica o Dr. Gerson. Nesses casos, além da estabilidade do peso, fatores como a qualidade da pele, o grau de flacidez e o estado nutricional tornam-se determinantes para definir o momento ideal de realizar o procedimento. 

Para o especialista, um dos erros mais comuns é o paciente não informar o uso do medicamento durante a consulta. “Muitos acreditam que, por se tratar de um remédio para emagrecimento, ele não interfere no contexto cirúrgico. Na realidade, pode impactar diretamente na anestesia, na avaliação nutricional e no planejamento da cirurgia”, alerta. 

Por isso, a recomendação é que o uso do medicamento seja informado desde a primeira consulta médica. “A cirurgia plástica exige planejamento. O mais importante é garantir que o paciente esteja saudável, com peso relativamente estável e com o organismo preparado para o procedimento. Segurança sempre deve vir em primeiro lugar”, finaliza o especialista.

 

Dr. Gerson Julio - Com mais de 30 anos de experiência e mais de 9 mil cirurgias realizadas, o Dr. Gerson Julio é um dos grandes nomes da cirurgia plástica estética no Brasil. Com Graduação em Medicina pela Unicamp, além de residência e mestrado pela mesma universidade, Gerson é referência por sua precisão técnica e abordagem humanizada em procedimentos corporais e faciais. Visionário, trouxe para seu consultório práticas norte-americanas inovadoras, como o protocolo Recovery Express, e foi pioneiro no uso do fio PTS no abdômen, eliminando a necessidade de drenos há mais de duas décadas.


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