Identificação de norovírus em meio à crise
sanitária reforça alerta sobre a urgência de investimentos em infraestrutura e
fiscalização ambiental
O surto de gastroenterite que atingiu o Guarujá, no litoral de São Paulo, expôs os graves impactos do saneamento básico precário na saúde pública e no meio ambiente. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), amostras analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz confirmaram a presença do norovírus, responsável por sintomas como náuseas, vômitos e diarreia. Com mais de 2 mil atendimentos registrados no município em dezembro, o aumento expressivo de casos foi classificado como surto pela pasta, enquanto cidades vizinhas, como Santos e Praia Grande, também registraram alta na procura por atendimento médico.
Segundo Larissa de Castro Coelho, advogada nos Núcleos de Ações Coletivas, Direito Ambiental e ESG da Nelson Wilians Advogados, a falta de infraestrutura adequada afeta diretamente a saúde pública e o meio ambiente. “O despejo irregular de esgoto compromete ecossistemas essenciais, como manguezais e rios, além de tornar as praias impróprias para o banho. Isso impacta não só a biodiversidade local, mas também o turismo e a economia da região”, alerta.
Para a advogada, a responsabilidade é compartilhada entre sociedade, empresas e poder público. “A omissão das autoridades em garantir infraestrutura de saneamento pode ser configurada como negligência. Ao mesmo tempo, empreendimentos e moradores que despejam esgoto sem tratamento infringem a legislação ambiental. A solução passa por investimentos urgentes em coleta e tratamento de esgoto, fiscalização rigorosa e recuperação de áreas degradadas”, reforça a especialista.
O
caso do Guarujá é mais um exemplo de como o descaso com saneamento básico
prejudica não só a saúde da população, mas também a sustentabilidade das
regiões costeiras. Para reverter esse cenário, é essencial uma atuação conjunta
que promova o desenvolvimento sustentável e mitigue os impactos
socioambientais.
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