Levantamento mostra que sintomas ligados ao calor, esforço físico e consumo de álcool concentraram a maior parte dos casos durante a folia
Náuseas, mal-estar e crises de ansiedade foram os principais motivos de atendimento
médico durante o Carnaval de Rua de São Paulo em 2026. Levantamento realizado
pela SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina aponta que
esses sintomas lideraram as ocorrências registradas nos postos de atendimento
médico instalados ao longo da festa, que reuniu cerca de 16,5 milhões de
foliões na capital paulista.
Ao todo, foram
realizados 3.464 atendimentos médicos durante o período do evento. Entre os diagnósticos
mais frequentes, náuseas e vômitos responderam por 21,56% das ocorrências,
seguidos por mal-estar geral (9,58%) e crises de ansiedade (8,27%), refletindo
principalmente efeitos do calor, da desidratação, do esforço físico prolongado
e do consumo de bebidas alcoólicas.
Outros quadros
comuns foram ferimentos e cortes (7,09%), intoxicações exógenas (5,46%), além
de casos associados ao uso de álcool (4,69%), indicando que fatores
comportamentais e ambientais têm impacto direto na demanda por atendimento
médico em grandes eventos de massa.
De acordo com o
relatório técnico, a maior parte dos atendimentos foi classificada como de
baixa gravidade. Cerca de 62,9% dos casos receberam classificação de risco
verde, o que indica condições clínicas leves, enquanto apenas uma pequena
parcela exigiu maior atenção médica.
O levantamento também
mostra que os casos clínicos representaram 86,87% das ocorrências, enquanto
13,13% foram relacionados a traumas, como quedas, contusões e pequenos
acidentes durante os deslocamentos entre blocos e áreas de concentração de
público.
A combinação de
altas temperaturas, longos períodos de permanência nas ruas, consumo de álcool
e uso ocasional de outras substâncias é apontada pelos profissionais de saúde
como um dos principais fatores associados aos sintomas mais recorrentes.
Episódios de náusea, tontura, queda de pressão e ansiedade tendem a ocorrer com
maior frequência em ambientes de grande aglomeração e intensa atividade física.
“O Carnaval de rua
reúne milhões de pessoas em ambientes de grande exposição ao calor, com longos
períodos em pé, intensa atividade física e, muitas vezes, consumo elevado de
álcool. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que sintomas como
náuseas, mal-estar e ansiedade aparecem com tanta frequência nos atendimentos
médicos”, afirma o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, presidente da SPDM –
Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina.
Responsável pela
estrutura de assistência médica do evento, a SPDM – Associação Paulista para o
Desenvolvimento da Medicina coordenou a operação de saúde do Carnaval de Rua da
cidade de São Paulo, incluindo planejamento, implantação e funcionamento dos
postos médicos e ambulâncias distribuídos nas regiões com maior concentração de
blocos.
Ao longo do
evento, equipes multiprofissionais atuaram nos postos instalados em diferentes
pontos da cidade, realizando triagem, atendimento clínico e estabilização de
pacientes. A estratégia priorizou a resolutividade no próprio local, evitando
sobrecarga da rede hospitalar e garantindo resposta rápida às demandas de saúde
durante os dias de folia.
Segundo o relatório final da operação, a estrutura montada permitiu
atendimento ágil e seguro aos foliões, além de gerar um banco de dados
detalhado sobre o perfil das ocorrências médicas no Carnaval paulistano —
informações que ajudam a orientar o planejamento de futuras edições da festa e
de outras grandes concentrações públicas na cidade.
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