quarta-feira, 4 de março de 2026

Dia Mundial da Obesidade: por que culpar os pais não resolve o problema?

Especialista alerta que o excesso de peso nas crianças tem múltiplas causas e exige abordagem familiar

 

Uma em cada cinco crianças ou adolescentes do mundo está acima do peso, de acordo com dados recentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, a reflexão vai além dos números e chega a uma pergunta frequente e muitas vezes carregada de julgamento: a obesidade infantil é sempre culpa dos pais? Especialistas alertam que a resposta é não.

A obesidade na infância é uma condição complexa, que envolve fatores genéticos, hormonais, comportamentais e ambientais. Embora os hábitos alimentares tenham papel importante, eles não são os únicos responsáveis pelo excesso de peso em crianças e adolescentes.

Na capital paulista, o Atendimento Multiassistencial (AMAS), unidade gerida pelo Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês em parceria com a Umane, associação civil, independente, isenta e sem fins lucrativos, desenvolve o Projeto Alimentação, voltado ao acompanhamento de crianças com obesidade. A iniciativa seleciona pacientes para que seus responsáveis participem de aulas com orientações sobre hábitos saudáveis e a importância da mudança de estilo de vida desde a infância.

Durante os encontros, são abordados temas como sono reparador, hidratação adequada, prática regular de atividade física, diferença entre alimentos in natura e processados e a importância de escolhas conscientes no momento das refeições.

Segundo o endocrinologista pediátrico do AMAS, Dr. Raphael Soares Kinoshita, a obesidade infantil precisa ser compreendida de forma ampla e sem culpabilização. “A obesidade infantil é uma condição multifatorial. Nem sempre está relacionada apenas à alimentação oferecida pelos pais. Existe a predisposição genética e causas hormonais, como o hipotireoidismo, que podem contribuir para o ganho de peso. Além disso, fatores como sedentarismo, privação de sono e o uso excessivo de telas têm impacto direto no metabolismo e no comportamento alimentar das crianças”, explica.

O tempo prolongado diante de celulares, tablets e videogames, por exemplo, reduz a prática de atividades físicas, interfere na qualidade do sono e ainda estimula o consumo de alimentos ultraprocessados, frequentemente associados à publicidade digital.

Os riscos da obesidade infantil vão além da questão estética e podem comprometer a saúde a curto e longo prazo, aumentando as chances de desenvolvimento de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações no colesterol, problemas ortopédicos e sofrimento emocional.

Para o especialista, o enfrentamento do problema exige o envolvimento de toda a família. “Não se trata de impor dietas restritivas à criança, mas de promover uma mudança coletiva de hábitos. Quando a família participa, o processo se torna mais saudável, sustentável e menos traumático. A infância é o momento ideal para construir uma relação equilibrada com a alimentação e com o próprio corpo”, reforça. 

 

Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês - IRSSL


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