quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Diagnóstico emocional vira prioridade para empresas que planejam um início de 2026 mais estável

Mapeamento de riscos psicossociais entra no planejamento estratégico e antecipa decisões para reduzir conflitos afastamentos e perdas de produtividade 

 

As empresas chegam ao fim de 2025 pressionadas por um problema que afeta o desempenho econômico. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que depressão e ansiedade resultam na perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com custo estimado de US$ 1 trilhão em produtividade. No Brasil, esse contexto tem levado companhias a priorizar o diagnóstico emocional para iniciar 2026 com clima organizacional mais previsível.

Jéssica Palin Martins, psicóloga e advogada especializada em saúde emocional no trabalho, fundadora da IntegraMente e atuando há mais de dez anos na área, afirma que o diagnóstico deixou de ser um recurso complementar e passou a integrar o planejamento estratégico das empresas. “Não faz sentido começar o ano apenas revisando metas e processos sem entender como as pessoas estão emocionalmente. O diagnóstico emocional se tornou um ponto de partida para decisões mais consistentes”, diz.

O movimento ocorre em um contexto de maior pressão regulatória e social. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1, publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em agosto de 2024, passou a exigir que o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais considere também fatores psicossociais relacionados ao trabalho, ampliando a responsabilidade das empresas sobre o tema.

A norma entra em vigor após o período de adaptação previsto em lei, tornando 2026 um marco relevante para adequação.

Além da legislação, o perfil da força de trabalho tem influenciado as decisões corporativas. O relatório global Gen Z and Millennial Survey 2024, da Deloitte, aponta que cerca de 40% dos profissionais da geração Z relatam sentir estresse ou ansiedade sempre ou na maior parte do tempo, e muitos associam esse quadro diretamente ao ambiente profissional.

Para Jéssica Palin Martins, o diagnóstico emocional funciona como uma leitura estruturada do clima interno e dos fatores de desgaste. “Quando a empresa transforma percepções em dados, ela consegue sair do improviso e entender onde estão os principais riscos emocionais. Isso permite agir antes que o problema se traduza em conflitos, afastamentos ou perda de desempenho”, afirma.

O impacto financeiro do clima instável também pesa na conta. Estimativas da consultoria Gallup indicam que o custo de substituição de um profissional pode variar de cerca de 40% do salário anual em cargos operacionais a até 200% em posições de liderança, dependendo do nível de especialização e responsabilidade.

Segundo a especialista, empresas que realizam esse tipo de mapeamento ainda no fim do ano tendem a iniciar o ciclo seguinte com maior estabilidade. “Janeiro costuma revelar o que ficou mal resolvido no segundo semestre. Quem começa o ano com diagnóstico feito, devolutiva clara e plano de ação ganha tempo e reduz desgaste”, diz.

A tendência, avalia Palin Martins, é que o diagnóstico emocional deixe de ser pontual e passe a integrar a rotina de gestão. “Clima organizacional não se sustenta com uma pesquisa anual. É acompanhamento contínuo, com decisões práticas para a liderança. Quando isso acontece, o emocional deixa de ser tratado apenas quando a crise já está instalada”, conclui.

 



Jéssica Palin Martins - advogada, psicóloga e especialista em saúde mental no ambiente corporativo, graduada em Direito pela Universidade Paulista (UNIP) e em Psicologia pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP), mestre em Direito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) e especialista em Intervenção Familiar Sistêmica pela pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, FAMERP. Fundadora da IntegraMente, desenvolveu uma metodologia que combina testes psicológicos validados com planos de ação estratégicos para lideranças e RHs. Sua atuação tem como foco no gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Seu trabalho ganhou relevância especialmente após a publicação da Lei 14.831/2024, que instituiu o Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental. A norma, já aprovada e aguardando regulamentação, estabelece critérios claros para a promoção da saúde emocional no trabalho. Paralelamente, a Portaria nº 1.419 do Ministério do Trabalho e Emprego, publicada em 27 de agosto de 2024 (DOU de 28 28/08/2024 - Seção 1), que aprova a nova redação do capítulo “1.5 Gerenciamento de Riscos Ocupacionais” e altera o “Anexo I – Termos e definições” da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que incluiu oficialmente os fatores psicossociais como riscos ocupacionais, reforçando a necessidade de estratégias corporativas de prevenção.
Instagram @jessicapalinmartins e Linkedin



Palin & Martins
palinemartins.com.br



Fontes de pesquisas

Organização Mundial da Saúde (WHO)
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-at-work

Ministério do Trabalho e Emprego
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego

Deloitte – Gen Z and Millennial Survey 2024
https://www.deloitte.com

Gallup – Estudos sobre turnover e engajamento
https://www.gallup.com


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