sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Produtividade com IA é o segundo maior desafio do marketing em 2026, aponta pesquisa

88,2% dos profissionais de marketing usam
 IA apenas de forma conversacional 
iStock

Pesquisa da Conversion mostra que 41,3% dos profissionais priorizam transformar a adoção da Inteligência Artificial em ganhos concretos de eficiência

 

A Inteligência Artificial deixou de ser tendência e passou a ocupar o centro das decisões estratégicas do marketing. Em 2026, a tecnologia se consolida como o segundo maior desafio do setor, empatada tecnicamente com a integração entre marketing e vendas. O dado reflete uma mudança de foco: mais do que experimentar ferramentas, o mercado agora busca resultados concretos.

Segundo levantamento Tendências de Marketing 2026 da Conversion, maior agência de SEO do país, 41,3% dos profissionais apontam o aumento de produtividade com o uso de IA como prioridade. O número ganha ainda mais peso quando observado ao lado da adoção acelerada da tecnologia: 82,4% dos profissionais já utilizam IA diariamente, um crescimento de 88,6% em relação a 2024, quando esse percentual era de 43,7%.

Apesar da presença quase onipresente da IA na rotina de trabalho, o uso ainda ocorre de forma superficial. A maioria dos profissionais (88,2%) utiliza a tecnologia apenas de maneira conversacional, fazendo perguntas e aplicando respostas diretamente no dia a dia. Apenas 6,1% automatizam tarefas por meio de fluxos de trabalho, e 2,7% operam agentes autônomos, que permitem ganhos mais consistentes de escala e produtividade.

Na prática, a IA ainda atua mais como um assistente individual do que como um ativo estratégico das empresas.

 


Falta de governança revela imaturidade do mercado


O uso desorganizado também aparece na ausência de regras claras. Quase metade das empresas brasileiras (47,1%) não possui qualquer governança ou processo formal para o uso de IA. Outros 21,2% analisam riscos e segurança de dados apenas quando necessário, adotando uma postura reativa.

Apenas 12,1% têm aprovação formal da liderança antes de usar ferramentas de IA, e 11,9% implementaram governança completa com diretrizes claras, processos auditáveis e capacitação estruturada. Isso significa que 68,3% das empresas operam com governança inexistente ou reativa, um número preocupante dado os riscos potenciais.

Esse cenário reforça a distância entre adoção e maturidade. Embora amplamente utilizada, a IA ainda não foi institucionalizada como parte dos processos corporativos, o que limita seu impacto nos indicadores de desempenho.


Investimento e capacitação ainda são limitados

Os números de investimento ajudam a explicar esse descompasso. 82,3% das empresas investem até R$5.000 por mês em IA, sendo que 40,2% não gastam nada além de ferramentas gratuitas. Outros 42,1% destinam entre R$1.000 e R$5.000 mensais, valor normalmente associado a assinaturas individuais, e não a projetos estruturantes.


A capacitação segue o mesmo padrão: 41,1% oferecem apenas cursos gratuitos ou de baixo custo (YouTube, MOOCs, webinars), e 28,7% não têm nenhuma iniciativa formal de aprendizado. Isso resulta em 22,9% dos profissionais se sentindo pouco ou nada apoiados no desenvolvimento de competências em IA

Para 2026, o desafio não é mais fazer os times adotarem IA — é institucionalizar o uso para ganhos reais. As empresas que conseguirem essa transição transformarão a IA de ferramenta individual em vantagem estrutural. Os dados mostram que o mercado reconhece essa urgência: 48,5% planejam investir em geração de dados e inteligência com IA, 39,6% em criação e otimização de conteúdo para SEO, e 34,7% em atendimento ao cliente via chatbots.


Metodologia

A pesquisa foi realizada pela Conversion entre novembro e dezembro de 2025, com 637 profissionais entrevistados de forma online. O público inclui analistas, gerentes, coordenadores, fundadores, presidentes e assistentes. A margem de erro é de 3,8%, com nível de confiança de 95%.

 

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