Especialista do Hospital Cema esclarece a relação
entre as duas doenças e alerta para a importância do rápido diagnóstico para
evitar danos permanentes
O alarmante aumento nos casos
de caxumba acendeu um alerta em todo País para uma doença que parecia
devidamente controlada há muito tempo. Segundo dados do Centro de Vigilância
Epidemiológica foram 842 casos somente no primeiro semestre do ano (até junho).
Muitas pessoas não sabem, mas a caxumba pode ter complicações sérias, caso não
seja devidamente tratada. Uma delas é a perda auditiva. "Assim como outras
infecções virais, a caxumba pode causar dano ao ouvido interno e também ao
nervo da audição. Esse processo infecto-inflamatório pode provocar perda
auditiva parcial ou total, muitas vezes irreversível", explica o
otorrinolaringologista do Hospital Cema, Andy Vicente.
A caxumba é uma doença viral aguda
que causa, principalmente, o inchaço das glândulas que produzem saliva.
Normalmente, os sintomas desparecem entre 5 e 7 dias, mas a enfermidade pode
trazer complicações, como inflamação dos testículos, dos ovários, pancreatite,
meningite, meningoencefalites e problemas auditivos. Apesar da perda auditiva
em decorrência da caxumba ter baixa incidência de casos, a infecção pode se
manifestar de modo incomum, sem o acometimento das glândulas salivares.
"Nesses casos, os sintomas tornam-se inespecíficos, muitos similares à
sintomatologia de outras viroses", detalha o especialista.
Por isso, é importante ficar
de olho em alguns sintomas, que podem indicar um comprometimento da audição por
causa da doença. Sensação de pressão nos ouvidos, perda súbita de audição ou
zumbido intenso são os principais. "É importante ressaltar que todo
distúrbio na audição ou zumbidos súbitos persistentes devem ser considerados
uma urgência otorrinolaringológica", diz. Crianças acima de 2 anos e
adultos jovens são mais suscetíveis a apresentar as complicações auditivas da
caxumba.
Uma vez diagnosticado, o
tratamento para a doença deve ser iniciado o mais rápido possível, com
medicações anti-inflamatórias e antivirais. Já nos casos onde ocorre dano
auditivo permanente, a reabilitação auditiva pode ser realizada com aparelhos
de amplificação sonora, próteses, e até mesmo implantes cocleares, em casos
mais severos.
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