A prolongada e incandescente crise política que vem
se desenrolando no pais, abalou profundamente a nossa economia, cujos resultados
estão bem à nossa frente. Todavia não abalou as instituições basilares da
República. Esse cenário pode ser comparável ao de um avião de grande porte que
voa acima das zonas de tempestade.
Não se depreenda, entretanto, que essa situação de
solidez das instituições tão benéfica para o nosso destino republicano se
traduz também no quadro de um comportamento democrático ideal.
A crise política que envolve os céus brasileiros,
carregada de tantos impactos traumáticos, que não conseguiu desestabilizar a
estrutura, nem por isso deixou de produzir consequências negativas em vários
componentes essenciais do nosso estado de direito.
Na verdade o sistema político representativo
brasileiro materializado pelos partidos políticos e pelos mandatários eleitos ingressou
em certo momento numa rota perigosa, perturbada por obstáculos de perda de
identidade intrínseca, de coerência, de objetividade programática, de
compromissos constitucionais e éticos.
Um panorama que deveria caracterizar-se pela transparência e claridade adquiriu as cores cinzentas provocadas pela avalanche de denúncias que envolvem culpados e inocentes, de investigações parlamentares e policiais, de condenações dentro do próprio Congresso, de reações perplexas e indignadas da sociedade.
Um panorama que deveria caracterizar-se pela transparência e claridade adquiriu as cores cinzentas provocadas pela avalanche de denúncias que envolvem culpados e inocentes, de investigações parlamentares e policiais, de condenações dentro do próprio Congresso, de reações perplexas e indignadas da sociedade.
Em razão disso, os fundamentos da economia só
faziam piorar com péssimos resultados nas áreas especialmente sensíveis da
inflação, do emprego, das contas externas, da balança comercial, do câmbio,
etc.
O Governo instalado, agora, no Planalto, é levado a
sustentar um enfrentamento severo, às vezes com estratégias e táticas de grosso
calibre para responder ao desejo real e obrigatório da nossa sociedade.
Infelizmente, a classe política brasileira ainda
não conseguiu sepultar velhos fantasmas que têm participado nas nossas crises
republicanas.
E o que dizer de problemas conhecidos e jamais
resolvidos como a fidelidade partidária, o instrumento da reeleição e outros
que fornecem uma longa relação de procedimentos políticos discutíveis e
imperfeitos?
Que se faça a tão apregoada reforma política sem mais demora, sem o
impasse que atravanca o caminho de uma democracia à altura do país importante
que somos dentro e fora das fronteiras continentais.
Se aos poucos podemos conquistar os benefícios da estabilidade
econômica, porque deveremos continuar prisioneiros das incertezas
institucionais?
Sebastião Misiara
Presidente da UVESP
Vice-presidente ADVB
Diretor APM
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