▼

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

OUTUBRO ROSA: rastreamento no país está muito aquém do que exige OMS e no Rio cenário é ainda pior

 Realização da mamografia, principal exame para o diagnóstico precoce, gira em torno de 25% da população-alvo no país, mas no Rio de Janeiro não chega a 18% no setor público, o que preocupa mastologistas

 

Sim! A mamografia faz parte da prevenção ao Câncer de Mama por ser responsável pelo diagnóstico precoce, o que pode aumentar as chances de cura. Esse é, mais uma vez, o alerta da Sociedade Brasileira de Mastologia do Rio de Janeiro (SBM Rio) neste outubro rosa, reforçando que estudos científicos apontam que a realização mamografia regularmente contribui para a redução da mortalidade por câncer de mama em uma média de 20% a 40%. A má notícia é a deficitária cobertura no país, como no Rio de Janeiro.

De acordo com o Dr. Eduardo Bruno Giordano, presidente da SBM Rio, falar em mamografia parece repetitivo, mas é indispensável, tendo em vista o quadro deficitário da realização do exame no Brasil. Ele destaca que a Organização Mundial da Saúde (OMS) exige taxa de cobertura de 70% da população-alvo em cada país, porém, estudos apontam que a cobertura mamográfica no Brasil atinge menos de 25% desse público. “No Rio de Janeiro o cenário é ainda pior, pois a taxa gira em torno de 18% no setor público, inferior à média nacional que já é deficitária. Precisamos reverter essa realidade”, sinaliza.

Segundo o presidente da entidade, o conceito do rastreamento é consolidado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), pelo Ministério da Saúde e pelas principais sociedades médicas do mundo. Ele lembra que a prevenção do câncer de mama é dividida em duas etapas. A primeira delas é a prevenção primária, que reúne ações destinadas a reduzir o risco de aparecimento da doença, como manter alimentação saudável, praticar atividade física regularmente, controlar o peso corporal, evitar o consumo excessivo de álcool e estimular o aleitamento materno.

A prevenção secundária, é a que corresponde ao diagnóstico precoce, cujo principal instrumento é a mamografia. “Detectar um tumor ainda em estágio inicial significa oferecer tratamentos menos agressivos, maiores índices de cura e menor mortalidade”, alerta o presidente, acrescentando que o câncer pode até surgir, mas quando identificado precocemente, é possível interromper sua evolução com muito mais eficiência e as chances de cura podem chegar a 95%.

Ele lembra que o INCA estima 73.610 novos casos de câncer de mama no Brasil a cada ano, mantendo a doença como o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluindo os tumores de pele não melanoma. O Sudeste concentra a maior incidência da doença e o Estado do Rio de Janeiro figura entre aqueles com as maiores taxas de mortalidade do país. “Apesar dos avanços, o acesso ao rastreamento ainda está longe do ideal”, afirma.

Segundo o presidente da SBM Rio, em 2024, o Sistema Único de Saúde realizou aproximadamente 4,4 milhões mamografias, sendo cerca de 4 milhões destinadas ao rastreamento. Um número considerado insuficiente para atender toda a população elegível, principalmente diante das desigualdades regionais e das dificuldades de acesso aos serviços especializados. Não é por acaso que aproximadamente 40% dos casos de câncer de mama no Brasil são descobertos em estágios já avançados. “Essa realidade, sem dúvida, eleva a chance de evolução desfavorável da doença”, destaca o doutor.


LEI DOS 60 DIAS

Outro gargalo é o tempo entre o diagnóstico até o início do tratamento. Embora a Lei dos 60 Dias determine que pacientes diagnosticadas iniciem o tratamento neste prazo, o próprio INCA reconhece que ainda existem importantes desigualdades regionais e dificuldades na organização da rede assistencial, comprometendo o atendimento em tempo oportuno.

