Workshop promovido pela TEC4U após a NRF 2026 mostrou como dados, experiência e execução passaram a definir competitividade no varejo
A edição 2026 da NRF Retail’s Big Show marcou uma virada definitiva
no varejo global. A inteligência artificial deixou de ser uma promessa e passou
a integrar, de forma estrutural, a operação e a jornada de compra. Esse foi o
principal diagnóstico apresentado no Workshop Pós NRF 2026, promovido pela TEC4U, que reuniu especialistas em tecnologia, dados e
e-commerce para discutir os impactos práticos dessas transformações no varejo
brasileiro.
Ao longo do encontro, ficou claro que a IA, isoladamente, já não
representa vantagem competitiva. O diferencial está na capacidade das empresas
de integrar canais, estruturar dados e executar com consistência antes de
escalar automações mais avançadas.
“Existe uma expectativa inflada de que a inteligência artificial
resolva problemas estruturais sozinha. O que vimos na NRF é o oposto. A IA
potencializa o que já está organizado. Sem integração, cultura e execução, ela
apenas acelera ineficiências”, afirma Rodrigo Soares, sócio da TEC4U.
Experiência, comunidade e o novo papel da loja física
Um dos temas centrais do workshop foi a transformação da loja
física em um espaço de experiência, conexão e pertencimento. Exemplos globais
apresentados mostraram como marcas têm investido em ambientes imersivos para
fortalecer relacionamento, lealdade e construção de comunidade, indo além da
lógica transacional.
Segundo Rodrigo Soares, o desafio não está em criar experiências inspiradoras, mas em sustentá-las na operação do dia a dia. “Tecnologia, atendimento e cultura precisam funcionar de forma integrada. Caso contrário, a experiência não se mantém no tempo”, destaca.
Agentic commerce e a redução da fricção na jornada de compra
Outro ponto de destaque foi o avanço do agentic commerce, modelo
no qual assistentes inteligentes passam a intermediar descobertas,
recomendações e compras. Na abertura desse bloco, Konrad Doern, fundador do
Compra Rápida, explicou que o lançamento do Universal Commerce Protocol (UCP)
pelo Google sinaliza uma tentativa de criar uma linguagem universal para
transações mediadas por IA.
“A lógica dos agentes é reduzir etapas da jornada tradicional.
Quanto menos interfaces, menor a fricção e maior a conversão”, afirmou Doern.
Dados apresentados no evento indicam que o comportamento de busca
já está mudando. Hoje, cerca de 58% dos consumidores utilizam ferramentas de IA
para pesquisar produtos, ainda que a conclusão da compra, na maioria dos casos,
aconteça fora desses ambientes. A expectativa é de aceleração desse movimento
nos próximos anos.
O workshop também trouxe dados sobre a sobrecarga cognitiva do
consumidor. Pesquisas indicam que 78% das pessoas se sentem sobrecarregadas
diante do excesso de escolhas, o que impacta diretamente a decisão de compra. Nesse
cenário, simplificar fluxos, reduzir opções desnecessárias e orientar o
consumidor passa a ser estratégico.
Conversação no lugar do desconto
Na sequência, André Nunes, Head of BU – AI Products do Compra
Rápida, apresentou aplicações práticas de IA focadas em conversão. Segundo ele,
entre 70% e 80% dos carrinhos abertos no Brasil não são finalizados, e o
principal motivo não é preço, mas dúvida.
“O mercado respondeu o abandono de carrinho com cupom por muito tempo. Isso corrói margem e enfraquece a marca. Em muitos casos, o consumidor só precisa de orientação”, explicou.
Testes apresentados no workshop mostram que interações
conversacionais inteligentes, capazes de identificar objeções e responder em
tempo real, chegam a dobrar a taxa de recuperação de carrinho, além de aumentar
o ticket médio, sem recorrer a descontos.
“O papel da IA aqui é conversar, entender a dúvida e resolver.
Quando isso acontece, a venda flui”, afirmou Nunes.
Dados, eficiência e execução no centro da estratégia
O evento reforçou ainda que os usos mais maduros da IA hoje estão
na operação, como análise de gargalos, otimização de investimentos, leitura de
padrões em criativos e identificação de falhas em pagamento ou estoque. Segundo
dados apresentados, menos de 1% das empresas estão realmente preparadas para usar
IA de forma consistente, mesmo entre negócios digitais.
“O varejo entrou em uma nova fase. A tecnologia já está
disponível. O que diferencia quem avança de quem fica para trás é a capacidade
de estruturar dados e executar bem”, conclui Rodrigo Soares, sócio da TEC4U.
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