quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Herpes Genital: o vírus silencioso que afeta milhões de pessoas.

Transmissível mesmo sem sintomas, a infecção exige atenção, tratamento contínuo e quebra de tabus para proteger a saúde e a autoestima.


A herpes genital é uma das infecções sexualmente transmissíveis, ISTs, mais prevalentes no mundo. Estima-se que mais de 400 milhões de pessoas vivem com o Herpes simplex vírus tipo 2 (HSV-2) e que o tipo 1 (HSV-1), mais conhecido por causar feridas na boca, também seja responsável por um número crescente de casos na região genital. Apesar disso, o assunto ainda é cercado por silêncio, vergonha e falta de informação.

A doença se manifesta principalmente por pequenas bolhas ou feridas dolorosas na região genital, que podem vir acompanhadas de coceira, ardência e, às vezes, febre e mal-estar. Mas nem todo portador apresenta sintomas e é aí que está um dos grandes riscos, mesmo sem lesões visíveis, é possível transmitir o vírus.

“A herpes genital não ameaça apenas a saúde física. Ele impacta a vida emocional, a autoestima e a sexualidade das pessoas. Informação e acompanhamento médico são essenciais para reduzir o impacto da doença.”, destaca o médico infectologista Dr. Klinger Soares Faíco Filho, Professor da UNIFESP e CEO da plataforma de educação InfectoCast. 

O contágio se dá pelo contato pele com pele ou mucosa com mucosa durante relações sexuais, sejam vaginais, anais ou orais.

  • O uso de preservativos reduz, mas não elimina totalmente o risco;
  • Lesões podem surgir em áreas não cobertas pela camisinha;
  • Mesmo sem sintomas, o vírus pode estar ativo, o que chamamos de “eliminação viral assintomática”. 

O diagnóstico geralmente é clínico, mas alguns exames podem confirmar a presença do vírus e identificar o tipo. O tratamento é feito com medicamentos antivirais, que:

  • Reduzem a duração e a intensidade das crises;
  • Podem ser usados de forma contínua, para quem tem recorrências frequentes;
  • Diminuem a chance de transmissão.

Não existe cura. O vírus permanece no corpo e pode “acordar” em momentos de baixa imunidade, estresse, exposição solar intensa ou alterações hormonais. 

A herpes genital merece cuidado redobrado em gestantes. Se a primeira infecção acontecer no final da gravidez, existe risco de transmissão para o bebê durante o parto, levando a um quadro grave chamado herpes neonatal. Em alguns casos, a cesariana pode ser indicada para reduzir o risco. 

Além do incômodo físico, o diagnóstico pode gerar ansiedade, medo de rejeição e isolamento. O acompanhamento médico humanizado e, quando necessário, apoio psicológico, ajudam a lidar com os desafios emocionais. 

Vale ressaltar que a Herpes Genital não tem cura, mas pode ser controlada por tratamento adequado. Mesmo sem apresentar lesões, a transmissão é possível devido a eliminação viral assintomática. O uso de preservativo ajuda bastante na prevenção, mas não garante proteção total, já que as lesões podem surgir em áreas não cobertas. Na primeira crise, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente para iniciar tratamento. 

 

Dr. Klinger Faíco - médico infectologista com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Infectologia. Doutor em Infectologia pela UNIFESP e MBA em Gestão em Saúde, atua com foco no diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas, incluindo HIV, hepatites virais e IST’s. Além disso, o infectologista é CEO da plataforma de educação médica InfectoCast, professor universitário da UNIFESP, fundador e consultor em controle de infecção hospitalar na Consultoria IRAS.


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