E mais seis orientações para
fugir dela
A
doença é caracterizada por uma pane geral. “É como se o corpo e a mente
colocassem um ponto final: Agora chega! Um cansaço devastador e falta absoluta
de energia. Todas as reservas estão esgotadas. No trabalho, a pessoa, antes
competente e atenciosa, liga o piloto automático. No lugar da motivação, surgem
irritação, falta de concentração, desânimo, sensação de fracasso”, revela o psiquiatra
especializado em medicina psicossomática, hipnose e também médico do trabalho, Leonard Verea, que orienta como
identificar três sinais da doenças. Que, segundo ele, atinge mais as
mulheres que os homens por conta da dupla jornada e acúmulo de funções
profissionais.
1º –
Exaustão: ela é citada por 97% das mulheres brasileiras. A sensação é de estar
no vermelho, sem recursos físicos e emocionais. Há fraqueza, dores musculares e
de cabeça, náuseas, alergias, queda de cabelo, distúrbios do sono, maior
suscetibilidade a gripes e diminuição do desejo sexual; 91% relataram
desesperança, solidão, raiva, impaciência e depressão; 85% citaram raciocínio
lento, memória alterada e baixa autoestima.
2º
-
Despersonalização ou ceticismo e distanciamento afetivo. O profissional passa a
ter contato frio e irônico com os receptores do seu trabalho e, não raro,
torna-se uma presença ranzinza e negativista.
3º –
Queda da produtividade e baixo grau de satisfação pessoal. A pessoa produz
pouco e acha que isso não tem valor. A escalada ao caos é progressiva.
“As
mudanças também são graduais e em fases. O sono já não consegue reparar o
organismo. Períodos de excitação se intercalam com horas em que se sentem
mortos-vivos. Na etapa seguinte, a queda no rendimento levanta dúvidas quanto à
própria capacidade. Depois, predomina a agressividade. Os hormônios liberados
nos ataques de ira (como o cortisol, produzido na suprarrenal) ampliam o risco
de diabetes, cardiopatias, doenças autoimunes, crises de pânico e depressão. Por
último, instala-se o esgotamento total”, explica o médico.
Para
fugir da síndrome de Burnout em 6 passos
1º -
Abandone o lema “Meu nome é trabalho”. Não coloque todos os ovos numa cesta só.
Diversifique as fontes de gratificação e descubra seus hábitos de prazer. Leia
mais, vá ao cinema, curta os amigos e os pets.
2º -
Faça uma avaliação sobre custo e benefício: o que o atraiu nesse emprego e o
mantém aí? A possibilidade de ajudar as pessoas? O salário? Seja qual for a
motivação, focalize no que é positivo em vez de olhar os aspectos negativos
que, em geral, são muitos.
3º
-
Restabeleça contatos profissionais. Faça networking, procure novas
chances no mercado ou em outro setor da empresa se o que você faz, no momento,
significa exaustão.
4º
-
Atenção aos sinais emitidos por seu corpo. A exaustão pode ser sintoma de
várias doenças, de anemia a distúrbios da tireoide. Na dúvida, consulte um
médico. Se for estresse, procure desacelerar o ritmo e faça uma coisa de cada
vez.
5º -
Cuide de seu estilo de vida. Alimente-se bem, em horários regulares, sem
exagerar no álcool e na cafeína. Durma o necessário para acordar reanimado.
6º -
Inclua exercícios físicos na rotina. Eles ativam a circulação, estimulam o
metabolismo, energizam e ajudam a administrar o stress.
Conte
com o apoio da família, dos amigos ou de uma prática espiritual.
Dr.
Leonard F. Verea - médico, formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de
Milão, Itália. Psiquiatra especializado em Medicina Psicossomática, Hipnose
Clínica e também Médico do Trabalho. Participa, entre outros, do Grupo de
Estudos sobre Hipnose da UNIFESP - Universidade Federal do Estado de São Paulo.
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