terça-feira, 30 de julho de 2019

Estudo sobre uso de seringas em oftalmologia é premiado na Academia Nacional de Medicina


IPT participa do projeto coordenado pelo Hospital de Olhos de Sergipe



O uso off label de seringas para injeções intraoculares em oftalmologia é cada vez maior por conta de sua eficiência reconhecida no tratamento da degeneração macular relacionada à idade, doença que ocorre em uma parte da retina chamada mácula e que leva à perda progressiva da visão central. O processo de fabricação da maior parte das seringas comercialmente disponíveis no Brasil envolve a siliconização da superfície interna do corpo da seringa, o que auxilia a reduzir a força para iniciar o movimento do êmbolo e seu deslizamento – este atrito, no entanto, pode trazer como consequência a introdução de gotículas de óleo de silicone nos olhos dos pacientes durante a aplicação.

Um estudo sobre o tema coordenado pelo médico Gustavo Barreto Melo, do Hospital de Olhos de Sergipe, acaba de ser reconhecido com o Prêmio Presidente da Academia Nacional de Medicina na Secção Medicina. O projeto foi feito em parceria com profissionais do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do Retina Center of Minnesota (EUA), do Instituto Paulista de Estudos e Pesquisas em Oftalmologia (Ipepo) e do Laboratório de Análises Químicas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). 


O termo off label é usado para se referir a um uso diferente do aprovado em bula, ou ao uso de um produto não registrado no órgão regulatório de vigilância sanitária no País. Para este procedimento, a aplicação da injeção é feita diretamente no olho, liberando os medicamentos em um local denominado vítreo (ou humor vítreo). O grupo de trabalho brasileiro identificou, em seu levantamento, gotículas de óleo de silicone no vítreo de 68% e 75% de 37 olhos de pacientes consecutivos tratados com injeções intravítreas em avaliações com lâmpada de fenda e ultrassonografia, respectivamente. 

A análise do material extraído da ponta interna do êmbolo, feita por espectroscopia de infravermelho com transformada de Fourier (FTIR), foi realizada no laboratório do IPT pela pesquisadora Shoko Ota para identificar o composto em cada seringa e foi encontrado o composto posiloxano – o óleo de silicone – em todas as seringas, exceto em um dos modelos.

Os Prêmios da Academia Nacional de Medicina têm o objetivo de homenagear trabalhos inéditos que contribuam substantivamente para o conhecimento em alguma área da Medicina, podendo ser concorrentes médicos do Brasil, individual ou coletivamente.


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