Levantamento recente revela que cuidado com a pele ainda é negligenciado no Brasil
Apesar de a pele ser o maior órgão do corpo
humano e atuar como a principal barreira de proteção contra agentes externos, o
cuidado dermatológico ainda está longe de fazer parte da rotina da maioria dos
brasileiros. Um levantamento do Dossiê Brasil à Flor da Pele, realizado pela
L’Oréal em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), revelou
que mais da metade da população nunca passou por uma consulta com um
dermatologista, acendendo um alerta para a importância da prevenção, do
diagnóstico precoce e do cuidado contínuo com a saúde da pele, dos cabelos e
das unhas.
Para a Dra. Lorena Mesquita, professora de
pós-graduação em Dermatologia da Afya Ribeirão Preto, a baixa procura pela
especialidade está ligada à percepção equivocada de que o profissional
atua apenas na estética. “Existe uma ideia equivocada de que o dermatologista é
um médico voltado exclusivamente para a estética, quando, na realidade, ele
atua na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de doenças que podem impactar
seriamente a saúde e a qualidade de vida”, explica. Segundo a médica, a
estética é apenas um dos pilares da área, que abrange mais de três mil doenças
da pele, cabelos e unhas e pode contribuir para o diagnóstico precoce de
condições sistêmicas.
Nesse contexto, a especialista alerta que
problemas aparentemente simples não devem ser subestimados. Condições comuns
como acne persistente, manchas, coceiras frequentes, queda de cabelo e alterações
nas unhas costumam ser negligenciadas ou tratadas de forma inadequada, o que
pode atrasar o início do tratamento correto e favorecer complicações. “A pele
dá sinais o tempo todo, e ignorá-los ou recorrer apenas à automedicação pode
mascarar doenças inflamatórias, infecciosas ou até câncer de pele”, alerta a
dermatologista.
Dra. Lorena enfatiza, ainda, que a
automedicação, o uso de receitas caseiras ou de produtos indicados por
terceiros podem aliviar sintomas de forma temporária, mas também retardam
diagnósticos importantes. Acne persistente, por exemplo, pode evoluir para
cicatrizes permanentes; manchas podem estar associadas a alterações hormonais
ou inflamatórias; e a queda de cabelo pode refletir doenças internas.
Para a médica da Afya, a pele funciona como
um verdadeiro espelho da saúde do organismo, e sinais como vermelhidão
persistente, lesões que não cicatrizam, pintas que mudam de cor ou formato e
coceiras crônicas devem ser encarados como alertas. “Quanto mais cedo o
paciente busca avaliação especializada, maiores são as chances de um tratamento
eficaz e de evitar complicações. O diagnóstico precoce salva a pele, preserva a
qualidade de vida e, em alguns casos, salva vidas”, destaca.
10
motivos para ir com mais frequência ao dermatologista
A médica elenca alguns dos principais motivos
que reforçam a importância de consultas regulares com o dermatologista:
- Manchas novas ou mudanças em
pintas, especialmente se crescerem, mudarem de cor ou formato;
- Acne persistente, principalmente
quando não melhora com cuidados básicos;
- Queda de cabelo intensa e
repentina;
- Coceiras, vermelhidão ou
descamação frequentes;
- Alterações nas unhas, como
manchas, deformidades ou enfraquecimento;
- Exposição solar excessiva,
histórico familiar de câncer de pele ou pele muito clara;
- Avaliação preventiva anual,
mesmo na ausência de sintomas aparentes;
- Feridas que não cicatrizam ou
lesões que sangram com facilidade;
- Mudanças na textura da pele,
como áreas endurecidas com nodulações ou abaulamentos;
- Alterações de sensibilidade da
pele e ou manchas esbranquiçadas associadas
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