quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Aprender a delegar é admitir que o outro é necessário


O mundo é competitivo. Constantemente há um embate sendo travado a respeito de quem é o melhor no que faz. Apesar de, na maioria dos casos, ser uma situação saudável e importante para o aprimoramento de habilidades, a competição também pode impactar o indivíduo de maneira negativa.

De acordo com o filósofo Fabiano de Abreu, o fato da sociedade cobrar excelência em diversas áreas, sejam elas acadêmica, profissional ou pessoal, torna os indivíduos figuras centralizadoras que tendem a não confiar no trabalho do outro. “A vida exige que sejamos constantemente os melhores, os mais rápidos, os mais aptos, os mais atentos, os mais capazes numa globalidade”, aponta.

Porém, essa crença de ser o melhor em tudo pode levar a pessoa a uma situação de quase obsessão, que em muitos casos, pode causar até mesmo privação de liberdade, já que o desejo de controle total consome muito ou todo tempo disponível. “Não é saudável o sentimento constante de que se formos nós a fazer seremos mais dedicados e perfecionistas. Chega a uma altura que temos que aprender a saber delegar”.

Fabiano orienta que esse exercício de libertação deve ser feito em etapas: reconhecer em outro alguém a capacidade de fazer e agir, aprender a distribuir tarefas e quem sabe assim, conseguir tempo para fazer outras coisas que gerem prazer. “Ver tudo pelo nosso prisma torna a nossa visão deficitária, limitada com poucas chances de trilharmos um caminho direcionado ao sucesso a longo prazo”, defende.

Um exemplo de reflexão sobre a necessidade do outro, é a lógica sob a qual funciona uma empresa.  Nesse modelo de pensamento, delegar significa mais organização e consequentemente crescimento. “Se centralizarmos todas as funções não teremos tempo de administrar corretamente e procurar novas estratégias. Temos que ter em mente que não há a capacidade de multiplicação e que nos devemos dedicar ao que é essencial e primordial”.

Da mesma forma é a vida, que apesar de precisar do esforço de cada um, tem que continuar mesmo na ausência de uma figura importante. “As pessoas que partilham o espaço e as problemáticas conosco têm de ser capazes de decidir, se por ventura houver uma situação o de vamos conseguir estar presentes. Por essa razão reter toda a informação e conhecimento é apenas uma forma de inviabilizar e criar problemas”.

Fabiano defende ainda que o tempo e a experiência são os melhores amigos e professores nessa batalha entre ser o melhor e admitir a competência do outro. “A aprendizagem é uma constante e os mesmos se encarregam de nos mostrar a qualidade e a assertividade das nossas decisões”, diz.


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