Médicos falam sobre
os tipos de Osteoporose. Explicam o porquê das mulheres serem mais
susceptíveis à doença e comentam ainda os tratamentos disponíveis
Freepik
Segundo dados de 2021 do Ministério da Saúde, para cada homem que sofre com a osteoporose, três mulheres apresentam a doença. No Brasil cerca de 10 milhões de pessoas convivem com a osteoporose, porém somente 2 milhões sabem que têm a enfermidade, que provoca 200 mil mortes por ano no país. É uma doença silenciosa, pois raramente apresenta sintomas antes de sua consequência mais grave, as fraturas. Por isso a importância do Dia Mundial da Osteoporose, lembrado no próximo dia 20 de Outubro. O tema da campanha deste ano é: “Agir para a Saúde Óssea”.
Mas, o que é a doença? A osteoporose se
caracteriza por uma perda da massa óssea em decorrência da redução da absorção
de minerais e cálcio, o que gera uma deterioração da microestrutura do tecido
ósseo. É uma doença que geralmente acomete as pessoas mais velhas. Dessas, as
mulheres são mais acometidas que os homens, em decorrência da ausência do
hormônio feminino estrogênio, que ocorre geralmente na fase pós-menopausa,
levando a uma redução na formação óssea.
Tipos de osteoporose
A doença se divide em dois tipos, primária e secundária. O endocrinologista do Instituto de Neurologia de Goiânia, Sérgio Vencio, explica: “a osteoporose primária é o tipo mais comum, ela é marcada por alterações do nosso corpo que acontecem com o envelhecimento natural. O osso é um tecido vivo e como qualquer tecido vivo, com o passar do tempo, diminui seu metabolismo”.
O tipo primário ainda é dividido em dois outro tipos, a osteoporose pós-menopausa, também conhecida como tipo I da forma primária da osteoporose. Ela é encontrada apenas em mulheres, devido à rápida perda óssea que ocorre após a menopausa. Isto porque é na menopausa que o estrogênio, hormônio feminino, deixa de ser produzido. Ele é um importante protetor e fortalece a estrutura óssea.
Já a osteoporose senil é descrita como tipo II dentro da osteoporose primária, onde a perda óssea ocorre lenta e gradativamente com o passar dos anos, tornando-se grave após os 70 anos. Pode acontecer tanto em homens quanto em mulheres. Os principais fatores estão relacionados à diminuição da produção de vitamina D pelo rim e pelo aumento na produção de paratormônio, na tireóide, sendo um dos principais hormônios que controlam os níveis sanguíneos do cálcio e fósforo no organismo.
Já o tipo secundário ocorre quando a
osteoporose está associada a outras condições clínicas, como distúrbios
endócrinos, do intestino, reumatismo, uso de medicações ou até mesmo por
câncer. “A osteoporose causada por alterações hormonais geralmente está
relacionada a alterações da tireóide, como o hipertireoidismo. Os distúrbios do
intestino gerados pela cirurgia bariátrica ou por doenças inflamatórias
intestinais podem ainda ser suficientes para alterar a estrutura óssea.
Medicamentos como vitamina A e heparina podem alterar o metabolismo do osso e
também causar fragilidade. Porém, a forma mais comum de osteoporose secundária
é causada pelo uso dos corticóides, que quando utilizados por muito tempo,
diminuem a formação de osso novo e reabsorvem o osso existente no corpo”,
explica o endocrinologista.
Diagnóstico e tratamento
O ortopedista do Instituto de Neurologia de Goiânia, José Gomide, explica que os sintomas na fase inicial são muito discretos e quase não aparecem, sendo detectados já em uma fase avançada, quando a pessoa apresenta deformidades nos ossos, seguido de dor ou apresenta uma fratura. E o diagnóstico se dá com a investigação clínica e confirmação através do exame da Densitometria Óssea, que define a massa óssea.
“A prevenção da osteoporose se dá primeiramente com a ingestão de Cálcio regularmente e Vitamina D, sem essa vitamina a absorção do cálcio fica prejudicada. A atividade física também estimula a formação de massa óssea. Já o tratamento é feito através do ajuste da dieta , atividade física e uso de medicamentos apropriados”, salienta o ortopedista.
Para o endocrinologista Sérgio Vêncio, “além
disso, a suplementação de estrogênio e os moduladores seletivos do receptor de
estrogênio (antagonistas de estrogênio) podem aumentar a massa óssea e diminuir
o risco de fraturas espinhais, já os bifosfonatos orais e intravenosos podem
também diminuir significativamente a incidência de fraturas da coluna vertebral
e do quadril”, finaliza.
Nenhum comentário:
Postar um comentário