No Rio de Janeiro, o desafio também envolve o acesso aos serviços especializados. Longas filas para consultas com mastologistas, demora para realização da mamografia, dificuldade para obtenção de biópsias e espera pelo início do tratamento continuam sendo obstáculos enfrentados por milhares de mulheres. “Passamos, diariamente, por esse desafio. Há leis, porém falta melhor estrutura para a navegação da paciente, na qual muitas encontram dificuldade para o agendamento em todas as etapas. Enfim, nem todas as mulheres têm, por inúmeros motivos, acesso ao que precisa e o câncer não espera”, aponta o médico.
 

FAKE NEWS

Ele finaliza, chamando a atenção para a necessidade de se combater a desinformação, algo que é tão importante quanto ampliar a oferta de exames.

Segundo ele, como se não bastassem as dificuldades em geral do sistema, há ainda, as fakes news que circulam na internet. “Dizer que a mamografia não previne o câncer demonstra desconhecimento dos conceitos básicos de saúde pública e é um desserviço para a população", diz o mastologista, alertando que, a mulher quando deixa de fazer a mamografia por acreditar em informações falsas, perde uma oportunidade valiosa de identificar a doença ainda no início, o que pode fazer toda a diferença no tratamento e possível cura.


Cenário do Rio de Janeiro 

No Estado são estimados mais de 10 mil novos casos de câncer de mama anualmente;

Cerca de 2 mil mulheres morrem por câncer de mama no estado a cada ano;

Em média, uma paciente espera muito tempo para conseguir consulta com mastologista; mamografia; biópsia e início do tratamento, considerando a fila do SUS pelo Sistema de Regulação:

a. Mastologista: cerca de 15 a 60 dias.

b. Mamografia diagnóstica (quando já existe suspeita de lesão mamária): 25 a 40 dias.

c. Biópsia: 30 a 40 dias.

d. Início do tratamento: A lei prevê 60 dias após o diagnóstico, mas no estado, a espera real costuma ultrapassar 75 dias, podendo chegar a meses em alguns casos


Mais de 50% das pacientes chegam ao consultório com a doença já em estágio avançado;

Quando o tumor é descoberto precocemente, é possível a execução de tratamentos mais preservadores das mamas e menos invasivos;

O diagnóstico precoce impacta também no fator financeiro. A diferença de custo para o sistema de saúde entre tratar o câncer inicial e lesão avançada é drástica. Tratar um câncer em estágio avançado pode custar entre 60% e 500% a mais para o sistema de saúde do que na fase inicial. Isso ocorre porque os casos avançados exigem internações, cirurgias mais complexas e medicamentos de alto custo;

Os maiores mitos atuais sobre a mamografia incluem a ideia de que a radiação do exame causa câncer, de que o autoexame substitui a mamografia e que próteses de silicone impedem a realização do procedimento. Todas fake news.

A SBM preconiza a realização da mamografia a partir dos 40 anos com base em estudos científicos que demonstram que cerca de 23% a 40% dos casos no Brasil são diagnosticados antes dos 50 anos.

Número estimado de mulheres na faixa etária indicada pela SBM para a realização de mamografia no Brasil é de aproximadamente 45 a 50 milhões de mulheres com 40 anos ou mais. Este grupo representa quase metade do contingente total de 104,5 milhões de mulheres no país, segundo dados do IBGE.
 

A Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Rio de Janeiro (SBM-RJ) irá celebrar o outubro rosa com mais uma edição da sua corrida e caminhada Prevenção ao Câncer de Mama, cujo objetivo é disseminar informação qualificada, conscientizando as mulheres e seus familiares sobre a importância da prevenção e da importância de um estilo de vida mais saudável, com alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos diários.

A programação conta com duas opções de percurso: 7,5 km para os corredores e 4 km para quem preferir correr ou caminhar sem caráter competitivo. A primeira largada está marcada para às 7h30 (7,5 km) e 15 minutos depois, às 7h45, saem os participantes dos 4 km.


Serviço:

VII Corrida e Caminhada de Prevenção ao Câncer de Mama
Dia: 18 de outubro de 2026
Local: Parque das Figueiras – Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro
Modalidade: 7,5 km - largada às 7h30
4 km - largada às 7h45

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário