Com planejamento, paciência e acolhimento
emocional, o início do ano letivo pode ser mais leve para crianças,
adolescentes e famílias
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Com a aproximação do início das aulas do ano letivo de 2026, famílias voltam a
se organizar para a retomada da rotina escolar. Seja na primeira experiência na
escola, na mudança de instituição ou de turma, ou mesmo no retorno ao mesmo
ambiente após semanas de horários mais flexíveis, esse período costuma
despertar expectativas, curiosidade e, em muitos casos, ansiedade em crianças e
adolescentes.
A
boa notícia é que a fase de adaptação ou readaptação pode ser positiva,
tranquila e repleta de aprendizados quando há planejamento e atenção ao
bem-estar emocional e pedagógico dos estudantes. Cada criança reage de forma
diferente às mudanças, e respeitar o ritmo individual é fundamental para uma
transição saudável. Por isso, especialistas em educação reforçam a importância
da parceria entre família e escola e compartilham orientações práticas para
apoiar os alunos nesse recomeço, promovendo equilíbrio físico, emocional e
cognitivo desde os primeiros dias de aula.
Prepare a transição com antecedência
Antecipar
a rotina, estabelecendo horários regulares para refeições, brincadeiras e
descanso, ajustando-os gradualmente às demandas escolares, ajuda na adaptação
ou readaptação. Alguns dias antes do início das aulas, por exemplo, é
aconselhável ir ajustando o horário de acordar, diminuindo o despertador meia
hora por dia, para que a criança se acostume a levantar mais cedo aos poucos.
Além disso, o sono de qualidade é fator-chave para o desempenho escolar:
reduzir o uso de telas ao menos uma hora antes de dormir melhora a produção de
melatonina e favorece o descanso.
“Visitar
a nova escola, conhecer os espaços e conversar sobre as atividades que a
criança participará ajudam a criar um ambiente de familiaridade e segurança.
Quando a criança entende o que a espera, o impacto da mudança é menor”, opina
Audrey Taguti, diretora pedagógica e geral do Brazilian
International School – BIS, de São
Paulo (SP).
Envolva a criança nos preparativos
Incluir
a criança no planejamento da volta às aulas pode fazer toda a diferença. Deixar
a criança ajudar a organizar a mochila ou escolher o novo caderno aumenta o
vínculo com a escola, e é uma forma de emponderá-la. “Isso transforma a ida à
escola em algo pelo qual ela se sente responsável e motivada”, afirma Fatima
Lopes, diretora geral da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP).
Além
disso, envolver parentes ou amigos mais velhos que já estudam na mesma escola
pode ser uma excelente forma de apresentar aspectos positivos do ambiente
escolar. Esses relatos ajudam a criar uma imagem mais acolhedora e interessante
da nova rotina, reforçando a confiança da criança e mostrando que a escola pode
ser um espaço de aprendizado, diversão e novas amizades.
É
importante conversar abertamente sobre como o estudante está se sentindo. Às
vezes, o desconforto vem de inseguranças que podem ser suavizadas com empatia.
“Ouvir, sem julgar, é um gesto educativo. Quando o adulto valida os sentimentos
da criança, ela se sente respeitada e mais preparada para enfrentar os desafios
da volta às aulas”, diz Fatima.
Para
os alunos que estão retornando à escola, se possível, marque um encontro com
colegas antes do primeiro dia. A volta se torna mais leve com vínculos
reativados. “O pertencimento ao grupo é um dos maiores motivadores da ida à
escola. A antecipação positiva, por meio do reencontro com amigos, traz
acolhimento emocional”, afirma a diretora da Aubrick.
Os pais também precisam se preparar!
A
preparação para a volta às aulas não é apenas para as crianças; os pais também
precisam se organizar emocionalmente e logisticamente para esse momento. Não é
incomum, por exemplo, ver cenas de filhos darem as costas aos pais ao entrar na
escola, ansiosos pelas novidades que estão por vir; enquanto os responsáveis
estão aos prantos no portão – ou sentem-se até mal e culpados por uma evolução
normal na vida das crianças.
“A
ansiedade dos responsáveis pode ser percebida pelos pequenos, tornando o
processo de adaptação mais desafiador. Por isso, é fundamental que os pais
mantenham a calma, confiem nos profissionais da educação e nas escolhas que
fizeram, e estejam disponíveis para acolher dúvidas e inseguranças dos filhos e
de si mesmos”, avalia Ana Claudia Favano, gestora da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP).
A readaptação é um processo
A
readaptação leva tempo, e deve ser encarada com paciência e constância.
Oscilações de humor, cansaço e até um pouco de resistência são esperadas. “A
readaptação é como ajustar um instrumento musical: exige afinação, escuta e regulagens
finas. Com acolhimento e afeto, o processo acontece”, orienta Luísa Cassaniga,
coordenadora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue Taquaral, de Campinas (SP).
Luísa
aconselha que os pais estejam mais presentes na primeira semana. Ouvir relatos,
perguntar sobre o dia e observar comportamentos é essencial. “Os primeiros dias
sinalizam como está a adaptação. Pequenos sinais, como mudanças de humor, podem
indicar que algo precisa ser ajustado com apoio e diálogo”, orienta.
A
docente acrescenta ainda que comunicação aberta entre pais, responsáveis e
escola é um dos pilares para o sucesso da readaptação. “A confiança mútua
favorece intervenções assertivas. Quando há acolhimento e escuta verdadeira das
duas partes, o processo se torna mais leve e consistente”, finaliza a
coordenadora do Progresso Bilíngue.
Ana Claudia
Favano - gestora da Escola Internacional de Alphaville. É psicóloga; pedagoga;
educadora parental pela Positive Discipline Association/PDA, dos Estados
Unidos; e certificada em Strength Coach pela Gallup. Especialista em Psicologia
da Moralidade, Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização,
Educação Emocional Positiva e Convivência Ética. Dedicada à leitura e interessada
por questões morais, éticas, políticas, e mobiliza grande parte de sua energia
para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.
Audrey
Taguti - acumula 41 anos de experiência e trabalho em Educação. É formada em
Magistério e Pedagogia, possui pós-graduações em Psicopedagogia e Bilinguismo e
é especialista em Alfabetização. É diretora pedagógica do Brazilian
International School – BIS, de São Paulo/SP desde a fundação do colégio, em
2000.
Fatima Lopes
- pós-graduada em Gestão Escolar, especialista em Bilinguismo e apaixonada pela
área da Educação. De sua primeira formação, em Enfermagem, ela mantém o dom de
cuidar das pessoas: gosta de se relacionar com alunos, pais e colegas,
promovendo um ambiente de aprendizado colaborativo e acolhedor. Diz ter como
missão contribuir para a formação integral dos estudantes, formando cidadãos
mais conscientes e preparados para o futuro. É fundadora e diretora geral da
Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo.
Luísa Cassaniga - mestre em Educação, com sólida experiência na área. Atua há 14 anos com foco no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, com especial atenção aos aspectos socioemocionais. Atualmente, é coordenadora pedagógica, papel em que alia escuta sensível, conhecimento técnico e gestão humanizada. É apaixonada por criar contextos educativos acolhedores, onde o vínculo e o cuidado impulsionam a aprendizagem.
International Schools Partnership - ISP
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