Conceitualmente, a cadeia logística é uma
central operacional da empresa, a qual compreende movimentação, armazenamento,
transporte e entrega, cuja função principal está atrelada à garantia de que
produtos e serviços passem pelas etapas necessárias dentro da organização até
chegar ao cliente no prazo e em condições ideais de uso. No que diz respeito ao
abastecimento, a logística se responsabiliza pela aquisição de materiais, peças
e insumos necessários para a atividade fim de uma empresa, convertendo a
facilitação do planejamento de compras, aumento da produtividade, redução de
custos e melhora da reputação da marca como seus principais benefícios.
Especificamente no foodservice, quando bem
contratada e gerenciada, significa menor ruptura e maior controle no
abastecimento de insumos a uma rede de FS, aliada à possibilidade de ampliar a
expansão de suas unidades com simetria no mix de produtos, além de viabilizar o
controle de qualidade dos insumos, visto que a operação passa a depender menos
do abastecimento local - cujas especificações e qualidade, muitas vezes, torna
difícil o controle à distância. O benefício imediato relaciona-se à
uniformidade de insumos e, consequentemente, à uniformidade do produto para seu
consumidor, refletindo diretamente na imagem da marca, além da viabilidade do
controle do custo de aquisição de mercadorias - o famoso CMV (custo da
mercadoria vendida).
Neste sentido, o abastecimento digital - antes
acessível apenas para grandes redes do setor - é um recurso que potencializa
esses benefícios e agrega valor aos produtos e serviços por acelerar processos,
economizar recursos e possibilitar o ganho de escala, além de gerar dados
importantes para análise e gestão. É por meio do abastecimento digital que a
empresa consegue incluir todas as áreas envolvidas no processo de compra,
reduzir erros ao longo do processo, melhorar o controle das operações de
separação e logística, além de gerar um compilado de informações através de sua
integração, questões fundamentais para a inteligência (BI) de todo o negócio.
Vale pontuar que o sucesso da inclusão digital no foodservice
depende muito do operador; no caso de redes estruturadas (como as franquias),
depende também do empenho da atuação do franqueador, que deve desenvolver
constantemente os cardápios de suas marcas, especificando os insumos a serem
comprados por meio da plataforma de abastecimento, assim como sempre buscar e
oferecer uma ou mais opções de compra e fornecedores com alternativa economicamente
viável. Tudo isso para garantir a manutenção do CMV e da imagem da rede. Também
faz parte da missão dos franqueadores incentivar, treinar e vistoriar sua rede
com o objetivo de controlar tanto a entrega final dos produtos e serviços por
seu franqueado ao consumidor final, como preservar a saúde financeira e
econômica destes.
Propício para o avanço de tecnologias que seguem
oferecendo melhorias para o setor, o foodservice já conta com serviços
inovadores de abastecimento em três temperaturas (seco, congelado e super
congelado), o que permite às redes repor estoque de todo e qualquer insumo que
não dependa de fornecimento regional, como é o caso das FLV (frutas, legumes e
verduras) e do açaí, por exemplo, que demandam logísticas específicas para
manter a qualidade e o sabor até o local de destino.
Luis
Henrique Stockler - CCO da 6place e possui
sólida experiência nos segmentos de bens de consumo e serviços, em redes de
negócios, franquias e múltiplos canais de distribuição, o executivo atua ainda
na estruturação e gestão de franquias e redes de negócios. Graduado em
administração de empresas pela FGV e pós-graduado em Marketing pela ESP, com
MBAs de Gestão Estratégica no ITA/ESPM e de Gestão de Varejo e Franquias na
FIA/PROVAR, Stockler é professor na ESPM e na FIA/PROVAR.
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