quinta-feira, 12 de março de 2026

Carnaval de Rua de SP teve 3,4 mil atendimentos médicos; náusea, mal-estar e ansiedade lideram ocorrências

Levantamento mostra que sintomas ligados ao calor, esforço físico e consumo de álcool concentraram a maior parte dos casos durante a folia



Náuseas, mal-estar e crises de ansiedade foram os principais motivos de atendimento médico durante o Carnaval de Rua de São Paulo em 2026. Levantamento realizado pela SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina aponta que esses sintomas lideraram as ocorrências registradas nos postos de atendimento médico instalados ao longo da festa, que reuniu cerca de 16,5 milhões de foliões na capital paulista.

Ao todo, foram realizados 3.464 atendimentos médicos durante o período do evento. Entre os diagnósticos mais frequentes, náuseas e vômitos responderam por 21,56% das ocorrências, seguidos por mal-estar geral (9,58%) e crises de ansiedade (8,27%), refletindo principalmente efeitos do calor, da desidratação, do esforço físico prolongado e do consumo de bebidas alcoólicas.

Outros quadros comuns foram ferimentos e cortes (7,09%), intoxicações exógenas (5,46%), além de casos associados ao uso de álcool (4,69%), indicando que fatores comportamentais e ambientais têm impacto direto na demanda por atendimento médico em grandes eventos de massa.

De acordo com o relatório técnico, a maior parte dos atendimentos foi classificada como de baixa gravidade. Cerca de 62,9% dos casos receberam classificação de risco verde, o que indica condições clínicas leves, enquanto apenas uma pequena parcela exigiu maior atenção médica.

O levantamento também mostra que os casos clínicos representaram 86,87% das ocorrências, enquanto 13,13% foram relacionados a traumas, como quedas, contusões e pequenos acidentes durante os deslocamentos entre blocos e áreas de concentração de público.

A combinação de altas temperaturas, longos períodos de permanência nas ruas, consumo de álcool e uso ocasional de outras substâncias é apontada pelos profissionais de saúde como um dos principais fatores associados aos sintomas mais recorrentes. Episódios de náusea, tontura, queda de pressão e ansiedade tendem a ocorrer com maior frequência em ambientes de grande aglomeração e intensa atividade física.

“O Carnaval de rua reúne milhões de pessoas em ambientes de grande exposição ao calor, com longos períodos em pé, intensa atividade física e, muitas vezes, consumo elevado de álcool. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que sintomas como náuseas, mal-estar e ansiedade aparecem com tanta frequência nos atendimentos médicos”, afirma o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, presidente da SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina.

Responsável pela estrutura de assistência médica do evento, a SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina coordenou a operação de saúde do Carnaval de Rua da cidade de São Paulo, incluindo planejamento, implantação e funcionamento dos postos médicos e ambulâncias distribuídos nas regiões com maior concentração de blocos.

Ao longo do evento, equipes multiprofissionais atuaram nos postos instalados em diferentes pontos da cidade, realizando triagem, atendimento clínico e estabilização de pacientes. A estratégia priorizou a resolutividade no próprio local, evitando sobrecarga da rede hospitalar e garantindo resposta rápida às demandas de saúde durante os dias de folia.

Segundo o relatório final da operação, a estrutura montada permitiu atendimento ágil e seguro aos foliões, além de gerar um banco de dados detalhado sobre o perfil das ocorrências médicas no Carnaval paulistano — informações que ajudam a orientar o planejamento de futuras edições da festa e de outras grandes concentrações públicas na cidade.

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