Advogada tributarista Larissa Milk avalia impactos e aponta que simplificação exigirá ajustes estruturais e tecnológicos do setor produtivo
A aprovação da reforma tributária marca
um dos momentos mais significativos da economia brasileira nas últimas décadas.
A proposta, que altera de forma profunda as regras fiscais e a estrutura de
arrecadação do país, promete simplificar o sistema e trazer mais transparência,
mas também impõe um grande desafio de adaptação para empresas e governos.
Segundo a advogada tributarista Larissa
Milk, sócia do escritório Milk Advocacia, a principal transformação está na
unificação dos tributos sobre o consumo, substituindo cinco impostos (PIS,
Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS),
de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência
compartilhada entre estados e municípios.
“A reforma busca reduzir a sobreposição
de cobranças e aumentar a previsibilidade das relações fiscais. Na prática,
cria um ambiente mais racional e menos burocrático para o setor produtivo”,
destaca Larissa Milk.
Apesar do otimismo em torno da
simplificação, a especialista lembra que o processo de transição será longo e
complexo, com coexistência das regras antigas e novas até 2033. Nesse período,
as empresas precisarão revisar seus modelos contábeis, sistemas de gestão e
estratégias de precificação para atender às novas exigências.
Outro ponto de destaque é a criação do
Imposto Seletivo, voltado para produtos e serviços que causam impactos negativos
à saúde e ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas. A medida
reforça o caráter extrafiscal da tributação — utilizando impostos não apenas
como fonte de arrecadação, mas como instrumento de política pública. “Mais do
que arrecadar, o sistema tributário passa a refletir valores sociais, como
sustentabilidade e saúde pública”, explica a advogada.
A reforma também redesenha o modelo de
repartição de receitas, alterando a lógica de arrecadação para o local de
consumo, e não mais de origem. A mudança tende a beneficiar estados
consumidores, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste, mas traz desafios
para estados produtores, que precisarão reavaliar suas estratégias fiscais e
econômicas.
Para Larissa Milk, o sucesso da reforma
dependerá da cooperação entre entes federativos e da modernização tecnológica
das administrações públicas e privadas. “O cumprimento das novas obrigações
exigirá investimento em tecnologia, capacitação de equipes e adequação de
sistemas. A transparência e a rastreabilidade das operações serão
fundamentais”, afirma.
A advogada ressalta que o momento
demanda uma mudança de mentalidade: “Simplificar não é apenas reduzir impostos,
mas torná-los mais justos, eficientes e compatíveis com o desenvolvimento
sustentável do país.”

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