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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

O futuro da gestão de recursos: levantamento XP

Como o patamar de juros e os fundos estruturados mudaram a composição das gestoras

 

Nos últimos anos, a indústria de fundos brasileira ficou maior e mudou de perfil. Entre as principais transformações, a renda fixa e os fundos estruturados ganharam peso, ampliando a demanda por soluções de investimento adequadas ao cenário de juros e às necessidades de alocação dos investidores. 

Para entender melhor esses grandes movimentos, realizamos um levantamento que mostra como o cenário econômico aparece nas decisões dos investidores e na oferta de produtos por parte das gestoras. 

As mudanças abordadas neste relatório ocorreram em um período de forte alteração no ciclo de juros: a Selic chegou a 2% ao ano em 2020 e voltou a 15% em junho de 2025. Com os títulos de Renda Fixa oferecendo retornos atrativos, o investidor passou a ter maior cautela na hora de aceitar oscilações. Esse contexto ajuda a interpretar os movimentos, mas não explica sozinho todas as transformações da indústria. 

Neste contexto, buscamos nos dados da ANBIMA entender (i) como cresceu a indústria de fundos nos últimos anos, (ii) como esse crescimento se distribuiu entre gestoras bancárias e independentes ou plataformas de distribuição e (iii) como o avanço dos fundos estruturados e dos ETFs mudou a oferta de soluções de alocação.


 

1 - A indústria cresceu cerca de 67% em menos de cinco anos

 

O patrimônio passou de R$ 6,91 trilhões no fim de 2021 para R$ 11,53 trilhões em setembro de 2026, crescimento nominal de cerca de 67% em menos de cinco anos. Na comparação mais longa, desde o fim de 2019, a indústria mais que dobrou de tamanho.

 

[Gráfico 1] A indústria de fundos atingiu R$ 11,53 trilhões sob gestão

 



Esse crescimento não foi distribuído igualmente entre classes e gestoras. O patrimônio incorpora a rentabilidade dos ativos e os movimentos de entrada e saída de dinheiro. Por isso, entender onde a indústria cresceu é tão importante quanto observar seu tamanho total. 

A sequência dos gráficos ajuda a separar duas mudanças: a composição dos produtos dentro de cada grupo de gestoras e a participação desses grupos no patrimônio da indústria. Vale pontuar que o levantamento considerou apenas o universo da gestão de recursos. 

A amostra reúne gestoras bancárias, independentes e demais grupos do ranking de gestão, com cada gestora classificada individualmente e os nomes consolidados quando a mesma casa aparece sob razões sociais distintas. O agrupamento segue o modelo de atuação, e não apenas a licença bancária: casas com origem em banco de investimento ou ligadas a plataformas de distribuição foram classificadas como independentes/plataformas.

 

2 - A renda fixa ganhou ainda mais espaço nas bancárias

 

O grupo reúne 22 gestoras bancárias em dezembro de 2019 e 26 em agosto de 2026, e não apenas as maiores. Elas tinham sob gestão R$ 3,31 trilhões em 2019 e R$ 5,95 trilhões em agosto de 2026. A renda fixa saiu de 55% para 62% desse patrimônio, o que equivale a um estoque que passou de aproximadamente R$ 1,82 trilhão para R$ 3,69 trilhões, cerca do dobro do inicial. A previdência manteve participação de 25%, com patrimônio que passou de aproximadamente R$ 828 bilhões para R$ 1,49 trilhão.

 

[Gráfico 2] Composição do patrimônio das gestoras bancárias

 


A renda fixa já tinha uma presença importante nas gestoras bancárias e ganhou mais peso no período. Na indústria como um todo, a classe recebeu R$ 136 bilhões em captação líquida entre janeiro e setembro de 2026. Esse dado contextualiza a demanda por renda fixa, mas não mede a captação específica das bancárias. 

Os percentuais desta seção foram calculados a partir do ranking de gestão da ANBIMA, com classificação individual por tipo de gestora. Casas ligadas a plataformas de distribuição foram consideradas no grupo seguinte, mesmo quando pertencem a conglomerados com instituição bancária. Os valores por categoria são aproximações calculadas com os percentuais arredondados dos gráficos.

 

3 - Gestoras independentes passaram a ter outra composição

 

Nas independentes e plataformas, os dados mostram uma mudança mais intensa. O grupo tinha sob gestão R$ 1,63 trilhão em dezembro de 2019 e R$ 4,22 trilhões em agosto de 2026, uma base 2,6 vezes maior. Os fundos estruturados (FIDC, FIP, FII e Fiagro) avançaram de 22% para 34% do patrimônio, de aproximadamente R$ 359 bilhões para R$ 1,43 trilhão, e passaram a ser a maior parcela entre as categorias apresentadas. A renda fixa subiu de 15% para 22%, de aproximadamente R$ 245 bilhões para R$ 928 bilhões.

 

[Gráfico 3] Composição do patrimônio das independentes e plataformas 

 

 

Essa transformação também ocorreu em um contexto de mudança de apetite ao risco por parte dos investidores. De um lado, vimos gestoras mais concentradas em ações e multimercados com uma redução do patrimônio sob gestão (AUM), da estrutura e, em alguns casos, com mudanças no modelo de distribuição ou encerramento das atividades. Também foi possível acompanhar um processo de consolidação da indústria, com fusões, aquisições e incorporação de equipes ou plataformas especializadas, especialmente em crédito e estratégias estruturadas. 

