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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Vergonha e resistência à terapia prolongam o sofrimento de homens com disfunção erétil

 Em um futuro próximo, o tratamento da disfunção erétil será na causa do problema, não no sintoma dele, com terapias regenerativas para recuperar tecidos vasculares e nervosos danificados, além de intervenções para a formação de novos vasos sanguíneos

 

Vergonha e resistência à terapia comportamental prolongam o sofrimento de homens com disfunção erétil. O problema, que será cada vez mais comum com a longevidade e, consequentemente, com a extensão do período ativo da vida sexual, não pode ser encarado como um problema comum, como o envelhecimento ou uma “coisa da idade”. A impotência sexual pode ser tratada com três linhas terapêuticas, além do tratamento cirúrgico com implante peniano. A manutenção dos cuidados gerais com a saúde física e emocional permanece como a melhor estratégia para evitar o quadro. 

A disfunção erétil afeta 30% dos homens brasileiros e a tendência é aumentar com o envelhecimento populacional. O quadro está relacionado, entre os pacientes acima dos 60 anos, a um histórico de cirurgia pélvica devido ao câncer de próstata, doenças vasculares avançadas, diabetes de longa data e lesões neurológicas. Entre os mais jovens, com menos de 40, associa se a alterações hormonais e questões emocionais, como estresse e ansiedade. O problema é caracterizado pela dificuldade de manter o pênis ereto para uma relação sexual satisfatória. 

A dificuldade para manter a ereção pode gerar constrangimento, baixa autoestima, ansiedade, distanciamento entre casais e, em alguns casos, quadros depressivos. Porém, o quadro pode ser tratado com medicações orais, os famosos “comprimidos para ereção”, injeções intracavernosas, que devem ser aplicadas no pênis minutos antes da relação sexual, e a bomba de vácuo. Quando as abordagens anteriores falham, o tratamento definitivo é o implante de prótese peniana, com taxas de satisfação geralmente acima de 90%, tanto do paciente quanto da pessoa com quem ele se relaciona. 

Os tratamentos atuais da disfunção erétil manejam os sintomas do quadro. Em um futuro próximo, as intervenções serão para tratar as causas da impotência sexual. As apostas são o uso de células-tronco e plasma rico em plaquetas (PRP) para recuperar tecidos vasculares e nervosos danificados. É importante lembrar que a ereção está ligada à transmissão de estímulos nervosos do cérebro às terminações nervosas do pênis. Também estão em estudo as terapias por impulsos elétricos de baixa intensidade, que buscam estimular a formação de novos vasos sanguíneos no órgão. 

Do ponto de vista técnico, ainda é preciso trabalhar em outras opções eficazes e duradouras para os casos mais graves de dano vascular ou neurológico, que dificultam ou impedem a ereção do pênis, sem recorrer à cirurgia protética. O implante peniano atualmente é o único tratamento que promove a resolução da doença. 

A disfunção erétil é um problema atual e do futuro. Por isso, adotar hábitos saudáveis permanece como a orientação-chave, independentemente do período da vida. Entre as dicas, estão: manter o peso saudável, praticar atividades físicas regularmente, não fumar, controlar a diabetes, a pressão arterial e o colesterol, e moderar o consumo de álcool. 

É importante reforçar que a disfunção erétil não é “coisa da idade”, não deve ser aceita em silêncio nem é apenas uma questão sexual. A impotência sexual, muitas vezes, pode ser o primeiro sinal de um problema cardiovascular silencioso. Buscar precocemente um urologista ou um andrologista — que é o responsável pela saúde sexual e reprodutiva do homem — pode melhorar a vida sexual, a autoestima e o relacionamento, além de ajudar a identificar riscos à saúde geral antes que se tornem mais graves.

 


Rafael Ambar - urologista e andrologista do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo.

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