Apesar de o termo “inovação” estar cada vez mais
comum entre profissionais de diversos segmentos, você realmente sabe o que isso
significa para o mundo? Imagina que a inovação seja capaz de romper a barreira
dos negócios, moldar a forma de pensar ou o espírito do tempo de uma geração
inteira de profissionais e empresas? Sim, independentemente do tamanho da
inovação, ela tem um impacto tão grande na realidade das pessoas, que mesmo as
coisas mais tradicionais estão tendo suas estruturas abaladas.
Sejamos categóricos. Obviamente, quem mais interage
com a inovação é quem está no mundo dos negócios, mas isso não quer dizer que
ela se restrinja a isso. Uma pesquisa sobre o perfil do empreendedor paulista,
realizada pela Desenvolve SP, mostrou que cerca de 80% dos empresários
acreditam que a inovação é essencial para a competitividade. Para eles, os
maiores objetivos da adoção dessa estratégia é a conquista de novos mercados.
Isso porque a inovação afeta o consumidor, vizinho do consumidor, parente, etc.
Ela vem de uma necessidade das pessoas e existe por essas pessoas. A pesquisa
mostrou que 74% dos entrevistados considera a inovação algo além da criação de
um novo ou revolucionário produto.
Isso se dá porque a inovação existe na forma de
pensar de uma parcela muito maior da população. Está em cada um. No desejo de
ser melhor atendido; na necessidade por imersão; no curtir e compartilhar das
redes sociais; no comportamento que motiva as empresas. É um processo que se
retroalimenta, indo da empresa para consumidor, e vice e versa. É uma mudança
no ser e viver a realidade das pessoas. Os negócios aprendem com a observação
de todo esse processo.
A inovação pode vir de qualquer departamento dentro
de uma empresa, geralmente atrelada a uma necessidade ou a um novo modo de se
observar uma coisa antiga; seja um processo, um produto, o modo de falar com
sua equipe e clientes. A inovação é um modelo mental. Isso significa que é algo
vivo, orgânico, que corre nas veias de todos os envolvidos, desde o presidente
até o chão de fábrica. É uma cultura.
Há inúmeros conteúdos disponíveis sobre o tema.
Alguns mencionam que a inovação pode se dar em forma de produtos novos para
novos mercados, de produtos novos para o mesmo mercado, de melhorias de
produtos existentes ou até no desenvolvimento de produtos similares, só que
mais baratos, a fim de atingir um outro púbico. Existem ainda os que acham que
inovação é apenas aquilo que está ligado à tecnologia - o que trata-se de um
grande equívoco, visto que a tecnologia é apenas um dos meios que possibilita a
inovação e não um fim.
Nesse sentido, é comum também ouvirmos o termo
inovação disruptiva. Segundo o dicionário, disrupção quer dizer “aquilo que
rompe ou altera algo”. Ou seja, uma inovação disruptiva é apenas aquela que tem
o poder de alterar tudo o que veio antes dela. Um bom exemplo são os
smartphones, que romperam com os hábitos anteriores no uso de telefones
celulares. Outro exemplo é o Uber, que alterou a maneira como as pessoas se
locomovem nos grandes centros urbanos.
Contudo, inovação não é e nem
precisa ser apenas uma criação tecnológica ou disruptiva. A inovação pode ser a
criação de um novo processo ou apenas a melhoria de algo já existente. Inovar em serviços, melhorar a produção,
reinventar a distribuição, tudo isso é uma forma de inovar. E essa postura
demonstra que a inovação está ao acesso de todos, independentemente do porte ou
segmento de atuação. A inovação é democrática e, quanto mais criativa, melhor.
Logicamente,
inovar não é fácil. Demanda esforço e espírito de equipe. Dificilmente alguém
consegue inovar sozinho. Normalmente, é comum encontrar muitas resistências à
inovação, afinal, ela exige que se saia da zona de conforto, buscando
alternativas para fazer mais, ou melhor, com os mesmos ou até com menos
recursos. Mas, é um esforço que sempre vale a pena. Uma empresa inovadora está
sempre em busca de crescer, não apenas em números, mas no sentido de ir além do
que ela já foi.
Um bom
exemplo de empresa que adotou a inovação como estratégia de mercado é a
Mazzaferro, uma indústria familiar do segmento de nylon, com 65 anos de
atuação. O mais interessante é que mesmo tendo um mercado consolidado,
tradição, ser uma empresa de vanguarda, a idade não se tornou sinônimo de
comodidade. A empresa podia ter um bom market share, ser líder em
sua área de atuação original, mas ela não se acomodou em sua posição. Saiu em
busca de novas oportunidades, até mesmo desbravando mercados desconhecidos.
Claro que isso não aconteceu
da noite para o dia. Seu primeiro passo foi buscar auxílio profissional. Inovar
não quer dizer apostar em tudo que brilha. A diretoria voltou aos bancos
escolares a fim de entender as transformações do mundo e descobrir em quais
novos mercados eles poderiam atuar. Foi nesse momento que eles entenderam que a
inovação estava além da tendência, não era um modismo ou uma palavra bonita
usada em um novo contexto. Era algo que podia ser usado no dia a dia, como
estratégia.
Com diretrizes e métricas
eficientes (afinal, não dá para fugir dos números e apostar no achismo) a
empresa investiu em novas linhas de produtos, passou do fio para cartelas de mechas
para o segmento de beleza. Passou por produção de vassouras, suturas médicas,
cordas de violão profissionais, entre muitos outros produtos novos. Eles
expandiram e transformaram a matéria prima que seria commoditie, passando a
observar mais quem está na outra ponta do negócio e o que ele ou ela querem.
Produtos de alto valor agregado.
Não foi um processo fácil. Foi
preciso criar um novo diálogo com o consumidor. Eles foram além e buscaram na
academia um novo diretor de marketing e inovação. No fim, tudo compensou,
simplesmente por serem criativos, não se restringirem, não se acomodarem, mas
inovarem de forma pensada.
Assim como esse case de
sucesso, certamente há muitas outras empresas, grandes ou pequenas, arrojadas
ou conservadoras, de produtos ou serviços, que estão encontrando no caminho da
inovação a estratégia ideal para se manterem ou crescerem diante de tantos
desafios. Para quem busca superar a si mesmo antes que um concorrente o faça,
essa é a melhor alternativa. Procure ajuda de forma organizada. Se há risco em
inovar em tempos de novas tecnologias, o risco muito maior é o de não inovar.
Fabrício
Saad - CMO da Mazzaferro S/A e professor de
pós-graduação na ESPM. É estatístico com MBAs na Kellog School (EUA) e Fundação
CUOA (Itália). Possui 16 anos de experiência no mercado, tendo atuado em
emrpesas como Grupo Accor, SulAmerica, Mastercard, Abril e McCann.
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