Do outro lado, casas que já tinham uma atuação mais diversificada, ou que conseguiram construir essa diversificação ao longo do período, mostraram maior capacidade de atravessar o ciclo. Em alguns casos, isso aconteceu de forma orgânica; em outros, por meio da aquisição de times de gestão especializados em classes que passaram a ser mais demandadas pelo investidor

 

 

4 – No contexto de transformação, gestoras independentes e plataformas ampliaram sua participação:

 

A mudança também aparece em quem faz a gestão. Ao avaliar universo de gestão, a soma do patrimônio é de R$ 5,06 trilhões em dezembro de 2019 e R$ 10,30 trilhões em agosto de 2026, as independentes e plataformas passaram de R$ 1,63 trilhão para R$ 4,22 trilhões, de 32,2% para 41,0% do total. As gestoras bancárias saíram de R$ 3,31 trilhões para R$ 5,95 trilhões, enquanto sua participação caiu de 65,5% para 57,8%. O restante corresponde aos demais grupos, como MFOs. A amostra não equivale ao patrimônio total da indústria apresentado no gráfico 1, pois considera apenas gestoras de recursos. 


Os dois grupos cresceram: o bancário multiplicou seu patrimônio por aproximadamente x1,8 e o independente por x2,6. Essa diferença de ritmo explica a mudança na composição da indústria.

 

[Gráfico 5] As dez maiores gestoras ainda concentram cerca de 68% do patrimônio

 


Apesar da mudança na composição das gestoras, o patrimônio segue concentrado nos maiores nomes. Na amostra analisada, as dez maiores reuniam 68,0% dos recursos em agosto de 2026, ante 68,7% em dezembro de 2019, uma redução de apenas 0,7 ponto percentual. Ou seja, o avanço das independentes e plataformas ocorreu sem uma desconcentração relevante no topo. Há mudanças em quem ocupa esse espaço e nas estratégias oferecidas, mas os grandes grupos continuam reunindo cerca de dois terços do patrimônio. 

Lá fora, a concentração também é uma característica importante. Segundo o Thinking Ahead Institute e a Pensions & Investments, as 20 maiores gestoras globais reuniam 47% do patrimônio das 500 maiores ao fim de 2024, ante 45,5% em 2023. Os recortes e as datas são diferentes, portanto os percentuais não são diretamente comparáveis, mas mostram como poucos grandes grupos concentram uma parcela expressiva dos recursos, não só no Brasil mas na indústria de fundos globais. 

A XP Asset ilustra esse movimento de crescimento. Seu patrimônio passou de R$ 51,6 bilhões em dezembro de 2019 para R$ 289,8 bilhões em agosto de 2026, atingindo cerca de 5,6 vezes o valor inicial, ou um aumento de aproximadamente 462%.

 

5 - ETFs e parte dos estruturados cresceram em ritmo mais forte

 

Entre dezembro de 2022 e agosto de 2026, o patrimônio dos ETFs mais que triplicou, enquanto o dos FIDCs mais que dobrou. FIIs e Fiagros, somados, praticamente dobraram. Os FIPs cresceram 43,7%, mostrando que o avanço não foi uniforme entre os estruturados. Esse recorte começa em 2022 e difere da comparação de composição das gestoras, iniciada em 2019.

 

[Gráfico 6] Crescimento do patrimônio por produto de dezembro de 2022 a agosto de 2026

 

 

Crescimento percentual e aumento do patrimônio em reais medem dimensões diferentes. A renda fixa cresceu 72%, abaixo de ETFs, FIDCs e FIIs/Fiagros, mas adicionou R$ 2,04 trilhões. A previdência acrescentou R$ 701 bilhões e os FIDCs, R$ 465 bilhões. Os ETFs cresceram 228% e adicionaram R$ 87 bilhões, partindo de uma base próxima de R$ 38 bilhões. A ordem do gráfico mostra o ritmo de crescimento; o aumento em reais mostra a contribuição de cada produto para a expansão do patrimônio. Esses valores incluem rentabilidade e fluxos, e não equivalem à captação líquida.


 

O que muda para o investidor

 

A ampliação da prateleira oferece mais caminhos para construir a carteira. ETFs permitem acessar diferentes mercados, enquanto fundos estruturados ampliam as alternativas de crédito, ativos reais e estratégias especializadas. A exposição internacional também pode diversificar economias, setores e fontes de retorno, embora seu crescimento não seja medido pelos gráficos deste relatório. 

Nesse ambiente, pode fazer sentido combinar acesso eficiente aos mercados com gestão ativa seletiva: usar veículos de custos competitivos para acompanhar determinados índices e recorrer à gestão ativa onde seleção, originação e execução possam agregar valor. Para a gestão ativa, isso aumenta a necessidade de demonstrar sua contribuição depois dos custos e considerando o risco assumido. 

A escolha, portanto, vai além das classes ou dos produtos e passa a considerar o papel de cada estratégia na carteira: liquidez, horizonte de investimento, risco, custo e aderência à exposição desejada devem ser avaliados junto com o retorno esperado. Nos estruturados, seleção e acompanhamento dos ativos são centrais; nas estratégias de crédito, também importam a capacidade de pagamento e a qualidade das garantias, quando existentes. Nos ETFs, custo, liquidez e aderência ao índice de referência merecem atenção.

 

Uma indústria com mais alternativas não reduz a importância da seleção. Pelo contrário: quanto maior a prateleira, mais importante se torna entender onde vale pagar por gestão, onde vale acessar o mercado de forma eficiente e qual função cada investimento desempenha na carteira.

 

Conte com o time XP para ajudar na seleção de fundos, confira nosso Top Fundos.

 

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