Exames de precisão
e hábitos cotidianos ajudam médicos a definir a estratégia mais adequada para
cada caso
Pelo menos 2,2 bilhões de indivíduos têm algum
comprometimento da visão de perto ou de longe no mundo, segundo atualização da
Organização Mundial da Saúde publicada em fevereiro de 2026. A entidade estima
ainda que 94 milhões apresentem deficiência visual ou cegueira associada à
catarata e que 826 milhões convivam com alterações de perto relacionadas à
presbiopia. A evolução dos recursos diagnósticos passou a oferecer informações
mais detalhadas sobre as características dos olhos, permitindo um planejamento
mais individualizado e explicando por que pacientes aparentemente semelhantes
podem seguir caminhos distintos no tratamento.
Arthur van den Berg, médico oftalmologista, com
atuação dedicada à cirurgia do cristalino e ao implante de lentes intra
oculares de alta tecnologia, e criador do PROTOCOLO VDB®, método que combina
tecnologia, avaliação ocular e análise da rotina para definir uma estratégia
individualizada, afirma que idade e grau semelhantes não significam
necessariamente a mesma recomendação. Médico há cerca de 20 anos, com mais de
15 anos dedicados à cirurgia do cristalino e mais de 20 mil cirurgias
realizadas, o especialista chama a atenção para uma etapa que ocorre antes do
procedimento.
“Duas pessoas podem ter a mesma idade e praticamente
o mesmo grau e, ainda assim, precisar de estratégias completamente diferentes.
O grau é apenas uma das informações do planejamento”, afirma van den Berg.
Segundo o cirurgião, os exames de alta precisão não
servem simplesmente para apontar a lente mais avançada. “O objetivo não é
escolher a lente mais tecnológica, mas a tecnologia mais adequada para aquele
olho e para aquele paciente. Os exames ajudam a identificar as características
oculares e, a partir delas, definir qual estratégia pode ser mais compatível
com as necessidades visuais daquela pessoa”, explica.
O que os exames de alta
precisão mostram antes da cirurgia
Na cirurgia do cristalino, a lente natural do olho
é removida e substituída por uma lente intraocular artificial. O procedimento é
utilizado no tratamento da catarata e, em pacientes selecionados, também na
troca do cristalino disfuncional, quando a lente natural ainda pode estar
transparente, mas já perdeu progressivamente sua capacidade de foco, condição
associada à presbiopia.
Como a lente implantada permanecerá no olho, a
etapa anterior ao procedimento é fundamental para calcular sua potência e
avaliar qual modelo pode atender melhor às características oculares e às
necessidades visuais de cada pessoa.
A biometria está entre as avaliações recomendadas
antes da cirurgia de catarata e fornece medidas utilizadas no cálculo da
potência da lente intraocular. Quando há astigmatismo, a European Society of
Cataract and Refractive Surgeons também recomenda medições adicionais por
topografia ou tomografia da córnea.
Para determinados tipos de lentes, a avaliação pode
incluir ainda aspectos relacionados à superfície ocular, à retina, à qualidade
óptica e às expectativas em relação à independência dos óculos.
A busca por maior exatidão também aparece nas
pesquisas recentes. Estudo multicêntrico publicado em março de 2026 na Clinical
Ophthalmology avaliou 246 olhos submetidos à cirurgia de catarata e comparou
três métodos modernos de cálculo da potência de lentes intraoculares.
Em uma das análises, o cálculo baseado em
inteligência artificial colocou 82% dos olhos dentro de uma diferença de até
0,5 dioptria do resultado previsto, ante 76% com a fórmula Barrett Universal
II. O desempenho foi semelhante ao da fórmula Kane nos parâmetros avaliados. Os
autores também destacaram limitações do estudo, entre elas o caráter
retrospectivo da pesquisa e a utilização de um único modelo de lente.
Para van den Berg, a evolução das fórmulas amplia
os recursos disponíveis, mas não substitui a interpretação clínica. “O cálculo
ajuda a determinar a potência da lente, mas não responde sozinho qual solução
faz mais sentido para aquela pessoa. É preciso considerar as medidas do olho,
possíveis alterações oculares, expectativas e a forma como a visão é utilizada
no dia a dia”, ressalta.
Rotina pode mudar a indicação
Essa avaliação ajuda a explicar por que duas
pessoas da mesma faixa etária e com graus semelhantes podem receber
recomendações distintas. Quem permanece muitas horas diante do computador pode
atribuir maior importância à visão intermediária. Já uma pessoa que dirige
frequentemente à noite pode ter outras prioridades relacionadas à qualidade
visual em condições de pouca iluminação.
O próprio objetivo de usar menos óculos também
precisa ser detalhado durante a consulta. Ler, trabalhar diante de telas,
enxergar à distância e dirigir exigem faixas visuais diferentes. Além disso,
características da córnea, presença e tipo de astigmatismo, condições da
retina, superfície ocular e outras alterações podem favorecer ou limitar
determinadas opções.
“Não existe uma lente universal. Antes de falar em
independência dos óculos, é preciso entender em quais atividades essa liberdade
é mais importante e se as condições do olho permitem buscar esse resultado”,
explica o especialista.
Segundo van den Berg, essa investigação também é
importante para alinhar expectativas e condições clínicas. “Cirurgia de
precisão significa reunir o máximo de informações antes do procedimento para
tomar uma decisão mais individualizada, considerando tanto as características
do olho quanto às necessidades visuais de cada paciente”, destaca.
Arthur van den Berg - médico oftalmologista e cirurgião, com atuação dedicada à cirurgia do cristalino e ao implante de lentes intraoculares de alta tecnologia. Criador do PROTOCOLO VDB®, possui mais de 15 anos de atuação e já realizou mais de 20 mil cirurgias. Realizou sua formação em Oftalmologia na Santa Casa de São Paulo e aperfeiçoamento em cirurgia do segmento anterior no Storm Eye Institute, da Medical University of South Carolina, nos Estados Unidos. Possui formação em Surgical Leadership pela Harvard Medical School e é doutorando pela Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, onde desenvolve pesquisa relacionada a lentes intraoculares de alta tecnologia. Também atuou durante seis anos como preceptor cirúrgico na Unifesp, participando da formação e do treinamento de novos cirurgiões, e é autor e coautor de artigos científicos publicados em revistas internacionais. À frente do PROTOCOLO VDB®, reúne exames de alta precisão, tecnologia, experiência cirúrgica e análise do estilo de vida de cada paciente para definir uma estratégia individualizada. Sua atuação é dedicada principalmente à cirurgia de catarata e à troca do cristalino disfuncional, correção da presbiopia e do astigmatismo e implante de lentes intraoculares de alta tecnologia, com foco em planejamento personalizado e máxima liberdade dos óculos.
Para mais informações, acesse instagram e linkedin.
Fontes de Pesquisa
Blindness and vision impairment
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/blindness-and-visual-impairment
44th Congress of the ESCRS
https://www.escrs.org/escrs-annual-events/44th-congress-of-the-escrs/
ESCRS Recommendations for Cataract Surgery
https://www.escrs.org/escrs-recommendations-for-cataract-surgery
Refractive Outcomes of Cataract Surgery Using ZEISS Artificial Intelligence IOL Calculator
https://www.dovepress.com/refractive-outcomes-of-cataract-surgery-using-zeiss-artificial-intelli-peer-reviewed-fulltext-article-OPTH
Refractive Outcomes of Cataract Surgery Using ZEISS Artificial Intelligence IOL Calculator
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41924205/
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