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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Ser professor em 2026: entre a inteligência artificial e o vínculo com os alunos

Às vésperas do Dia do Professor, alunas do Colégio pH que pretendem cursar Licenciatura refletem sobre os desafios de ensinar e o futuro da profissão

 

A inteligência artificial já faz parte da rotina dos estudantes, o acesso à informação se amplia e a atenção é disputada por estímulos constantes. Nesse cenário, o papel do professor vai além do domínio dos conteúdos: envolve orientar, despertar a curiosidade e ajudar o aluno a transformar informação em conhecimento. 

Às vésperas do Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, a docência enfrenta desafios como construir autoridade, incorporar novas tecnologias e criar vínculos com uma geração que aprende e se informa de maneiras diferentes. Como estimular a autonomia e o pensamento crítico quando ferramentas digitais oferecem respostas em segundos? 

A questão começa na atração e na formação dos futuros professores. Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, apenas 14,7% dos ingressantes em licenciatura estavam entre os 20% com melhor desempenho no Enem 2024. Entre os concluintes avaliados pelo Enade/Prova Nacional Docente, só um em cada cinco atingiu o nível adequado, enquanto mais de 40% ficaram abaixo do básico. O cenário exige melhor preparação, remuneração e perspectivas de crescimento que incentivem o ingresso e a permanência na carreira. 

Além do conhecimento técnico, escuta, comunicação e sensibilidade às necessidades dos alunos ganham cada vez mais espaço na prática docente. Para Vicente Delorme, diretor da unidade Jockey do Colégio pH, o papel do professor como executor de aulas já não atende às demandas atuais. “Nosso olhar para os alunos tem sido ampliado para horizontes emocionais, afetivos e atitudinais. A dedicação ao suporte emocional e a possíveis conflitos escolares exigem, do professor atual, habilidades que talvez passassem batidas ao professor do passado, mas que hoje são fundamentais a um bom educador”, avalia. 

O educador também destaca os efeitos da pandemia na concentração e na autonomia dos estudantes para organizar os estudos. “Acredito que o excesso de telas, que é um problema até hoje, seja o grande causador disso”, afirma. Para ele, o desafio é conciliar uma sólida formação acadêmica com atenção ao desenvolvimento emocional e à dinâmica da turma, criando um ambiente favorável à aprendizagem. 

É nesse contexto que alunas do Colégio pH que pretendem cursar licenciatura começam a imaginar a profissão que escolheram. Ainda no lugar de estudantes, elas refletem sobre os professores que marcaram suas trajetórias, os desafios que esperam encontrar e o tipo de relação que gostariam de construir com suas futuras turmas. 

Entre elas está Vitória Marques, de 17 anos, aluna do Colégio pH Recreio que pretende cursar Licenciatura em Letras. Para ela, acolhimento e criatividade serão fundamentais para manter os estudantes envolvidos e tornar o aprendizado mais significativo. “Eu gostaria de ser uma professora acolhedora, que busca inovar nos métodos de ensino para transformar a sala de aula em um ambiente divertido, porque o aprendizado é mais fácil quando é leve e as pessoas estão dispostas e têm interesse em aprender”, afirma. 

A escolha pela docência também está ligada à crença no poder transformador da educação para Lara Monteiro, de 17 anos, aluna do Colégio pH Botafogo que pretende cursar Licenciatura em História. Inspirada pela trajetória do avô e por professoras que marcaram sua formação, ela vê na carreira uma oportunidade de contribuir para a vida de outros jovens. “O que me despertou a vontade de ser professora foi a esperança de que a educação muda vidas. Eu admiro o poder da educação em transformar o futuro dos jovens”, conta. 

As expectativas das futuras professoras e a experiência de quem já está em sala de aula apontam para a mesma direção: ensinar vai além de transmitir informações. Diante de respostas rápidas e estímulos constantes, cabe ao professor despertar a curiosidade, estimular o pensamento crítico e a autonomia e cultivar os vínculos que favorecem a aprendizagem. Para Delorme, a recompensa está em acompanhar o desenvolvimento dos alunos. “É notar como eu posso impactar, seja academicamente, seja emocionalmente, crianças que precisam de algum impulso para se desenvolver. Acompanhar esse crescimento e contribuir para isso, diariamente, não tem preço”, conclui.
 

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