sábado, 31 de janeiro de 2026

O esquecimento de si como sintoma da vida contemporânea


A correria do dia a dia e a busca incessante pelo ter impede o ser humano de buscar o ser. As prioridades se invertem: a conquista do ouro sobrepõe-se ao cuidado com a alma. Mergulha-se de cabeça em uma busca indefinida e, nesse percurso, perde-se a noção do essencial; passa-se a enxergar apenas o que tem preço, e não o que tem valor. 

Assim, tudo aquilo que diz respeito a si mesmo torna-se secundário ou terciário. O que antes precisava ser escutado é sempre adiado e, com isso, perde-se aquilo que o dinheiro não pode comprar. Reuniões com a família, encontros com parentes e amigos são descartados, como se fossem desnecessários, tratados como perda de tempo. 

Enquanto isso, o tempo desgasta os desejos do ser e fortalece apenas o valor do ter. Muitos até alcançam o tão sonhado ter, mas não percebem que isso os conduz ao esquecimento do próprio eu, afastando-os da reforma íntima e, mais ainda, da evolução espiritual. Esquecem-se de si e acumulam bens que não poderão levar consigo para outro plano. 

Como o urso diante de uma grande tina de sopa, que, movido pela ganância, sucumbe à gula e explode sem perceber que não é capaz de consumir tudo o que deseja, assim segue o ser humano: pobre em essência, ainda que rico em posses. 

 

Jorge Curi - *Escritor de obras de autoconhecimento e fortalecimento interior, Jorge Curi é autor do livro “O Dr. Andarilho: uma

 

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