A correria do dia a dia e a busca incessante pelo
ter impede o ser humano de buscar o ser. As prioridades se invertem:
a conquista do ouro sobrepõe-se ao cuidado com a alma. Mergulha-se de cabeça em
uma busca indefinida e, nesse percurso, perde-se a noção do essencial; passa-se
a enxergar apenas o que tem preço, e não o que tem valor.
Assim, tudo aquilo que diz respeito a si mesmo
torna-se secundário ou terciário. O que antes precisava ser escutado é sempre
adiado e, com isso, perde-se aquilo que o dinheiro não pode comprar. Reuniões com
a família, encontros com parentes e amigos são descartados, como se fossem
desnecessários, tratados como perda de tempo.
Enquanto isso, o tempo desgasta os desejos do ser e
fortalece apenas o valor do ter. Muitos até alcançam o tão sonhado ter, mas não
percebem que isso os conduz ao esquecimento do próprio eu, afastando-os da
reforma íntima e, mais ainda, da evolução espiritual. Esquecem-se de si e
acumulam bens que não poderão levar consigo para outro plano.
Como o urso diante de uma grande tina de sopa, que,
movido pela ganância, sucumbe à gula e explode sem perceber que não é capaz de
consumir tudo o que deseja, assim segue o ser humano: pobre em
essência, ainda que rico em posses.
Jorge Curi - *Escritor de obras de autoconhecimento e
fortalecimento interior, Jorge Curi é autor do livro “O Dr. Andarilho: uma
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