Estima-se que o mercado de canetas emagrecedoras ilegais já movimenta R$600 milhões no Brasil
O mercado das chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil tem
ampliado os alertas sobre riscos sanitários e de segurança do consumidor. Nos
últimos meses, notícias sobre alta demanda, ofertas em canais digitais e
revendas informais reacenderam a preocupação com compras fora do circuito
regular, incluindo importação irregular, possibilidade de falsificação e falhas
de armazenamento (como quebra da cadeia de frio), fatores que podem comprometer
a eficácia e aumentar o risco de eventos adversos. Estima-se que apenas o
mercado ilegal movimente R$ 600 milhões por ano no país.
Esses produtos são medicamentos análogos do hormônio GLP-1
(peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1), indicados principalmente para o
tratamento do diabetes tipo 2 e, em casos específicos, da obesidade, conforme
avaliação clínica. São fármacos sujeitos à prescrição médica, com critérios
definidos de indicação e acompanhamento, e que exigem rigor no controle de
dispensação, armazenamento e transporte, especialmente por demandarem condições
adequadas de conservação.
Todo e qualquer produto, devidamente regularizado pelo Ministério
da Saúde, consta em sua embalagem e rótulo informações como lote, validade
dentro do período correto e, sobretudo, o código MS. É a permissão para que o
item possa seguir com a distribuição e legalização de venda. Ainda sim, o
consumidor deve estar atento aos estabelecimentos, principalmente em vendas
on-line, para que não seja enganado e adquira algo sem procedência dos órgãos
competentes.
Especialistas e entidades de defesa do consumidor reforçam que o
uso sem prescrição e sem acompanhamento médico eleva a probabilidade de dose
inadequada, contraindicações ignoradas, interações medicamentosas e efeitos
colaterais que podem exigir atendimento de urgência. Tendo em vista os inúmeros
riscos, é preciso orientar a população sobre como identificar aquisição
regular, reconhecer sinais de produto suspeito e compreender a importância de
avaliação clínica e monitoramento contínuo, reunindo informações de
profissionais de saúde e referências regulatórias no país.
Medicamentos falsificados e riscos à saúde
De acordo com o coordenador farmacêutico do Hub de Saúde da rede
de farmácias Pague Menos, José de Maria, a população precisa ficar em alerta.
“Quando falamos de produtos, insumos e medicamentos que transcendem a
legalização, levamos em consideração que não estão vinculados ao registro do
Ministério da Saúde (MS), trazendo sérios prejuízos como uso inadequado,
complicação do contexto de saúde do paciente e que pode acarretar agravos. É
importante que o consumidor entenda que a compra de qualquer medicamento deve
acontecer em instituições especializadas e que os produtos tenham a
rastreabilidade de compra e venda, garantindo o sucesso terapêutico do
paciente”, explica.
Outro ponto de atenção são os riscos à saúde. Quando o paciente
faz a ingestão ou aplicação de medicamentos não autorizados, ele pode estar
submetido a substâncias não identificadas, além de que esses produtos não
possuem estudos ou práticas de biossegurança. “O paciente necessita de um
processo terapêutico pleno, com acompanhamento de profissionais capacitados que
direcionam esse cuidado integrado à saúde. A partir de medicamentos falsos, o
corpo pode ter reações adversas como hepatopatias, nefropatia, além de mascarar
a real condição que o usuário apresenta. A automedicação é extremamente perigosa.
Sendo assim, é essencial a prescrição médica e acompanhamento individualizado”,
complementa.
Também é válido destacar que, independentemente do fim, é
necessária uma conduta clínica por meio de profissionais da área da saúde para
entender a real necessidade do uso desses medicamentos. Além destes, o
farmacêutico também pode trazer orientações e tirar dúvidas, sendo o
profissional clínico de mais fácil acesso à população para a Atenção Primária à
Saúde (APS).
Farmácias Pague Menos e Extrafarma
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